Um novo tempo, apesar dos perigos!

 

Com a celebração do 1º Domingo do Advento, a Igreja inicia um novo ano litúrgico. Dos três propostos, este será o ano “A”, cuja caminhada se fará com evangelho de Mateus e a sua dinâmica própria.

É um tempo de expectativa. Tempo da chegada do Senhor. A luz vem livrar-nos das trevas. Um filho é-nos dado para que tenhamos plena paz e dessa paz sejamos arautos!

Na música “Anunciação”, Alceu Valença há tempos canta: “Tu vens. Tu vens! Eu já escuto os teus sinais!”. Vemos os sinais da presença do Menino no meio de nós. Na vida que insiste resistir às investidas do mal e da morte.

Exorta-nos Jesus: Fiquem alerta! Não deixem que as festas, ou as bebedeiras, ou os problemas desta vida façam vocês ficarem tão ocupados, que aquele dia pegue vocês de surpresa, como se fosse uma armadilha. Pois ele cairá sobre todos no mundo inteiro. Portanto, fiquem vigiando e orem sempre.  (cf. Lc 21,34-36) [texto atualizado no domingo, 2/12, às 22h]

O bispo, o rio e a seca

(a fome, a miséria... a greve de fome)

 

O bispo, de novo, em greve de fome!

 

Gestos proféticos não devem ser entendidos na hora.

A capacidade de combate não é a mesma do discernimento.

Dom Frei Luiz Antonio Cappio afirmou que nenhuma autoridade que lhe é superior (Nuncio Apóstolico, CNBB ou o seu Arcebispo) concordou com o seu gesto. Eu também não concordo. A CNBB em nota admitiu que a questão é tão delicada que mesmo em seu interior não há consenso.

 

Seria uma “briga” de miseráveis? Pobres contra pobres! Uns de cá. Outros de lá. Uns não querem perder. Outros não querem deixar de ganhar. Pois vêem na transposição do Rio São Francisco a possibilidade de “o sertão virar mar”.

 

Oremos todos pelos implicados nessa história. O governo federal e os governos locais. Os pobres com o rio e os sem o rio. O bispo e as outras autoridades que tentam encontrar saídas para o impasse.

26/11/2007 - 14h31

Internet é "grande inimiga da família", diz presidente da OMF

da Folha Online

A presidente da OMF (Organização Mundial da Família), a brasileira Deisi Kusztra, disse nesta segunda-feira que a internet é a "grande inimiga" da família na Europa e países desenvolvidos. Segundo ela, juntamente com a globalização, a tecnologia estaria fazendo com piorasse a situação das famílias no mundo.

“Antes dizíamos que era a televisão, mas hoje é a internet que afeta negativamente as famílias e cria muitos problemas, sobretudo entre as crianças”, disse Kusztra, que participou hoje da abertura do IV Congresso da OMF, em Varsóvia, na Polônia.

“Pornografia, pedofilia, drogas, crimes, maus hábitos, tudo isso pode chegar às crianças por meio da rede e isso traz muitos problemas”, afirmou Kusztra, que espera que o congresso na Polônia possa desenvolver uma estratégia concreta para enfrentar esses problemas.

Kusztra é uma das pioneiras no Brasil na luta pelos direitos familiares e a primeira pessoa não-européia a assumir a presidência da instituição, criada em 1947 com o objetivo de reunificar e cuidar das famílias separadas pela 2a Guerra Mundial. Hoje, o órgão engloba quase 140 países. [Com informações da agência Efe]

...

Mandamentos da Serenidade

 

[pôr-de-sol às margens do Rio Paraná... outro dia, perto de casa]

 

 

Só por hoje
tratarei de viver exclusivamente este meu dia,
sem querer resolver o problema de minha vida,
todo de uma vez.

 

Só por hoje
terei o máximo de cuidado
com o modo de tratar os outros:
serei delicado nas minhas maneiras,
não criticarei ninguém,
não pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém
senão a mim mesmo.

 

Só por hoje
me sentirei feliz com a certeza
de ter sido criado para ser feliz
,
não só no outro mundo, mas também neste.

 

Só por hoje
me adaptarei às circunstâncias,
sem pretender que as circunstâncias
se adaptem todas aos meus desejos.

 

Só por hoje
dedicarei dez minutos do meu tempo
a uma boa leitura
, pois,
assim como é preciso comer
para sustentar o meu corpo,
assim também a leitura é necessária
para alimentar a minha alma.

 

Só por hoje
praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém.

 

Só por hoje
farei uma coisa de que não gosto
e, se for ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

 

Só por hoje
farei um programa bem completo de meu dia.
Talvez não o execute perfeitamente,
mas em todo o caso, vou fazê-lo.
E evitarei dois males: a pressa e a indecisão.

 

Só por hoje
serei bem firme na fé
de que Divina Providência se ocupa de mim,
como se existisse somente eu no mundo,
ainda que as circunstâncias manifestem
o contrário.

 

Só por hoje
não terei medo de nada.
Em particular, não terei medo de crer na bondade.

 

 

Papa João XXIII

 

Da arte de viver...

Viva no presente

 

“Quando nos acomete o desespero, isto se deve normalmente ao fato de pensarmos demais no passado e no futuro”. Portanto, segundo Sta. Teresa de Lisieux, o desespero provém do fato de pensarmos demais no passado e no futuro. Quando remoemos continuamente as feridas do passado, levanta-se em nós possivelmente um desespero por causa do abandono que experimentamos como criança, por causa das cobranças excessivas, das ofensas e humilhações.

 

Não devemos reprimir o passado. Mas pode haver um excesso ocupação com as feridas passadas. Também pouco adianta pensar continuamente no futuro: Como será ele? Darei conta de suas exigências? Ficarei doente, terei câncer? Meu cônjuge será fiel como eu? Será que a comunidade poderá me sustentar? Todas essas conjecturas sobre o futuro podem levar-me ao desespero. Duvido que o futuro seja bom. Eu me pinto tudo difícil. Sobra então não só a dúvida, mas o desespero, a desesperança total.

 

A única maneira de escapar do desespero consiste em viver no presente. Se eu disser sim ao momento atual, ao que existe agora, então não quebro a cabeça com o passado e o futuro. O momento atual é curto. Ele é exatamente o agora. Quando me ocupo com este momento e estou todo no presente, o desespero não encontra espaço para infiltrar-se. Estou totalmente no presente. Não estou dividido, não sou “duplo”, mas um só. E quem é um só consigo e com o momento atual está imune à dúvida e ao desespero.

 

Esses dias têm sido especialmente decisivos em minha vida. Ser-para-todos o tempo inteiro? Ser-para-mim o tempo inteiro? Vida preservada é vida perdida! Vida doada é vida encontrada. Pelo menos, foi Jesus quem disse. E eu insisto acreditar nas palavras do Meu Mestre! Estar com a cabeça, o coração e tudo mais onde meu corpo está. Eis o desafio! Ser gente e ser padre. Fazer da minha a vontade de Deus. Deixar-me conduzir por aquele que me conhece desde sempre, por isso, me amou e me chamou... avançar para as águas profundas, sem temer como o fez Pedro que quase sucumbiu às águas.

 

Não sei ao certo se receio sucumbir às águas ou a mim mesmo. Na arte de viver, estou aprendendo agora lições fundamentais. Quiçá essenciais. Espero ser aprovado pela vida e ter o direito de continuar nessa sua escola.

 

 

[nessa foto, eu aos dois anos de idade, onde morava]

nossa felicidade depende em última análise de nós mesmos!”

 

·         Citado e baseado in Anselm Grün, O livro da Arte de Viver; Ed. Vozes.

"."

Imaturidade e narcisismo do amor

 

“ (…) Os psicólogos usam palavras bem ásperas para a imaturidade e o narcisismo do amor em nossa sociedade mercadológica, na qual ele é reduzido a uma necessidade puramente egoísta que exige satisfação imediata ou manipula os outros de maneira mais ou menos inteligente a fim de obter o que deseja. Mas a pura verdade é esta: o amor não é uma questão de se obter o que se deseja. Muito pelo contrário. A insistência em sempre ter o que se deseja, em sempre obter satisfação, em sempre ser saciado, torna o amor impossível. Para amar, você precisa sair do berço, onde tudo é ‘obter’, e crescer para a maturidade da doação, sem se preocupar em obter alguma coisa especial em troca. O amor não é uma transação, é um sacrifício. Não é marketing, é uma forma de culto.

Na realidade, o amor é uma força positiva, um poder espiritual transcendente. É, de fato, o poder criativo mais profundo na natureza humana. Enraizado nas riquezas biológicas de nossa herança, o amor floresce espiritualmente como liberdade e como resposta da criatura à vida num encontro perfeito com uma outra pessoa. É uma apreciação viva da vida como valor e como dom. Responde à fecundidade, à variedade e à total riqueza da própria experiência viva; ele ‘conhece’ o mistério interior da vida. Deleita-se com a vida como uma fortuna inesgotável. O amor aprecia essa fortuna de uma maneira impossível ao conhecimento. O amor tem a sua própria sabedoria, sua própria ciência, sua própria maneira de explorar as profundezas interiores da vida no mistério da pessoa amada. O amor sabe, compreende e satisfaz as exigências da vida, na medida em que responde com calor, abandono e entrega.”

Love and Living, de Thomas Merton - Editado por Naomi Burton Stone e Patrick Hart, OCSO (Farrar, Straus and Giroux, New York) 1979, p. 30-31 No Brasil: Amor e Vida, (Martins Fontes Editora, São Paulo), 2004. p. 35-36 / Reflexão da semana de 28-10-2007


Um pensamento para reflexão: “O amor é o nosso verdadeiro destino. Não encontramos o sentido da vida sozinhos ­— nós o encontramos com um outro. Não descobrimos o segredo de nossas vidas apenas pelo estudo e pelo cálculo em nossas meditações isoladas. O sentido de nossa vida é um segredo que nos tem de ser revelado no amor, por aquele que amamos.” / Amor e Vida, Thomas Merton

 

FHC versus LULA

 

Eis a notícia:

Ontem, FHC não poupou críticas ao governo Lula nem ao petista. Ele ironizou de forma indireta a baixa escolaridade de Lula ao rebater as acusações de que o PSDB é um partido de elite. “Aqui [no PSDB] há acadêmicos, e não temos vergonha disso. [...] Faremos o possível e o impossível para que saibam falar bem a nossa língua. É por isso que em Minas Gerais o ensino passou para nove anos, e não quatro. Queremos brasileiros bem-educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria”, disse FHC no encerramento do 3º congresso do PSDB, em Brasília. O ex-presidente disse que uma "elitezinha apressada se abotoou no poder", numa referência direta ao PT. "Somos gente que estuda e trabalha. Trabalha e estuda."

Meu comentário:

Espontaneamente penso nas pessoas simples e sem a tal cultura dos livros na cabeça. Dentre estas, a primeira, é o meu pai. Ele já falecido, administrou a própria vida e a nossa casa. Ele nos mostrou o valor de se estudar e por isso lutou arduamente. Meu pai, por não ter estudos livrescos, não desprezou a “educação”. Vejo alguns discursos de intelectuais muito mal-educados. Pois, com belas palavras, ofendem e destroem o outro.

Para o caso em questão, FHC é enciumado de que um “nordestino torneiro mecânico de língua presa e faltando um dedo numa das mãos” possa conduzir o governo do país que ele também governou e não logrou tantos êxitos quanto o de agora.

FHC é um bom intelectual. Talvez não tão bom vivente. Do seu trono de arrogância sinaliza que pobre e sem escola nada vale. Meu pai, sem escola e pobre, me ensinou que a escola é fundamental, mas que a virtude é essencial!!! A virtude do FHC como sempre se falou é a do "Príncipe" de Maquiavel. Aquele que lança mão de todo e qualquer artifício para não deixar passar a oportunidade de se manter firme no poder.

Sem mais, fica a minha prece pela conversão dos que nos governam e pela palavra sábia e na hora boa daqueles que não estão mais na condução do barco. Saber falar quando preciso e silenciar quando necessário: eis a sabedoria urgida nesta hora.

 

Piada

Pesquisando em meus arquivos antigos, encontrei essa piada (do ano 2002). Espero que lhe faça rir e refletir.

 

E Deus criou o burro e lhe disse:

- Serás burro. Trabalharás incansavelmente de Sol a Sol, carregarás alforje nas costas, comerás pasto, não terás inteligência e viverás 30 anos.

O burro respondeu:

- Farei tudo isso, porém viver 30 anos é demais; dê-me somente dez anos. E assim fez Deus... Depois, Deus criou o cachorro e lhe disse:

- Serás um cachorro, cuidarás da casa dos homens, serás o seu melhor amigo, comerás a comida que te derem e viverás 20 anos.

O cachorro respondeu:

- Farei tudo isso, porém viver 20 anos é demais; dê-me somente dez anos. E assim fez Deus... Em seguida, Deus criou o macaco e lhe disse:

- Serás um macaco, saltarás de uma copa para outra nas arvores fazendo palhaçadas simpáticas. Serás divertido e viverás 20 anos.

O macaco respondeu:

- Farei tudo isso, porém, viver 20 anos é demais; dê-me somente dez anos. E assim fez Deus... Finalmente, Deus criou o homem e lhe disse:

- Serás um homem, o único ser racional da Terra, usarás tua inteligência para subjugar os demais animais da natureza, dominarás o mundo e viverás 30 anos.

O homem respondeu:

- Serei o mais inteligente dos animais e dominarei o mundo, porém, viver 30 anos é pouco. Senhor, dá-me os 20 anos que recusou o burro, os dez do cachorro e os dez do macaco. E assim fez Deus.

 

E O RESULTADO DE TUDO ISTO SEGUE EM ANALISE RÁPIDA.

 

Por isso o homem vive 30 anos como homem, se casa e passa a viver 20 anos como burro: trabalhando de Sol a Sol e carregando tudo sobre os seus ombros. Depois se aposenta e passa a viver dez anos como cachorro, cuidando da casa e comendo o que lhe dão e, então, fica velho e vive por mais dez anos como um macaco: saltando da casa de um filho a casa de outro e fazendo palhaçadas para divertir os seus netos. Esta é a realidade da vida...

 

Que coisa hein!!!

 

XXXIV Domingo do tempo ordinário [C]

Leituras: 2 Samuel 5, 1-3; Colossenses 1, 12-20; Lucas 23, 35-43


Jesus Cristo, Rei do universo e dos corações


A solenidade de Cristo Rei, quanto à sua instituição, é muito recente. Foi estabelecida pelo Papa Pio XI em 1925, em resposta aos regimes políticos ateus e totalitários que negavam os diretos de Deus e da Igreja. O clima em que nasceu a solenidade é, por exemplo, o da revolução mexicana, quando muitos cristãos enfrentaram a morte gritando até o último suspiro: «Viva Cristo Rei». Mas, se a instituição da festa é recente, não é assim seu conteúdo e seu ideal, que é antiga e nasce, pode-se dizer, com o cristianismo. A frase «Cristo reina» tem seu equivalente na profissão de fé «Jesus é o Senhor», que ocupa um lugar central na pregação dos apóstolos.


A passagem evangélica é a da morte de Cristo, porque é nesse momento quando Cristo começa a reinar no mundo. A cruz é o trono desse rei. «Havia acima dele uma inscrição: ‘Este é o Rei dos judeus’». Aquele que nas intenções dos inimigos devia ser a justificação de sua condenação era, aos olhos do Pai celestial, a proclamação de sua soberania universal.


Para descobrir como a aproximação desta festa nos toca, basta recordar uma distinção simplíssima. Existem dois universos, dois mundos ou cosmos: o macrocosmo, que é o universo grande e exterior a nós, e o microcosmo, ou pequeno universo, que é cada homem. A própria liturgia, na reforma que seguiu o Concílio Vaticano II, sentiu a necessidade de mudar o acento da festa, enfatizando seu aspecto humano e espiritual, mais que o – por assim dizer – político. A oração da solenidade já não pede, como fazia antes, que «se conceda a todas as famílias do mundo submeter-se à doce autoridade de Cristo», mas, que «toda criatura, livre da escravidão do pecado, sirva à vossa majestade e vos glorifique eternamente».


No momento da morte de Cristo, lê-se na passagem evangélica – recordemos –, pendia sobre sua cabeça a inscrição «Jesus é o Rei dos judeus»; os presentes o desafiavam a mostrar abertamente sua realeza e muitos, também entre os amigos; esperavam uma demonstração espetacular de sua realeza. Mas Ele escolheu mostrar sua realeza preocupando-se por um homem solitário e malfeitor: «Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino. Respondeu-lhe: ‘Em verdade te digo, hoje mesmo estarás comigo no paraíso’».


Nesta perspectiva, a pergunta importante que devemos fazer na solenidade de Cristo Rei não é se Ele reina ou não no mundo, mas se reina ou não dentro de mim; não se sua realeza está reconhecida pelos Estados e pelos governos, mas, se é reconhecida e vivida por mim. Cristo é Rei e Senhor da minha vida? Quem reina dentro de mim, quem fixa os objetivos e estabelece as prioridades: Cristo ou algum outro? Segundo São Paulo, existem duas formas possíveis de viver: ou para si mesmo ou para o Senhor (Rm 14, 7-9). Viver «para si mesmo» significa viver como quem tem em si mesmo o próprio princípio e próprio fim; indica uma existência fechada em si mesma, orientada somente pela própria satisfação e glória, sem perspectiva alguma de eternidade. Viver «para o Senhor», ao contrário, significa viver por Ele, isto é, por e para sua glória, por e para seu reino.


Trata-se verdadeiramente de uma nova existência, frente à qual a morte perdeu seu caráter irreparável. A contradição máxima que o homem experimenta desde sempre – aquela entre a vida e a morte – foi superada. A contradição mais radical já não é aquela entre «viver» e «morrer», mas, entre viver «para si mesmo» e viver «para o Senhor». [Pe. Raniero Cantalamessa, Pregador do Papa]

Oração da purificação interior

Senhor, Deus, destruí e anulai em nós a iniqüidade. Exorcizai o mal que nos domina e nos conduz ao desespero. Purificai-nos e ponde em nossa boca e em nossos corações pensamentos de bondade, de otimismo, de confiança no poder do vosso amor e da vossa misericórdia. Fazei nascer em nós desejos de justiça, zelo pela verdade, atos de solicitude humana, para podermos agir retamente, amando nossos semelhantes e neles buscando a comunhão convosco. Dai-nos compreender a vossa mensagem e celebrar com a vida a grandeza do vosso amor. Dai-nos a memória do que realizais em nós, assim possamos cantar um eterno canto de louvor. Dai-nos a ternura e a compaixão para nossos sentimentos não se brutalizarem. Dai-nos um coração puro e que vos busque sem cessar, pois diante de vós os poderosos são rebaixados; o fraco e o humilhado são elevados. Dai-nos a fé, que faz ouvir a vossa voz nos chamando pelo nome, mandando-nos prosseguir sem medo ou hesitação: Não tenhas medo. Eu estou contigo. Daqui, do mais íntimo que o teu íntimo, quero te iluminar. Tem um coração humilde e pronto à conversão. Dá-nos tudo aquilo que sabeis ser útil à nossa vida e à de nossos semelhantes. [Ave-Maria]

Dizia São Columbano aos seus monges:

“Homem, como tu és miserável. O que tu deves odiar, tu amas; e o que deves amar, tu o ignoras. Em ti, tens o que te entrava; em ti não tens o que te libertar. Tens dois olhos e te deixas levar cegamente: tu consentes que te levem à morte” (Rohrbacher, op. cit. p. 182).

 

São Columbano [c. 540 - abade - Columbano quer dizer pombo e lembra a paz] – personalidade forte, intransigente no zelo da fé, denunciador de escândalos dos poderosos, sua vida foi uma peregrinação constante. E por onde passava deixava a marca de sua passagem nos mosteiros que fundava. Morreu em Bobbio, Lombardia, Itália, longe da terra natal.

Dia de Ação de Graças

 

Hoje é dia de ação de graças.

Dai graças ao Senhor porque Ele é bom. Eterna é a sua misericórdia. Seu amor é sem fim!

Deus nos concede um novo dia. Nele são renovadas as nossas esperanças. A vida flui e podemos perceber em cada “vão momento” a presença de Deus na beleza da criação. E até mesmo quando tudo parece feio e perdido, podemos ver Deus presente, ignorado pelos homens e “atado”, pois não se contradiz. Ele respeita a liberdade da criatura. Mesmo que troquemos o criador pela sua obra. O criador fica a espera.

[- segue um texto levemente alterado de sua fonte.]

 

A origem da comemoração do dia de ação de graças remonta há milhares de anos, quando povos antigos se reuniam para festejar a colheita de seus cereais, base de sua alimentação e subsistência. Porém, tomou incremento, nos tempos modernos, quando um grupo de protestantes, em 1620, abandonou a Inglaterra devido às perseguições religiosas rumo a América, a Plymouth, Massachusetts. Eram 102 pessoas que viajaram no navio Mayflowers e eram chamados “os puritanos”.

 

Vindos para uma terra estranha e selvagem, muito sofreram pelas intempéries e pela falta de experiência no cultivo da terra. Tinham ainda que construir suas casas antes da chegada do inverno. Muito os ajudaram os índios americanos, que lhes ensinaram a lavrar a terra, a plantar e a caçar.

 

Antes da primeira colheita, metade dos peregrinos morreu por causa das doenças e de outras causas. No ano seguinte, 1621, na época de colher os frutos da terra, ficaram maravilhados com a fartura. Depois da colheita reuniram-se para comemorar e agradecer a Deus por aquela bênção e pela terra que haviam escolhido para sua pátria. O presidente George Washington fez uma proclamação a favor da festividade ficando escolhida a última quinta-feira de novembro para expressar a gratidão nacional.

 

No ano de 1909, Joaquim Nabuco, embaixador do Brasil nos Estados Unidos assistiu o culto de ação de graças e impressionado declarou: “Quisera que toda a humanidade se unisse, num mesmo dia, para um universal agradecimento a Deus”. Mas foi o presidente Eurico Gaspar Dutra que institui o Dia Nacional de Ação e Graças, em 17 de agosto de 1949, cuja lei n 781 foi regulamentada a 19 de novembro de 1965 pelo, então presidente, Castelo Branco. Ficou assim oficializada a quarta quinta-feira do mês de novembro para a comemoração em todo o território nacional.

 

O Dia Nacional de Ação de Graças é um momento especial para agradecer por todas as maravilhas que nos cercam (Ts 5,16-18), pela grande dádiva da vida, pela grandiosidade da criação e evolução do universo, pelas belezas da natureza, por todos os talentos e dons feitos a humanidade (Sl 117). Dia em que todos devem fazer uma pausa em seus afazeres, independente da fé ou crenças, e refletir, agradecer a Deus por todos os bens recebidos: a saúde, o amor, a pátria, o trabalho, a família, pelo conforto e auxílio nas dificuldades e provações cotidianas, e através de sua espiritualidade própria e peculiar dar graças.

 

Acompanhar a atitude de todos os povos que no decorrer da história demonstram reconhecer a bondade de Deus e com hinos e cantos, orações e contemplação, dar-se conta de sua presença e atuação em nossas vidas, interagindo conosco e mostrando-se sempre carinhoso, revelando que tudo provém e manifesta seu infinito amor.

 

[fonte: Silvio Luiz Wolitz de Almeida Jr. - Agente de Pastoral e estudante de teologia da PUCRS, professor de ERE e Biólogo.]

Interessante...  «Para quem navega sem destino, nenhum vento é favorável».

Confissões

Os padres da Terceira Região Pastoral da Diocese de Presidente Prudente (formada pelos municípios de Santo Anastácio, Ribeirão dos Índios, Piquerobi, Pres. Venceslau, Caiuá e Pres. Epitácio) iniciamos a temporada de atendimento às Confissões dos fiéis em preparação ao Santo Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A confissão auricular é meio ordinário pelo qual a Igreja concede o perdão dos pecados cometidos pelos fiéis católicos após o batismo (pois foi o que ela recebeu do Senhor e o transmite fielmente de geração em geração). Depois de soprar o Espírito Santo sobre os apóstolos e enviar-lhes pelo mundo para pregar o evangelho, disse ainda o Senhor: “O que ligares na terra, será ligado no céu. O que desligares na terra, será desligado no céu”... “os pecados que vocês perdoarem serão perdoados, os pecados que vocês não perdoarem não serão perdoados”.

Por isso, somos chamados a fazer o exame de nossa consciência. Partindo do evangelho e dos mandamentos da Lei do Senhor (aqueles 10 mandamentos famosos! Lembra-se?). Tudo o que for contrário a eles e ao AMOR será tido como pecado (erro da meta! Decisão livre por aquilo que é mau e pode causar maior mal entre a comunidade dos fiéis e todo o mundo).

Entre a humilhação diante de Deus (que seja do sacerdote!) e a humilhação diante do pecado, escolha humilhar-se diante de Deus. Ele liberta dos pesados fardos! Ele ergue o caído! Ele tira o “pobrezinho” do lixo e o faz sentar-se à mesa dos nobres. Humilhe-se sob a poderosa e amorosa mão de Deus, manifestada no gesto sacramental da Igreja através do sacerdote.

Em nome de Cristo rogamos, reconciliai-vos com Deus!

“Que que cê ta comendo vó?”

 

Caia a tarde. A comunidade se achegava ao local combinado. Tudo agradável. Temperatura amena, poucos besouros e aquela sensação familiar num local desprovido de riquezas e dos progressos humanos. Missa na roça sempre tem dessas coisas. Ali no centro da agrovila algumas famílias (homens, mulheres, crianças... e cachorros!!!) reunidas para a missa.

 

Um menininho (três ou quatro anos de idade) fazia questão de atiçar um pequeno cachorro. Alheio ao que se passava, ele provocava e se deixava perseguir pelo cãozinho bravo. Corria, com gritos de alegria desafiadora, entre as pessoas e o altar – uma mesa improvisada, com toalha de mesa florida, uma vela acesa dificultada pelo vento soprando generosamente, um arranjo de flores mortas.

 

Argh!!! Em plena zona rural, na primavera, com árvores floridas e outras flores desabrochadas nos jardins e, ainda mais, nestes de dias de chuva, ser obrigado a ver no altar da missa um arranjo de flores industrializadas.

 

Perdemos a capacidade de cultivar jardins. Não temos paciência para preparar a terra, semear a semente, regar a pequena planta e cuidar da indefesa vida... Compramos tudo pronto nas lojas!

 

Quando se repete a cena, espontaneamente me lembro daquele pastor neopentecostal (dessas novas igrejas que surgem a cada dia) que sugeria com convicção e simplicidade usar flores artificiais no evento ecumênico promovido pela escola e pelas igrejas. Para ele, “elas são mais bonitas que as naturais”!

 

Santo Deus dos céus!!! Trocar a vida e a obra do Criador pela “morte” e a obra da criatura. Abala-me mais o fato dessa escolha vir de um discípulo e pregador da Palavra cuja centralidade é a Vida em Abundância (salvação e eternidade).

 

Na hora da comunhão, o menino concentrador de atenções pelas estripulias que fazia, se acalmou e juntou-se à sua avó na fila. Não pediu pra receber nem sequer chorou, mas perguntou com desejo de compreensão: “Que que cê ta comendo vó?”. Confesso, não ouvi a resposta da avó. De soslaio, vi apenas que pediu a ele silêncio, pois aquele momento tão sublime demandava grande compenetração.

 

Depreende-se daí algumas coisas, como: O desejo sincero das crianças por saber das coisas e por desvendar os mistérios da vida; A necessidade de não privar as crianças desses encontros, visto que neles, elas vão assimilando gestos, comportamentos e atitudes; vão despertando para o gosto de se reunir e celebrar/rezar junto; A necessidade dos adultos saberem dar boas e suficientes explicações para aquilo que fazem (sem muitas vezes, sequer se questionarem); A necessidade de escutar as crianças nas suas pequenas e difíceis perguntas.

 

Quando você vai a Igreja e entra na fila da comunhão, “o que você come?” Um pedaço de pão sem cara de pão? Um biscoitinho branco com gosto de farinha? O Corpo do Senhor que lhe indica o caminho da comunhão como caminho de vida e ressurreição; Daquele que nos disse: “O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,51)? Ou prefere comer dos pães dos homens que saciam por pouco tempo a fome que logo retornará?

 

Pela vida, sempre!

 

 

 

 

 

 

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. Paroquial de Caiuá e de Piquerobi

Blog “Tudo tem seu tempo” http://sandrogerio.zip.net

 

Caiuá/SP, 8/11/2007

[ps - alguns comentários foram feitos através de e-mail. Vou publicá-los aleatoriamente, pois faz tempo que escrevi este texto e aproveitei alguns comentários e sugestões para melhorá-lo. Espero tenha alcançado tal objetivo.]

 

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O momento presente e as virtudes cristãs

“O que fazer para viver todas essas virtudes no nosso dia a dia? Talvez possa parecer difícil colocá-las em prática, uma por uma. Então, por que não viver o momento presente com o radicalismo do amor? Se alguém vive o presente na vontade de Deus, Deus vive nele; e se Deis está nele, nele está a caridade...” (Chiara Lubich, palavra de vida, agosto 2007)

O poder das palavras

Queria falar para você o poder da palavra.
Há palavra do amor, que no cotidiano nos exercitamos. Há palavras de amor como: 'seja bem vindo', 'estava com saudade', 'te amo tanto', 'que bom que você está aqui'... São pequenas palavras de amor, mas que tem um poder de fazer as pessoas melhores.
Palavra de amor na relação entre pais e filhos, como os jovens e criança estão carentes de palavra de amor, os filhos aprendem com os pais as palavras de amor, com a pessoa que trabalhava em casa, com gentileza.
''Faça-se a luz e a luz foi feita'' esta é uma palavra de amor. A palavra tem o poder de fazer uma pessoa acreditar nela mesma, as faz recuperar a alegria.
Há também palavra de desamor. A palavra pode ser um veneno que venha trazer a maldição para vida das pessoas. Esta palavra que tem poder quando usado pelo amor também destrói quando é usada com desamor, dizemos coisas que destroem as pessoas. Há palavras de desamor como: 'você não', 'você não serve para nada', 'não te perdôo', 'eu te odeio'...
O desafio é encher-se de palavra de amor e levar para os lugares que você vive, como o trabalho. Todos os dias você tem o poder de destruir e construir as pessoas.
Outro tipo de palavra é a palavra de indiferença, que não é nem palavra de amor e nem desamor. Às vezes você trabalha em um consultório medico as pessoas chegam preocupadas e você é indiferente. Cristão não pode ser indiferente! Este é o mal do século, porque as pessoas estão transformando tudo em 'eu', tudo é para mim...
Não existe filho de Deus de segunda categoria; você é filho de Deus de primeira categoria! Você não é pequeno, nem incapaz, mesmo que pessoas tenham dito palavras de desamor para você.
Todos nós somos carentes, e não precisamos de palavras de desamor, precisamos é de palavras de amor.
Dentro de nós às vezes há uma grande tempestade, mas do meio desta vem Jesus nos falar palavras de amor. Deus nos cerca com palavra de amor.
Não use palavras de desamor e de indiferença.
Permita ser um espelho de amor, transborde amor, com gestos e palavras, mas para isso você precisa sentir o amor maior que é o amor de Deus.
Falando sobre o poder da palavra, pegando este mesmo conceito palavra de amor, de desamor e de indiferença, um grego diz que devemos pensar em quatro palavras antes dizer algo, elas são:
. Credibilidade: se eu for um mentiroso as pessoas não vão acreditar em mim. Nós não devemos mentir para ter credibilidade. A outra palavra é:

. Fragilidade: quando uso palavras de amor para chegar ao ponto fraco do outro. Todos nós temos um ponto fraco, ou seja, o nosso lugar frágil, jamais podemos fazer do ponto fraco do outro motivo de humilhação, pois tudo que humilha o outro não edifica.

. Razão: é se preparar para levar a palavra, ter discernimento para saber o que a pessoa precisa ouvir. Pense um pouco na palavra de desamor que você profere: 'não gosto de gente assim', 'você não me agrada', 'sai daqui', 'eu te odeio'...

Hoje peça aos anjos para retirar de você todas estas palavras, e tome mais cuidado com suas palavras.
(fonte: Gabriel Chalita)

Todos carregamos alguma cruz nas costas ou no coração. E toda cruz, por menor que seja, é onerosa. Ela pode ser vivida como tribulação ou como libertação. Depende de como a encaramos e a assumimos”.

 

A cruz nossa de cada dia...

Não precisa ser pedida,

Não precisa ser buscada.

Ela vem. Ela se instala.

Faz sofrer. Faz morrer.

Inadiável. Inexorável.

A cruz nossa de cada dia...

Faz pensar, buscar sentido.

Expande a consciência,

Convoca a esperança,

Conduz ao crescimento.

Faz viver.

A cruz nossa de cada dia...

Fonte de vida e de ressurreição.

XXXIII Domingo do Tempo Comum [C]

Leituras: Malaquias 3, 19-20a; 2 Tessalonicenses 3, 7-12; Lucas 21, 5-19

Quem não quer trabalhar, também não deve comer

O Evangelho deste domingo faz parte dos famosos discursos sobre o fim do mundo, característicos dos últimos domingos do ano litúrgico. Para que em uma das primeiras comunidades cristãs, a de Tessalônica, havia crentes que tiravam desses discursos de Cristo uma conclusão errônea: é inútil agitar-se, trabalhar e produzir, já que tudo está a ponto de acabar; é melhor viver cada dia, sem assumir compromissos no longo prazo, talvez vivendo um pouco de brisa.

A estes, São Paulo responde na segunda leitura: «Ora, ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada. Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam na tranqüilidade o seu próprio pão». No começo da passagem, São Paulo lembra a regra dada aos cristãos de Tessalônica: «Quem não quer trabalhar, também não deve comer».

Esta era uma novidade para os homens da época. A cultura à qual pertenciam desprezava o trabalho manual; consideravam-no degradante para a pessoa, como se fosse exclusivo de escravos e incultos. Mas a Bíblia tem uma visão diferente. Desde a primeira página, ela apresenta Deus que trabalha durante seis dias e descansa no sétimo. Tudo isso, ainda antes que se fale do pecado na Bíblia. O trabalho faz parte, portanto, da natureza originária do homem, não da culpa nem do castigo. O trabalho manual é tão digno como o intelectual e o espiritual. O próprio Jesus dedicou vinte anos ao primeiro (supondo que tenha começado a trabalhar por volta dos 13 anos) e somente dois anos ao segundo.

Um leigo escreveu: «Que sentido e que valor tem nosso trabalho de leigos diante de Deus? É verdade que nós, leigos, nos dedicamos também a muitas obras de bem (caridade, apostolado, voluntariado); mas a maior parte do tempo e das energias da nossa vida é dedicada ao trabalho. Assim, se o trabalho não vale para o céu, teremos bem pouco para a eternidade. Todas as pessoas às quais perguntamos sobre isso não souberam nos dar respostas satisfatórias. Elas nos dizem: ‘Ofereçam tudo a Deus!’. Mas isso é suficiente?».

Respondo: Não, o trabalho não vale somente pela «boa intenção» que temos ao realizá-lo, ou pelo oferecimento que se faz dele a Deus pela manhã; vale também por si mesmo, como participação da obra criadora e redentora de Deus e como serviço aos irmãos. É através do trabalho humano – diz um texto do Concílio – «que o homem sustenta de ordinário a própria vida e a dos seus; por meio dele se une e serve aos seus irmãos, pode exercitar uma caridade autêntica e colaborar no acabamento da criação divina. Mais ainda: sabemos que, oferecendo a Deus o seu trabalho, o homem se associa à obra redentora de Cristo» (Gaudium et spes, 67).

Não importa tanto que trabalho a pessoa realiza, mas como o realiza. Isso restabelece certa igualdade, deixando de lado todas as diferenças (às vezes injustas e escandalosas) de categoria e remuneração. Uma pessoa que desempenhou tarefas muito humildes pode «valer» muito mais que quem ocupou cargos de grande prestígio.

O trabalho, como foi dito, é participação na ação criadora de Deus e na ação redentora de Cristo, e é fonte de crescimento pessoal e social, mas também, sabemos, é fadiga, suor, dor. Pode enobrecer, mas igualmente pode esvaziar e consumir. O segredo é colocar o coração no que as mãos fazem. O que cansa não é tanto a quantidade ou o tipo de trabalho que se faz, mas a falta de entusiasmo ou de motivação. Às motivações terrenas do trabalho, a fé acrescenta uma eterna: nossas obras, diz o Apocalipse, nos acompanharão (Ap 14,13). [fonte: Pe. Raniero Cantalamessa]

 

Vá à missa! Domingo sem missa é semana sem Graça, sem alegria nem paz!!!

Imagem

 

A beleza está para além das novidades. Um trator velho. Parado e sem a função primária de produzir. Perdido ou inserido na paisagem!? Uma beleza retirada do lixo. Deus é belo em todas as criaturas e nos dá olhos capazes de percebê-lo nas coisas cujas funções produtivas se extinguiram. Pensemos na vida humana. O nosso valor está naquilo que fazemos e produzimos ou naquilo que somos?

Oração

... do amor que tudo envolve

 

Deus, nosso Pai, sois o Amor que a tudo envolve recriando a vida em contínuos renascimentos. Quando tudo declina e fragiliza, vós ali estais com a vossa presença que restaura e vivifica nossos corações.

Porque estais conosco, nosso interior é curado e se fortalece em paz duradoura.

Porque estais conosco, o medo que nos impede de agir com justiça e retidão se desvanece.

Porque estais conosco, o perdão supera o ódio e a vingança.

Porque estais conosco, desfaz-se a tristeza que turva a mente e cega o coração.

Porque estais conosco, rompe-se o orgulho que nos afasta de vós e dos irmãos.

Porque estais conosco, nossa esperança é resgatada e são dignificadas nossas ações.

Porque estais conosco, a vida sem sentido retoma sua direção.

Porque estais conosco, caminhamos sem vacilar buscando-vos sem cessar.

Senhor, porque eterna é a vossa bondade, eu vos peço hoje: “completai a obra que em cada um de nós começastes. Conservai a nossa vida em meio às adversidades. Não abandoneis a obra de vossas mãos” (Salmo 137, 7s). (Revista Ave-Maria na Internet)

Memórias de um Menino-Soldado

Discurso na Onu (ano 1996)

“Sou de Serra Leoa, e o problema que afeta a nós, crianças, é que a guerra nos força a fugir de nossas casas, a perder nossas famílias e a vagar sem rumo pelas florestas. O resultado disso é que acabamos envolvidos no conflito como soldados, transportando cargas e fazendo muitas outras tarefas difíceis. Tudo por causa da fome, da perda das nossas famílias e da necessidade de nos sentirmos seguros e parte de alguma coisa, quando tudo mais está destruído. Entrei para o exército, na verdade, por causa do assassinato da minha família. Eu também tinha que conseguir comida para sobreviver, e o único jeito era fazer parte de um pelotão. Não era fácil ser soldado, mas tínhamos que fazer aquilo. Estou reabilitado agora, então não tenham medo de mim. Não sou mais um soldado; sou uma criança. Somos todos irmãos e irmãs. O que eu aprendi com minhas experiências é que a vingança não é boa. Entrei para o exército para vingar as mortes da minha família e para sobreviver, mas aprendi que, se vou me vingar, durante o processo vou matar outra pessoa que tem uma família, que também vai querer se vingar; e se vingar, se vingar, se vingar, até que a vingança nunca chegue ao fim...”.

·        ISHMAEL BEAH. Muito Longe de Casa – Memórias de um Menino-Soldado. p. 193.

...

A nossa falta de tempo no TEMPO

São tantas as coisas por resolver. Trabalhos a encaminhar. Idéias, pautas, atendimentos, reuniões, pagamentos, pregações, estrada, estrada, estrada... Antes não se tinha tanto conforto e, por isso, arriscava-se menos nas viagens. Hoje, por causa dos meios de condução, arrisca-se demais. Passa-se tanto tempo da vida nas estradas sempre a procura de um lugar. Parece que só a morte nos sossegará! Jesus já nos havia alertado: "a cada dia basta o seu cuidado!" (Mt 6,34).

O ritmo da vida é intenso. Por vezes não há tempo suficiente para usufruir das conquistas do próprio trabalho. É preciso empenho para o daqui a pouco. Vive-se de expectativa em expectativa. [A própria idéia de “pílula do dia seguinte” nos leva a conclusão de que se não pensou ou não foi capaz de renunciar antes, exclua depois].

O corpo é amigo da vida. Ele logo grita que não se pode avançar no caminho sem antes parar, recuperar energias, serenar o interior... Daí decorre estresses, desencontros e os desencantos. Ocupa-se o lugar das máquinas. Mas não se tem peças reparadoras de máquinas humanas. A vida segue, mas a humanidade da vida, nem sempre.

Esperar o tempo da colheita tal como o agricultor que lança sua semente à terra e espera a sua transformação em nova planta não é agradável. Dar tempo ao tempo em nossos dias parece coisa de quem nada tem a fazer ou talvez daquele despreocupado de tudo (“deixa a vida me levar”).

Quanto custa a certeza de que a paciência tudo alcança. Quanto custa aprender a viver sob o signo do tempo. Fazer em cada momento opções totais e amadurecidas. Não se mover por impulsos ou repulsas.

Em minha mesa há acúmulo de trabalho. Em meu interior aquela sede de infinito me faz voltar ao essencial. Peço ao Senhor, dá-me sempre dessa sede. Dá-me sempre da sua água viva. Única que sacia a sede de realização e felicidade!

Deus nos dê também a graça da paciência. Faça de nós instrumentos da paz. O exemplo de São Francisco de Assis nos inspire a ser servidores de todos por amor a Deus, aos outros e a toda a criação, que, agora, grita socorro, pois quem recebeu a incumbência de zelar/cuidar a tem destruído sem contas nem medidas.

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. Paroquial de Caiuá e de Piquerobi

Blog “Tudo tem seu tempo” http://sandrogerio.zip.net

 

Imagens Inteligentes

Pe. Zezinho nos ajuda a refletir sobre as imagens dos Santos. Não é raro os católicos serem interrogados e criticados por usarem em sua devoção as imagens.

 

Eu não quebraria nenhuma imagem religiosa a não ser que visse alguém adorá-la. Aí eu o desafiaria. Se fosse propriedade dele eu respeitaria, deixando claro o meu ponto de vista, com respeito e serenidade.

Se fosse minha e percebesse que alguém teimasse em adorá-la, eu lhe daria um sumiço. Mas, se a imagem fosse inteligente, o escultor fosse inteligente e o fiel fosse inteligente, aquela imagem seria apenas o que toda a escultura e pintura é: Imagem de...

Sou inteligente e tenho no meu escritório umas três ou quatro pinturas ou imagens de Jesus, de Maria, de Francisco de Assis... Elas não são eles, mas me ajudam a pensar neles.

Quem dissesse que adoro imagens, estaria me caluniando. Eu tenho canivete e faca e não os uso para ferir os outros. Sou inteligente. Seria assassino quem os usasse erradamente.

Eu tenho pinturas e estátuas de gente santa e não as adoro. Se as adorasse seria idólatra. Sou católico, amo a Bíblia e uso imagens. A Bíblia me permite usá-las. Só me proíbe adorá-las.

Quem sai por aí pregando contra qualquer uso de imagens e joga os outros contra nós, católicos, é que precisa rever a sua honestidade. Na mesma Bíblia que ambos lemos está proibido e permitido fazer e ter imagens. Depende que imagem e o que fazemos com ela.

Aceito ser questionado porque encaro a fé com honestidade, mas exijo que meu adversário também seja honesto.

Deus não proibiu todas as imagens. Proibiu sim fazer imagens para adorar. Ele mesmo mandou fazer algumas como a serpente de bronze e os querubins de ouro da arca da aliança.

Tão errado, quanto ser idólatra, é ser sectário, mentiroso e desonesto. Se Deus permitiu fazer imagens desde que a gente não as adore, porque certos pregadores só falam das passagens que proíbem? E se mentem nisso, que garantia me dão de que não mentirão nas outras coisas?

Eu uso imagens e sei o que estou fazendo. Quem condena qualquer uso de imagem é que não sabe. No mínimo, não leu direito sua bíblia.

Pe. Zezinho, scj

 

PARA REFLETIR

1.º O que é “Ser Santo”?

2.º O que significa, para você, uma imagem?

3.º É correto usar imagens na vivência da religião? Por quê?

 

Subir quadrado ou descer redondo?

Sobretudo, para quem me considera sério demais... uma imagem que, como diz o senador Mão Santa (do Piauí), “vale por mais de mil palavras”.

“No último banco”

Edições Loyola lançam novo livro do Padre Jerônimo Gasques. Abaixo informações disponíveis na livraria virtual da editora.

AUTOR : GASQUES, PE.JERONIMO
EDITORA: EDICOES LOYOLA - SOC.ED.ASS.SOCIAL
ASSUNTO: ESPIRITUALIDADE
ISBN 13: 9788515033317 EDIÇÃO: NÚMERO DE PÁGINAS: 96

 

Resenha

O autor espera que seu livro possa despertar o desejo de sempre acolher bem as pessoas que se aproximam de nossas comunidades, pregando a necessidade todos serem bem acolhidos na igreja.

Ao voltar à igreja, uma pessoa deveria se sentir recepcionada, assim como o fora o “filho” no ultimo banco, dando lhe uma espécie de castigo, mas adiantou-se para recepcioná-lo , acolheu-o na mais digna recepção.

A maioria das pessoas que retornam à nossa Igreja não é notada. Nossa indiferença está matando a dinâmica da comunidade eclesial.

Parece que estamos pouco nos importando com aqueles que entram ou saem da Igreja.

A falta de uma equipe de pastoral da acolhida para recepcionar as pessoas que retornam  à  comunidade eclesial é sinal de que temos ainda um longo caminho a percorrer.

Em meio à necessidade de retomada de um novo  ardor missionário, o autor espera que seu livro possa despertar o desejo de sempre acolher bem as pessoas que se aproximam de nossa comunidade. 

Duas notícias

10/11/2007 - 16h13
Frei Betto compara governador do Rio a Hitler

Rio - O teólogo frei Betto criticou duramente o governador do Rio, Sérgio Cabral, e propôs que ele inaugure uma estátua de Adolf Hitler, líder nazista alemão. A sugestão foi feita em entrevista no 6º Encontro Nacional de Fé e Política, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, ao comentar a recente declaração do governador fluminense a favor de aborto como forma de reduzir o número de marginais nas favelas.

"O governador do Rio falou do aborto, falou que a Rocinha é fábrica de marginais e recusou-se a receber representante da ONU que está em visita ao Brasil. Acho que ele deveria inaugurar uma estátua de Hitler em praça pública, porque está havendo uma grande coincidência entre sua política de saneamento e de repressão ao narcotráfico com aquilo que fez o III Reich", disse.

O religioso também criticou a atuação da polícia fluminense durante a gestão de Cabral. "Quando eu vejo que cerca de mil pessoas foram assassinadas pela reação policial, de janeiro para cá, isso para mim é um genocídio", disse, citando dados da organização não-governamental (ONG) Rio de Paz.

Frei Betto disse ser contrário a ações violentas por parte da polícia e considera que esse tipo de postura só conduz a uma piora de cenário. "A bandidagem você não acaba com aquela receita que está no 'Tropa de Elite' (filme do diretor José Padilha, sobre a polícia fluminense): de que, para enfrentar o bandido, é preciso de uma polícia bandida. Assim, nós vamos para barbárie", disse.

Marcelo Auler (Agência Estado)

 

Homem-Aranha” de 5 anos entra em casa que pegava fogo e salva bebê

FELIPE BÄCHTOLD (AGÊNCIA FOLHA)

Um menino de cinco anos, que estava vestido com a camisa do Homem-Aranha, salvou um bebê durante um incêndio na cidade de Palmeira (236 km a oeste de Florianópolis), de acordo com o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina. O menino chama-se Riquelme Wesley Maciel dos Santos, e brincava de super-herói no quintal de sua casa. O bebê, Andrieli dos Santos, tem um ano e dez meses, e é filha de uma vizinha, em um bairro de classe média baixa do município na tarde de quinta-feira. Segundo bombeiros da cidade de Otacílio Costa, que atenderam a ocorrência, a dona da casa, Lucilene dos Santos, 36, percebeu que a moradia estava pegando fogo e correu para a rua.
Riquelme viu o desespero de Lucilene, que dizia que o bebê havia ficado em um dos quartos da casa. Ele decidiu, então, tentar salvar a criança. O garoto de cinco anos entrou na casa, tirou o bebê do berço e, com dificuldades, trouxe a menina para o pátio, longe do perigo. Ninguém se feriu. Apenas Lucilene e o bebê estavam dentro do imóvel no momento do incêndio, segundo os bombeiros.

Sem medo
Aos bombeiros, conta o soldado Giovanni Cunha, o garoto Riquelme disse que não tinha medo "porque era o Homem-Aranha". O bombeiro afirma que, antes de entrar na casa, o menino tentou acalmar a mãe de Andrieli. "Ele disse que não era para eu gritar, nem chorar, que ele salvaria Andriele", contou a mãe do bebê à RBS TV. O Corpo de Bombeiros foi acionado logo após Riquelme ter resgatado a menina. O incêndio consumiu cerca de 80% da casa de Lucilene, que era de madeira e tinha cerca de 50 m2. Um curto-circuito foi a provável causa do fogo, segundo os bombeiros. A cidade de Palmeira tem 2.300 habitantes.

 

Não é exemplo a ser seguido!!! Apesar do belíssimo gesto, as crianças não devem fazer a mesma coisa. Essa é a recomendação dos bombeiros!

XXXII Domingo do tempo comum [C]

2 Macabeus 7, 1-2. 9-14; 2 Tessalonicenses 2, 16-3, 5; Lucas 20, 27-38

Deus não é Deus de mortos

 

Em resposta à pergunta capciosa dos saduceus sobre o destino da mulher que teve sete maridos na terra, Jesus reafirma sobretudo o fato da ressurreição, corrigindo, por sua vez, a representação materialista e caricaturesca que os saduceus têm dela. A bem-aventurança eterna não é simplesmente uma potenciação e prolongamento das alegrias terrenas, com desfrutes da carne e da mesa. A outra vida é realmente outra vida, uma vida de qualidade diferente. É, sim, o cumprimento de todas as esperanças que o homem tem sobre a terra – e infinitamente mais –, mas em um nível diferente. «Os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento; e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos.»

Na parte final do Evangelho, Jesus explica o motivo pelo qual deve haver vida depois da morte. «Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na passagem da sarça, quando chama o Senhor de ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’». Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para ele todos vivem». Onde está nisso a prova de que os mortos ressuscitam? Se Deus se define como «o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó» e é um Deus de vivos, não de mortos, então quer dizer que Abraão, Isaac e Jacó vivem em algum lugar, ainda que, no momento em que Deus fala a Moisés, aqueles estão mortos há séculos.

Interpretando de maneira errada a resposta que Jesus dá aos saduceus, alguns sustentaram que o matrimônio carece de toda continuidade no céu. Mas com essa frase Jesus rejeita a idéia caricaturesca que os saduceus apresentam do além, como se fosse uma simples continuação das relações terrenas entre os cônjuges; não exclui que estes possam reencontrar, em Deus, o vínculo que os uniu na terra.

É possível que dois esposos, após uma vida que os associou a Deus no milagre da criação, na vida eterna, já não tenham nada em comum, como se tudo estivesse esquecido, perdido? Isso não estaria em contradição com a palavra de Cristo de que não se deve dividir o que Deus uniu? Se Deus os uniu na terra, como poderia separá-los no céu? Toda uma vida juntos pode acabar em nada sem que se desminta o sentido da vida aqui embaixo, que é o de preparar a vinda do Reino, os céus novos e a terra nova?

É a própria Escritura – não só o natural desejo dos esposos – que apóia esta esperança. O matrimônio, diz a Escritura, é «um grande sacramento» porque simboliza a união entre Cristo e a Igreja (Ef 5, 32). É possível, então, que desapareça precisamente na Jerusalém celeste, onde se celebra o eterno banquete nupcial entre Cristo e a Igreja, do que aquele é imagem?

Segundo esta visão, o matrimônio não acaba totalmente com a morte, mas se transfigura, espiritualiza-se, subtrai-se a todos os limites que marcam a vida na terra, como que, no demais, não se esquecem dos vínculos existentes entre pais e filhos ou entre amigos. O prefácio da missa dos defuntos da liturgia diz que com a morte «a vida não acaba, apenas se transforma»; o mesmo se deve dizer do matrimônio, que é parte integrante da vida.

Mas o que dizer de quem teve uma experiência negativa, de incompreensão e de sofrimento, no matrimônio terreno? Não é para eles motivo de medo, mais que de consolo, a idéia de que o vínculo não se rompa nem com a morte? Não, porque no passo desde o tempo à eternidade o bem permanece, o mal cai. O amor que os uniu, talvez por breve tempo, persiste; não os defeitos, as incompreensões, os sofrimentos causados reciprocamente. Muitíssimos cônjuges experimentarão só quando se reúnam «em Deus» o amor verdadeiro entre si e, com ele, o gozo e a plenitude da união que não desfrutaram na terra. É também a conclusão de Goethe sobre o amor entre Fausto e Margarida: «só no céu o inalcançável (ou seja, a união plena e pacífica entre duas criaturas que se amam) será realidade». Em Deus tudo se entenderá, tudo se desculpará, tudo se perdoará.

E o que dizer de quem esteve legitimamente casado com várias pessoas, como os viúvos e as viúvas que voltaram a contrair matrimônio? (foi o caso apresentado a Jesus dos sete irmãos que haviam tido, sucessivamente, a mesma mulher como esposa). Também para eles devemos repetir o mesmo: aquilo que houve de autêntico amor e doação com cada um dos esposos ou das esposas, sendo objetivamente um «bem» e vindo de Deus, não será suprimido. Lá em cima não haverá rivalidades no amor ou ciúmes. Estas coisas não pertencem ao amor verdadeiro, mas ao limite intrínseco da criatura.


(Pe. Raniero Cantalamessa)

Link permanente Vampiro brasileiro
por Tutty Vasques, Seção: Nonsense total s 08:44:16.

O governo está acompanhando com atenção essa história do vampiro que teria sido preso no interior de São Paulo.

A qualquer momento, a ministra Dilma Roussef pode convocar a imprensa para anunciar que Presidente Prudente virou uma espécie de Transilvânia brasileira.

É mais um duro golpe na oposição.

Ô, raça!

(link do blog do Tuty Vasquez no menu ao lado >>>>)

O MENINO DAS MEIAS VERMELHAS

 

 

Todos os dias, ele ia para o colégio com meias vermelhas. Era um garoto triste, procurava estudar muito, mas na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa.

 

Os outros guris zombavam dele, implicavam com as meias vermelhas que ele usava. Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas.

 

Ele contou com simplicidade: "No ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo. Botou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que todo mundo ia zombar de mim por causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela".

 

Os garotos retrucaram: "Você não está num circo! Porque não tira essas meias vermelhas e joga fora?" mas o menino das meias vermelhas explicou: "É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela".

 

[* Essa é história imemorial; a versão acima é do Carlos Heitor Cony, na Folha de SP, mas já a conhecia de algum encontro religioso... espero lhe cause bons sentimentos!]

 

 

* * *

 

Já pratiquei muitas coisas. A fotografia, uma delas. Se fosse possível olhar o contexto da foto (acima postada), talvez você não percebesse o que ela revela. Mas se pudesse igualmente a partir dela contemplar o seu entorno, veria o quão belo ele é. Dependendo do ponto de vista com o qual olhamos a nós e aos que nos circundam, vemos beleza ou feiúra, alegria ou tristeza, esperança ou medo, vida ou morte! Se pararmos em cada coisa e nela contemplar a própria e única beleza, o mundo pode ganhar contornos de vida mais leve e mais gostosa de ser vivida. Façamos de cada encontro a possibilidade do desvelo do mistério. Tenhamos olhos puros, pois, segundo São Paulo "tudo é puro para os puros" (Tt 1,15).

* * *

 

Pela janela...

"Quando estiverem afinadas, Mestre, todas as cordas da minha vida,
cada vez que as toque, cantarão de amor."

TAGORE

 

Nada preferir a Cristo

 

Nosso Senhor Jesus Cristo disse a todos, por várias vezes e dando diversas provas: "Se alguém quiser vir após mim, que renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" e também "Aquele de entre vós que não renunciar a tudo o que tem não pode ser meu discípulo". Parece, pois, exigir a renúncia mais completa... "Onde estiver o teu tesouro, diz noutra altura, aí estará o teu coração" (Mt 6,21).

Portanto, se reservarmos para nós bens terrestres ou qualquer provisão fugaz, o nosso espírito permanece ali atolado como que na lama. É então inevitável que a nossa alma fique incapaz de contemplar Deus e se torne insensível aos desejos dos esplendores do céu e dos bens que nos foram prometidos. Só poderemos obter esses bens se os pedirmos sem cessar, com um desejo ardente que, de resto, nos tornará leve o esforço para os atingir.

Renunciar a nós mesmos é, pois, soltar os laços que nos prendem a esta vida terrestre e passageira, libertar-nos das contingências humanas, a fim de sermos mais capazes de caminhar na via que conduz a Deus. É libertar-nos dos entraves a fim de possuir e usar bens que são "muito mais preciosos do que o ouro e a prata" (Sl 18,11).

E, para dizer tudo, renunciar a nós mesmos é transportar o coração humano para a vida no céu, de tal forma que possamos dizer: "A nossa pátria está nos céus" (Fl 3,20). E, sobretudo, é começar a tornar-nos semelhantes a Cristo, que se fez pobre por nós, ele que era rico (2 Cor 8,9). Devemos assemelhar-nos a ele se quisermos viver conforme o Evangelho. /fonte: S. Basílio (c. 330-379), monge bispo

Vampiro Brasileiro

 

Desde ontem, Presidente Prudente está no noticiário nacional. Um "vampiro" que se diz messias para a salvação do mundo, ataca sobretudo jovens (adolescentes) num praça perto de escolas (e do Seminário Diocesano). Agora a pouco, li que ele fora preso. Segue a notícia (do portal G1).

 

07/11/2007 - 13h31 - Atualizado em 07/11/2007 - 16h13

Acusado de chefiar 'seita de vampiros' se apresenta à polícia

Jovens relataram à polícia que recebiam mordidas no pescoço.
Homem prometia imortalidade e riqueza, segundo uma das vítimas.

Do G1, em São Paulo, com informações da TV Fronteira

 

Um homem de 27 anos suspeito de chefiar uma seita que prometia imortalidade a jovens se apresentou nesta quarta-feira (7) à polícia de Presidente Prudente, a 565 km de São Paulo. Jovens relataram que, para entrar no grupo, era necessário receber uma mordida no pescoço. O homem dizia que os jovens se transformariam em vampiros.

Pelo menos 16 jovens, segundo a polícia, participaram da espécie de ritual. Eles cortavam o próprio corpo em uma praça da cidade durante os encontros da seita. Três boletins de ocorrência foram registrados pelos pais dos adolescentes na delegacia.

A polícia começou a investigar o caso depois da queixa do pai de dois jovens. Desconfiado do comportamento dos filhos, o homem descobriu que eles faziam parte de uma seita cujo chefe se apresentava como vampiro. Os dois adolescentes, de 13 e 15 anos, tinham marcas de dentes no pescoço. Um deles havia cortado o braço depois de convencido pelo chefe da seita de que não sangraria.

Uma adolescente de 15 anos contou ao G1 que fazia parte da seita e o homem pretendia levar os jovens “a um castelo” no próximo domingo (11). “A gente ia embora porque ele prometia um castelo onde nós seríamos muito felizes”, disse. O homem atraía os adolescentes, segundo ela, dizendo que eles teriam dinheiro e imortalidade.

O primeiro encontro da adolescente com o homem foi em um shopping da cidade. “Ele contou umas histórias para a gente e eu não acreditei. Falou que, para entrar na seita, precisava morder o pescoço. Eu confiei, porque ele é uma pessoa inteligente, culta. Até gostava dele”, afirmou. Por volta das 13h, o suspeito prestava depoimento no 4º Distrito Policial do município.

 

Pensando bem!

 Estava na dúvida quanto ao que postar, afinal já faz algum tempo, nada de novo neste blog (hehe). Eis que surgiram alguns pensamentos e idéias para debate, meditação ou apenas deleite pessoal. [obrigado por sua visita. Deus te abençoe!]

 

“Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte à vida e, com isso uma orientação decisiva”, como recorda Bento XVI na sua primeira encíclica Deus é Amor.

Ao interromper uma gravidez indesejada, a mulher não está exercendo um direito próprio, mas violando o direito à vida de outrem. [...] O direito individual de autonomia reprodutiva se exerce em momento anterior, quando o casal decide ou não conceber, fazendo uso dos métodos contraceptivos modernos, de reconhecida eficiência. Todavia, gerada a vida, deliberadamente ou não, ela não pertence à mulher, ao homem ou ao Estado. [Hertha Helena Palermo e Jayme Martins de Oliveira Neto, juízes]

O principal desafio da humanidade não é apenas produzir um exército de pessoas com suas múltiplas inteligências afiadas — o maior avanço será vê-las usadas de forma mais ética. [Howard Gardner, psicólogo americano]

Vivemos um absurdo. O avanço das ciências tem contribuído para o aumento da longevidade e, como resultado, a população está envelhecendo. O problema é que envelhecemos, mas não podemos mostrar nossa velhice. [...] Queremos viver mais, sim, mas envelhecer tem sido intolerável. [Rosely Sayão, psicóloga]

“A solução do aborto, além de envolver uma discussão moral, social e religiosa, está longe de ser uma panacéia salvadora que livraria a sociedade de vários males, o da violência e o da miséria. Já contei há tempo, neste espaço, o caso de uma mulher na Alemanha no século 18. Com mais de 52 anos, não tinha idade segura para engravidar, mesmo assim engravidou. Era pobre, sofria de tuberculose, tinha hemoptises diárias, fora internada diversas vezes em asilos por distúrbios psiquiátricos. Um médico examinou-a e solicitou ao Departamento de Saúde Pública de Bonn a licença para interromper a gravidez, que, entre outras coisas, colocava em risco a vida da mãe e do filho. A licença foi negada. O filho nasceu. Era desconjuntado, surdo, anti-social. Seu nome: Ludwig von Beethoven.” (Carlos Heitor Cony, Folha de SP, 4/11/2007)

 

“Pecado não é apenas o uso do que é corrupto, mas muitas vezes o mau uso daquilo que é puro e bom”. [Billy Graham]

“Ó morte, onde está a tua vitória?” (cf. 1Cor 15,54).

 Celebramos a vida dos nossos mortos. Daqueles que nos precederam na passagem desta dimensão terrena da vida para a sua dimensão eterna. Os que acreditamos em Cristo temos a certeza de que a morte não tem a última palavra em nossa existência. Hoje, já celebrei duas missas. Ainda terei mais uma.

Como é bom poder zombar da morte. Ó morte, onde está a tua vitória?” (cf. 1Cor 15,54). Estamos isentos dela. Pelo menos foi o que nos prometeu o Senhor Jesus. “Quem vive e crê em mim, terá a vida eterna, não morrerá jamais” (cf. Jo 11, 26s).

Na liturgia dos fiéis defuntos, rezamos: “Para aqueles que crêem em Cristo, a vida não é tirada, mas transformada, e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível” (Prefácio dos mortos).

Nossa união com Cristo, aqui e agora, no transcurso desta vida, já constitui o início e a certeza da vida plena. Viver por Cristo, com Cristo e em Cristo é construir os alicerces sobre a Rocha.

 

Contemplar as realidades escatológicas (morte, céu, inferno, ressurreição) é dar rumo à própria vida. Aqueles que fogem dessa realidade andam sem rumo pela vida.

 

Neste dia, vale o amor, o carinho, a emoção, a lembrança, a saudade... Valem todas as formas que expressem o que sentimos. Só não vale o egoísmo e a falta de perdão que nos impedem de acolher a morte dos outros. Hoje, vale até mesmo pensar na hora da nossa morte. O que temos feito para viver esse momento “tranquilamente”? – infelizmente vivemos fugindo dessa realidade. Quantos escondem das crianças a morte dos seus avós, pais, irmãos e amigos. Outros tentam iludi-las com as famosas expressões que “fulano/a viajou”.

 

Já existem lugares que fornecem velórios virtuais (de casa pelo computador ligado à internet você pode contemplar o corpo do morto). Morre-se nos hospitais em meio aos estranhos, sem o carinho das pessoas que conosco viveram mas foram impedidas de estar conosco até o fim (como Maria ao pé da cruz do seu filho, Jesus). Há aqueles que escolheram mandar seus pais para asilos, casas de repouso ou hospitais pois não sabem lidar com a “perda” nem se enfrentar no espelho da existência. Talvez ai residam algumas outras angústias para os que partem. [algum dia volto a esse assunto].

 

Encerro com um pensamento do padre Joãozinho, sobre o choro diante da morte e neste dia. “... chorar ou não, eis a questão. Chore sim. Não seja forte demais no momento da dor da perda. Jesus também chorou quando seu amigo morreu. Maria chorou ao pé da cruz. Chore com fé… se quiser até brigue com Deus… mas creia que ver a terra lá do céu será totalmente diferente do ver o céu aqui de baixo”.

 

Feliz ressurreição! O céu é a nossa morada! Foi Jesus quem disse. Vou preparar a sua morada no céu.

 

Pela vida, sempre!

 

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. Paroquial de Caiuá e de Piquerobi

Blog “Tudo tem seu tempo” http://sandrogerio.zip.net

 

 

Onde há fumaça...

 

 

Ele chegou. Quem? Ele. O bom velhinho e suas renas. O ícone da mais trágica transformação da beleza e da vida em feiúra e futilidade. Aquele “bom velhinho” que nestas terras tão quentes (à beira da febre; nalguns lugares já se verifica 37º no termômetro. Temperatura de febre) veste-se de roupas apropriadas ao pólo norte: botas, gorro e “super agasalho”.

 

Assustei-me ao vê-lo em larga escala numa loja de produtos religiosos e ao lado do pequeno e doce menino Jesus. Este sim, o motivo da festa.

 

Se alguns acusam os cristãos (católicos) de terem transformado uma festa pagã (Sol invicto) em cristã, quem acusará o nosso tempo de ter transformado a belíssima festa cristã do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo em pagão-comercial? A ceia é refestelar-se dos comensais. O motivo da festa... bom, sobre isso falamos depois!

 

Quem nos livrará desse “secular secularismo”? Se antes havia motivos natalinos recordando o menino Deus, atualmente o natal foi surrupiado pelo comércio, pela assombrosa marketagem e astúcia dos fabricantes de ilusões.

 

Sim! O comércio de natal é profundamente frustrador. Esvazia as pessoas da singeleza e beleza do acontecimento singular. DEUS deixou o céu. DEUS veio ser um de nós, igualzinho a nós em tudo. Ahhhh! Em quase tudo, pois não nos igualou no pecado.

 

Naquele tempo foi rejeitado e nasceu na manjedoura. Não é de duvidar se hoje ele tiver que celebrar seu aniversário nas manjedouras e entre os animais. [sugiro algumas manjedouras modernas: as ruas (e seus animais: “sem teto”, “mendigos”, “meninos de rua”); as prisões (e seus animais: “detentos” sem família, sem trabalho, sem escola, sem perspectivas...); as periferias das cidades (e seus animais: traficantes, correrias, polícia corrupta); os hospitais da rede pública (e seus animais: doentes deitados em macas pelos corredores, outros morrendo nas intermináveis filas) entre outras.

 

[voltarei ao assunto, oportunamente. Com a campanha de sempre: abaixo o papai Noel. Viva o menino Jesus!]

 

Pela vida, sempre!

 

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. Paroquial de Caiuá e de Piquerobi

Blog “Tudo tem seu tempo” http://sandrogerio.zip.net

 

Todos os mortos e todos os santos. Seremos um e poderemos ser o outro!

“A morte é certa e a santidade, uma possibilidade”

 

Para os cristãos católicos, iniciamos a última temporada do ano. Com a festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (dia 25) finaliza o ano litúrgico C.

 

O ritmo da liturgia nos faz pensar e rezar a vida. O modo como vivemos o dia-a-dia enfrentando dificuldades, celebrando dissabores; também fazendo festas, afinal, ninguém é de ferro! A maior parte é o cotidiano (o tempo comum... aquele tempo de Jesus entre os 12 e 30 anos de vida “escondida” em sua pátria – ou seria inserido em sua família e em sua cultura?).

 

Da certeza da Páscoa (celebração de vitória da vida sobre a morte) decorre todo o restante do ano. Deus fez-se humano. Pisou o nosso chão. Falou a nossa língua. Assumiu as feições da criatura feita à sua imagem e semelhança. Para essa festa, a quaresma nos chama à conversão. Tempo de alimentar a vida interior. Fincar raízes (profundas) no solo fértil da Graça.

 

O natal é preparado pelo adventoTempo da alegre expectativa. Tempo de chegada! A luz veio para os seus. A mulher grávida dá-nos o tom de sua alegria: “O Poderoso fez em mim maravilhas! Santo é o seu nome!” E convida (“Todas as gerações”) a alegrarmo-nos com ela.

 

Novembro inicia com duas olhadelas à nossa condição humano-mortal-eterna. Celebramos duas festas totais: “Todos os Santos” e “Todos os Fiéis Defuntos”. Temos certeza de que quem não sabe contemplar o lugar para onde se encaminha está perdido, sem rumo!

 

Alguém já disse que “a obsessão de viver com intensidade o momento presente, sem relacioná-lo com o passado que pode lhe explicar a origem, nem com o futuro que pode lhe indicar o rumo, expõe a vida humana à precariedade de suas limitações.” Sim. Nesta precariedade é preciso saber para onde marchamos. Com quem marchamos. E até mesmo quem somos os que marchamos.

 

Quando nascemos (pelas águas batismais) recebemos o nosso endereço final: o Céu (a Felicidade completa! O lugar onde não haverá mais morte, nem choro nem pranto, pois o que era velho ficou para trás).

 

Entre a vinda de e a volta para lá, somos chamados a trilhar o caminho da vida, da história. Embrenhando-nos nos senões do tempo com o coração e o olhar fixos na meta. Pode acontece (e por vezes acontece) de nos perdemos no caminho. Perdemos o endereço definitivo.

 

Aí entram essas duas belas celebrações. Uma é profundamente emotiva (pois nos faz lembrar de pessoas queridas que partiram pra não mais voltar!). Outra, não tão emotiva, mas desafiadora. A santidade é a nossa vocação original.

 

Em Cristo, podemos e devemos nos santificar. Em Cristo, nos manter na comunhão original. Em Cristo, partilhar da herança reservada aos eleitos. Esse Cristo Rei do Universo. Realidade que a tudo abarca. Que em si recapitula toda a criação para dar-lhe novo alento e salvação.

 

No Cristo, a salvação e a graça. No Cristo, a plenitude da vida. Seu Reino é um Reino de Vida! Por isso, nós, discípulos devemos ser promotores da paz, da justiça, da misericórdia e da Vida.

Façamos desse tempo uma oportunidade para que o amor vença o ódio. E as agruras do momento presente não sufoquem nem sucumbam a verdade que nos habita. Somos filhos do céu e como tais devemos nos comportar.

 

Nessa última etapa do ano litúrgico, contemplamos não o fim, mas a finalidade de nossa existência. Olhar para o céu nos compromete a olhar para os outros que como nós caminham na mesma direção, partilhando dos mesmos ideais e do mesmo e único mestre salvador. Ele seja a nossa luz, o nosso guia e proteção!

 

Pela vida, sempre!

 

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. Paroquial de Caiuá e de Piquerobi

Blog “Tudo tem seu tempo” http://sandrogerio.zip.net

 

O melhor produto da região


O fazendeiro conseguia ganhar todas as medalhas do Ministério da Agricultura, porque seu milho era de excelente qualidade. Intrigado, um jornalista resolveu ir até o lugar onde ele morava, pensando em escrever uma grande matéria sobre o segredo de tamanho sucesso.

Ali chegando, perguntou o que fazia para sempre produzir o melhor produto da região.

“Muito simples”, respondeu o fazendeiro. “No final da colheita, separo uma boa parte dos grãos, e distribuo entre todos os meus vizinhos”.

O jornalista ficou surpreso: “distribuir aquilo que colheu? Será que o senhor não entende que os seus vizinhos também são seus concorrentes, e estão querendo produzir mais?”

“Será que o senhor não compreende que tudo é uma coisa só? Na primavera, o vento traz o pólen, e espalha por todo o lugar. Se meus vizinhos plantarem algo ruim, minha colheita será também afetada. Para ter o melhor produto da região, preciso fazer com que os campos ao lado mantenham a mesma qualidade”.

“Não posso fazer nada de bom na vida, se não estimular os outros a fazerem o mesmo”.

Quem são os santos

Solenidade de Todos os Santos: Apocalipse 7, 2-4. 9-14; João 3, 1-3; Mateus 5, 1-12ª


Faz tempo que os cientistas enviam sinais ao cosmos em espera de respostas por parte de seres inteligentes em algum planeta perdido. A Igreja desde sempre mantém um diálogo com os habitantes de outro mundo, os santos. É o que proclamamos ao dizer: «Creio na comunhão dos santos». Ainda que existissem habitantes fora do sistema solar, a comunicação com eles seria impossível, porque entre a pergunta e a resposta passariam milhões de anos. Aqui, ao contrário, a resposta é imediata, porque existe um centro de comunicação e de encontro comum que é Cristo Ressuscitado.

Talvez também pelo momento do ano em que cai, a Solenidade de Todos os Santos tem algo especial que explica sua popularidade e as numerosas tradições ligadas a ela em alguns setores da cristandade. O motivo está no que diz João na segunda leitura. Nesta vida, «somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos»; somos como o embrião no seio da mãe que anseia nascer. Os santos «nasceram» (a liturgia chama «dia do nascimento», dies natalis, no dia de sua morte); contemplá-los é contemplar nosso destino. Enquanto ao nosso redor a natureza se desnuda e caem as folhas [na Europa], a festa de todos os santos nos convida a olhar para o alto; e nos recorda que não estamos destinados a ficar na terra para sempre, como as folhas.

A passagem do Evangelho é a das bem-aventuranças. Uma em particular inspirou a escolha da passagem: «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados». Os santos são aqueles que tiveram fome e sede de justiça, isto é, na linguagem bíblica, de santidade. Não se resignaram à mediocridade, não se contentaram com meias palavras.

A primeira leitura da Solenidade nos ajuda a entender quem são os santos. São «os que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro». A santidade se recebe de Cristo; não é uma produção própria. No Antigo Testamento, ser santos queria dizer «estar separados» de tudo o que é impuro; na acepção cristã, quer dizer o contrário, ou seja, «estar unidos», mas a Cristo.

Os santos, isto é, os salvos, não são só os que o calendário ou o santoral enumeram. Existem os «santos desconhecidos»: que arriscaram suas vidas pelos irmãos, os mártires da justiça e da liberdade, ou do dever, os «santos leigos», como alguém os chamou. Sem saber, também suas vestes foram lavadas no sangue do Cordeiro, se viveram segundo a consciência e lhes importou o bem dos irmãos.

Surge espontaneamente uma pergunta: o que os santos fazem no paraíso? A resposta está, também aqui, na primeira leitura: os salvos adoram, deixam suas coroas ante o trono, exclamando: «Louvor, honra, bênção, ação de graças...». Realiza-se neles a verdadeira vocação humana, que é a de ser «louvor da glória de Deus» (Ef 1, 14). Seu coro é guiado por Maria, que no céu continua seu canto de louvor: «Minha alma proclama a grandeza do Senhor». É neste louvor que os santos encontram sua bem-aventurança e seu gozo: «Meu espírito se alegra em Deus». O homem é aquilo que ama e aquilo que admira. Amando e louvando a Deus, ele se une a Deus, participa de sua glória e de sua própria felicidade.

Um dia, um santo, São Simeão, o Novo Teólogo, teve uma experiência mística de Deus tão forte que exclamou para si: «Se o paraíso não for mais que isso, já me basta!». Mas a voz de Cristo lhe disse: «És bem mesquinho se te contentas com isso. O gozo que experimentaste em comparação com o do paraíso é como um céu pintado no papel com relação ao verdadeiro céu». [Pe. Raniero Cantalamessa]

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