A simplicidade da vida

 

Há coisas que simplesmente acontecem.

 

Parodiando o presidente Lula, nunca antes na história da minha vida me surpreendi tanto com coisas tão simples.

 

Não descobri nenhum fenômeno novo. Não inventei nada de útil à humanidade. Sequer aprendi alguma fórmula mágica ou de extrema urgência para o momento delicado que o nosso planeta vive.

 

Efetivamente, as pessoas querem apenas “um pouco de atenção”. Querem ser notadas e amadas.

 

Cada um de nós busca um lugar ao sol. Muitos depois que o conquistam, se queimam. Mas, tudo é coisa da vida no mundo dos vivos.

 

Sigo em frente. A sucessão de fatos me faz acreditar no ditado do velho bispo: “meu filho, aquilo que é da gente cai na porta”.

 

Várias coisas caíram à minha porta. Algumas, em forma de bilhete que, para sacar o prêmio foi preciso risco, empenho, trabalho, noites e dias sem fim. Outras vieram mansamente e se acomodaram no meu existir.

 

É ano novo (sabedoria divina dar-nos a cada novo início de ano a possibilidade de avançar como se fosse o primeiro, o último e o único tempo do qual dispomos para realizar as tarefas das quais ainda somos devedores).

 

“Adeus ano velho. Feliz ano novo. Que tudo se realize no ano que vai nascer!”. Mesmo que o diga a canção nem tudo acontecerá no próximo ano. Há coisas que não devem nem podem acontecer no próximo ano. Se tudo acontece de repente, pode acontecer de, repentinamente, tudo passar sem que o tenhamos aproveitado minimamente.

 

Queiramos ser melhores. Façamos o máximo daquilo que estiver ao nosso alcance para mudar e ser melhor. No novo ano, semeie novas sementes, pode os arbustos de semeaduras passadas e usufrua de alguns frutos da semeadura de outros que nos favorecem.

Vida virtual

 

“Orkuteiro”, não dos melhores nem dos mais atenciosos, estou na rede e já aceitei vários “amigos de padres” sem ao menos trocar o famoso scrap (recado) de apresentação. Prometi mudar e até cumpri em parte a promessa. Apaguei alguns e rejeitei outros.

 

No Orkut redescobri amigos de outras primaveras. Pessoas especiais imiscuíram-se na minha história. Ampliei consideravelmente a rede com as pessoas que me fazem bem. Alguns parecem sentir o meu humor ao ponto de na hora apropriada enviar-me uma mensagem do tipo “não se entregue jamais”.

 

Dessa rede, ampliou-se o grau de percepção da vida “virtual”. As pessoas agem de modo distinto e desinibidamente. Nessa onda virtual, a realidade parece reinventar-se. Aos amigos virtualmente reais e vice-versa, desejos de prosperidade, felicidade e bênçãos!

A-deus 2007

 

A agitação das pessoas, como formigas anunciando chuva, revela algo de importante acontecendo. Fui conferir no calendário. Acabou. Não tem mais dias para este ano. Busquei outro calendário.

 

As praias estão abarrotadas de pessoas. As estradas como correição de formigas. Violência e morte. Sobram nesse tempo, além das festas, a irresponsabilidade de alguns e a imprudência de outros.

 

Mas este post deve ser de alegria e esperança. Por isso, vale perguntar-nos: Quantas possibilidades nos reserva o ano novo? Quantas conquistas? Conheceremos pessoas? Celebraremos e defenderemos a vida, o amor, a paz, a justiça? Arriscaremo-nos em novos projetos? Lutaremos por realizar aquilo que no passado planejamos mas não conseguimos executar? Ousaremos a originalidade? Ou seremos como todos fazem e são?

 

Enfim, o ano 2007 foi para as calendas (segundo o Aurélio, para aquele tempo que nunca há de vir), é página cumprida e virada.

 

Bem-vindo 2008

 

Você é história a ser escrita. Vida a ser vivida. Tudo valendo, sempre!

 

Amigo leitor, seja abençoada a sua vida. Seja iluminado o seu ano. Seja feliz! Obrigado por freqüentar este espaço de partilha de palavras, de sentimentos e de outros temas.

 

Visto que “tudo tem seu tempo” (Ecl 3,1), saio para breve temporada de férias. Uma semana. [Depois lhe conto como foi].

Fique bem!

pax + + +

Miss Brasil doa vestido ao Santuário de Aparecida

Devota de Nossa Senhora Aparecida, a Miss Brasil Nathália Aparecida Rodrigues fez hoje a doação do vestido que usou no concurso Miss Universo ao Santuário Nacional de Aparecida. De roupa branca, Nathália assistiu à missa das 8 horas no Santuário celebrada pelo arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis. No final da celebração, Nathália subiu ao altar e entregou o vestido, feito pelo estilista Alexandre Dutra, avaliado em U$ 30 mil (cerca de R$ 53 mil). Foi com essa roupa que Nathália conquistou o segundo lugar no Miss Universo.

“Vim fazer esta doação para agradecer à Nossa Senhora Aparecida todas as graças recebidas neste ano”. O vestido, de cor cinza e confeccionado em cetim italiano e cristais Svaroviski, será leiloado e a renda vai ser revertida para projetos sociais do próprio Santuário. “O vestido tem um grande valor sentimental pra mim, seria muito bom se outras pessoas famosas também fizessem o mesmo, pois mais entidades seriam beneficiadas”, completou. [fonte: G1, Agência Estado, Folha OnLine]

Solenidade da Sagrada Família

“Levanta-te... porque morreram aqueles que atentavam contra a vida do Menino”

Leituras: Eclesiástico 3,3-7.14-17ª; Salmo 127; Colossenses 3,12-21; Mateus 2,13-15.19-23

 

 

Quando José estava no exílio com o Menino e sua mãe, soube pelo anjo, durante o sono, que Herodes tinha morrido; mas, ao ouvir dizer que o seu filho Arquelau reinava no país, continuou a ter grande receio de que o Menino fosse morto. Herodes, que perseguia o Menino e o queria matar, é o mundo que, sem dúvida alguma, mata o Menino, o mundo de onde é necessário fugir se se quer salvar o Menino. Mas, uma vez que se fugiu exteriormente do mundo..., eis que Arquelau se levanta e reina: há ainda todo um mundo em ti, um mundo do qual tu não triunfarás sem muita aplicação e sem o socorro de Deus.

 

Porque há três inimigos fortes e encarniçados a vencer em ti e é com dificuldade se alguma vez se triunfa deles. Serás atacado pelo orgulho do espírito: queres ser visto, considerado, escutado... O segundo inimigo é a tua própria carne que te provoca pela impureza corporal e espiritual... O terceiro inimigo é aquele que te ataca, inspirando-te a malvadez, os pensamentos amargos, as suspeitas, os julgamentos malévolos, a raiva e os desejos de vingança... Queres tornar-te cada vez mais querido de Deus? Deves renunciar completamente a tais atitudes, porque tudo isso é Arquelau, o malvado. Receia e fica atento; na verdade, ele quer matar o Menino...

 

José foi avisado pelo anjo e chamado a regressar ao país de Israel. Israel significa «terra da visão»; Egito quer dizer «trevas»... É durante o sono, é só num verdadeiro abandono e na verdadeira passividade que receberás o convite para sair delas, tal como aconteceu a José... Podes então dirigir-te para a Galiléia, que quer dizer «passagem». Ali está-se acima de todas as coisas, tudo se atravessou, e chegou-se a Nazaré, «a verdadeira floração», o país onde desabrocham flores para a vida eterna.

 

Ali está-se certo de encontrar um verdadeiro aperitivo da vida eterna; alí está toda a segurança, a paz inexprimível, a alegria e o repouso; ali só chegam os que se abandonam, os que se submetem a Deus até que Ele os liberte e que não procuram libertar-se a si mesmos pela violência. São esses os que alcançam essa paz, essa floração, Nazaré, e ali encontram o que lhes dará a alegria eterna. Que isso seja a nossa partilha comum, que a isso nos ajude o nosso Deus, digno de todo o amor!

 

[Jean Tauler (c. de 1300-1361), dominicano em Estrasburgo – Sermão nº 2, para a vigília da Epifania]

Rádio Onda Viva – AM 1300

“em caráter experimental”

A “Rádio Cultura” assume novo nome e nova programação. Tendo a frente o Padre Silvio Costa e um grupo de padres, a emissora diocesana em breve “vai dar o que falar”. Viva essa emoção. Sintonize. São 30mil Watts de potência. A maior de nossa região!!! O momento é de alegria para a Diocese de Presidente Prudente.

PaquisTÃO insensato!

Spon Holz
 

PS.: Via sítio Sponholz.

PS.2: Leia sobre a crise no Paquistão aqui

Testemunhos natalinos

 

Na seqüência da celebração do Natal, estamos vivendo dias de testemunhos eloqüentes e belos:

de sangue (primeiro mártir, Santo Estevão, dia 26);

de amor (São João, apóstolo e evangelista, dia 27);

de inocência (Santos Inocentes, dia 28).

O amor de Deus continua atuando no coração e na vida de todos quantos não renunciam à sua tarefa primordial de ser reflexo do Sol de Justiça que do alto do céu veio visitar-nos. Resta-nos a obrigação de anunciar aos que não se abriram ao amor que a misericórdia do Senhor se estende de geração em geração sobre todos os que o temem. Dê seu testemunho para que os seus circundantes redescubram a beleza desse tempo natalino. Qual será o seu testemunho: de sangue? de amor? de inocência? outro?

 

[essa idéia foi postada originalmente no mesmo período, ano passado]

 

Quero? Devo? Posso?

“A nossa casa”

 

No livro “Qual é a tua obra?” O filósofo e educador, Mario Sergio Cortella, trabalha a necessidade de trazer a questão ética para o chão da vida. Semelhante à democracia, a ética é florzinha delicada que precisa de cuidados diários.

 

Cortella destaca três perguntas essenciais para cuidarmos da vida coletiva: “quero?” “devo?” “posso?”. Pois, segundo ele, na vida, “há coisas que eu quero, mas não devo. Há coisas que eu devo, mas não posso. Há coisas que eu posso, mas não quero”. (O equilíbrio vem quando eu quero o que devo e posso o que quero).

 

Vemos isso na Bíblia: “Tudo me é licito, mas nem tudo me convém” (São Paulo aos coríntios). Na convivência, embora eu possa fazer qualquer coisa, eu não devo nem posso fazer qualquer coisa. A ética “não é algo que nos dê conforto, mas algo que nos coloca dilemas”.

 

Finalizando o capítulo com o qual nos ocupamos, pergunta “portanto, o que é ética?” ao que ele mesmo responde: “são os princípios que você e eu usamos para responder ao “quero?” “devo?” “posso?”... isso não significa que não vivamos dilemas. Eles [os dilemas] existem e serão mais tranqüilamente ultrapassados quanto mais sólidos forem os princípios que tivermos e a preservação da integridade que desejarmos”.

 

Em entrevista à Rádio CBN, o autor exemplificou esse último parágrafo recorrendo ao filósofo Immanuel Kant. Este dizia que um ato ao ser praticado deve corresponder a três critérios, a saber:

1-    Todos teriam o direito de fazer (o que estou fazendo, qualquer um pode fazer?) [*dimensão universal do ato]

2-    Todos poderiam saber que eu fiz (o que estou fazendo, qualquer um pode saber?) [* dimensão pública do ato]

3-    O que faço aumenta e melhora a condição de vida da humanidade.

 

Finaliza a entrevista fazendo-nos pensar a vida com o seguinte pensamento: Conheço muitos que não puderam quando deviam porque não quiseram quando podiam” (François Rabelais)

 

Querer é o combustível que vai fazer com que façamos o que devemos fazer! E, então, você quer mudar? deve mudar? pode mudar?

... relato

Meu natal

 

Dia especial para os que erramos nas trevas da vida contemplar a luz. Jesus é a luz do mundo! Ele é “LUZ da luz” e “Deus de Deus” vindo ao mundo. Veio para nos colocar no caminho da Vida e para nos tornar capazes de Deus.

 

Alegremo-nos, pois, o Senhor nos deu seu Filho. O presente de Deus é o seu único Filho (aquele no qual colocou o seu agrado, a sua afeição). O Emanuel – Deus está conosco, para sempre.

 

Não pode haver tristeza nesta hora. Os corações não podem encenar muros e cercas, pois precisam ser humanos, de carne e acolhedores. Deus assumiu a nossa carne. Ele nos redime assumindo as nossas dores.

 

Na obra “O pequeno príncipe”, Saint Exupéry afirmou que “quando o mistério é grande não se ousa duvidar”. Por isso, neste dia, o silêncio diante do mistério é a nossa atitude mais fecunda.

 

Passei o dia enclausurado. Na minha “Nazaré”. De casa saí apenas até a área de serviço. Nada além de ler, rezar, meditar, ouvir música, ver filme, especiais na televisão, alguns telefonemas feitos e outros recebidos, um pouco de internet.

 

Todas as coisas envolvidas no manto do “sentimentalismo”... Confesso, por vezes fui às lágrimas. Nenhuma delas por tristeza. Um natal fecundo como fecunda ficou a nossa história com a encarnação de Deus no homem “Jesus” de Nazaré. Até mesmo a chuva veio abençoar-nos. Aqui, caiu mansamente e com poder. Como se não quisesse privar ninguém de sua presença e graça. [qualquer hora falarei quais sentimentos a chuva provoca em mim].

 

Sou grato a Deus pelas pessoas com as quais partilho bons momentos. Pessoas que me aceitam como eu sou. Sem restrições. Com cara de “cachorro bravo”, temperamento nem sempre bem temperado, humor nem sempre doce.

 

Uma canção especial é aquela do padre Zezinho, “Estou pensando em Deus”. Penso em Deus, na vida e na ação de Deus na minha vida. Constato com tristeza que tantos hoje fazem todo possível para por a fé na latrina. Muitos falam de Deus, mas não o vivem nem se permitem transformar.

 

Quando Deus vem a mim, desejo ir a Ele. Ir ao presépio, levar meus presentes, manifestar o meu canto afinado com a criação que recebe o redentor. Afinado com os homens meus irmãos necessitados de tão grande salvador. Afinado comigo que vivo às margens de mim à procura do eu que se perdeu nalgum momento da travessia. Afinado com o tempo que aceitou acolher o eterno.

 

Sei que meu desejo é forte, mas fortes ainda são meus medos. Eu creio naquele que me chamou. Ele é fiel. Com o salmista peço ao Senhor, “completai em mim a obra começada”. Instruí-me no caminho da justiça e nele me fazei firme. Vem Senhor Jesus, morar em mim!

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O ser humano não deu o próximo passo (ainda)”. (Içami Tiba)

Neste sentido, o ser humano pode mudar. O comportamento social deve ser pautado pela educação e cidadania. Pelo respeito ao outro. Não na busca do privilégio, mas no cumprimento fiel das regras sociais.

 

Todos são chamados a ter esperança. Até mesmo o papa Bento XVI nos convidou à pratica dessa virtude teologal com a sua Encíclica “spe salvi”. Paulo Freire, educador, asseverava que essa esperança é aquela do verbo esperançar e não do verbo esperar. Pois que tem esperança do verbo esperar, espera. E quem tem esperança do verbo esperançar, faz acontecer aquilo que espera. Afinal, querer é o combustível que vai fazer com que façamos o que devemos fazer!

 

Para pensar

Solidariedade vem de sólido. Solidário é aquele que dá solidez ao grupo.

Encontrei a imagem que possivelmente me reconcilie com "Papai Noel".

Diante dele se dobre todo joelho, no céu, na terra e nos infernos!

Toda boca proclame para a glória de Deus: Jesus Cristo é o Senhor!

MENSAGEM URBI ET ORBI DE SUA SANTIDADE BENTO XVI

«Santo é o dia que nos trouxe a luz. Vinde e adorai o Senhor! Hoje uma grande luz desceu sobre a Terra!»

 

Caros Irmãos e Irmãs!
«Santo é o dia que nos trouxe a luz». Um dia de grande esperança: nasceu hoje o Salvador da humanidade! O nascimento de uma criança traz normalmente uma luz de esperança para os que ansiosamente a esperam. Quando Jesus nasceu na gruta de Belém, «uma grande luz» apareceu sobre a terra; uma grande esperança entrou no coração dos que O esperavam: «lux magna», canta a liturgia deste dia de Natal. Não foi certamente «grande» como o mundo pensa, pois os primeiros a vê-la foram só Maria, José e alguns pastores, depois os Magos, o velho Simeão, a profetiza Ana: os que Deus tinha escolhido. No entanto, na humildade e no silêncio daquela noite santa, acendeu-se para cada homem uma luz esplêndida e inextinguível; chegou ao mundo a grande esperança portadora de felicidade: «O Verbo fez-Se carne e [...] nós vimos a sua glória» (Jo 1,14).

«Deus é luz - afirma S. João - e n’Ele não há trevas» (1 Jo 1,5). No Livro do Gênesis, lemos que, quando teve início o universo, «a terra era informe e vazia. As trevas cobriam o abismo». «Deus disse: “Faça-se a luz!”. E a luz foi feita» (Gn 1,2-3). A Palavra criadora de Deus - Dabar em hebraico, Verbum em latim, Logos em grego - é Luz, fonte da vida. Tudo foi feito por meio do Logos e sem Ele nada foi feito de tudo quanto existe (cf. Jo 1,3). Eis porque todas as criaturas no fundo são boas, e trazem em si o vestígio de Deus, uma centelha da sua luz. Porém, quando Jesus nasceu da Virgem Maria, a mesma Luz veio ao mundo: “Deus de Deus, Luz da Luz”, professamos no Credo. Em Jesus, Deus assumiu o que não era permanecendo aquilo que era: «a onipotência entrou num corpo infantil e não se privou do governo do universo» (cf. S. Agostinho, Serm. 184, 1 sobre o Natal). Fez-Se homem Aquele que é o criador do homem para trazer paz ao mundo. Por isso, na noite de Natal, cantam os exércitos dos Anjos: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do Seu agrado» (Lc 2,14).

«Hoje uma grande luz desceu sobre a Terra». A Luz de Cristo é portadora de paz. Na Missa da Meia Noite a liturgia eucarística iniciou precisamente com este canto: «Hoje desceu do Céu sobre nós a verdadeira paz» (Antífona de Entrada). Mais ainda, só a «grande» luz vinda de Cristo pode dar aos homens a «verdadeira» paz: eis porque cada geração é chamada a acolhê-la, a acolher a Deus que em Belém Se fez um de nós.

Isto é o Natal! Acontecimento histórico e mistério de amor que, há mais de dois mil anos, interpela os homens e as mulheres de cada época e lugar. É o dia santo em que brilha a «grande luz» de Cristo portadora de paz! Certamente, para reconhecê-la, para acolhê-la, é preciso fé, é preciso humildade. A humildade de Maria, que acreditou na palavra do Senhor e foi a primeira que, inclinada sobre a manjedoura, adorou o Fruto do seu ventre; a humildade de José, homem justo, que teve a coragem da fé e preferiu obedecer a Deus mais que preservar a própria reputação; a humildade dos pastores, dos pobres e anônimos pastores, que acolheram o anúncio do mensageiro celeste e à pressa foram à gruta onde encontraram o Menino recém-nascido e, cheios de maravilha, O adoraram louvando a Deus (cf. Lc 2,15-20). Os pequenos, os pobres em espírito: eis os protagonistas do Natal, ontem como hoje; os protagonistas de sempre da história de Deus, os construtores incansáveis do seu Reino de justiça, de amor e de paz.

No silêncio da noite de Belém, Jesus nasceu e foi acolhido por mãos carinhosas. E agora, neste nosso Natal em que continua a ressoar o feliz anúncio do seu nascimento redentor, quem está preparado para Lhe abrir a porta do coração? Homens e mulheres deste nosso tempo, Cristo vem trazer a luz também a nós, vem dar-nos a paz também a nós! Mas quem vigia, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração desperto e em oração? Quem espera a aurora do novo dia, mantendo acesa a chamazinha da fé? Quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se envolver pelo fascínio do seu amor? Sim! É para todos a sua mensagem de paz; é a todos que vem oferecer-Se a Si próprio como esperança certa de salvação.[...]

Com Maria, José e os pastores, com os magos e a multidão inumerável de humildes adoradores do Menino recém-nascido que, ao longo dos séculos, acolheram o mistério do Natal, também nós, irmãos e irmãs de cada continente, deixemos que a luz deste dia se propague em o todo lugar; entre nos nossos corações, ilumine e aqueça as nossas casas, traga serenidade e esperança às nossas cidades, dê paz ao mundo. Estes são os meus votos para vós que me escutais. Votos que se fazem prece humilde e confiante ao Menino Jesus, a fim de que a sua luz dissipe todas as trevas da vossa vida e vos encha do amor e da paz. O Senhor, que fez resplandecer em Cristo a sua face misericordiosa, vos sacie da sua felicidade e vos torne mensageiros da sua bondade. Feliz Natal!

Natal do Senhor

Leituras: Isaías 9, 2-4.6-7; Tito 2, 11-14; Lucas 2, 1-14

 

Glória e paz aos homens

 

 

Um antigo costume prevê para a festa do Natal três missas, chamadas respectivamente «da noite», «da aurora» e «do dia». Em cada uma, através das leituras que variam, apresenta-se um aspecto diferente do mistério, de forma que se tenha dele uma visão por assim dizer tridimensional. O evangelho da Missa da meia-noite se concentra no evento, no fato histórico. Descreve-se com uma desconcertante simplicidade, sem ostentação alguma. Três ou quatro linhas de palavras humildes e normais para descrever o acontecimento, o mais importante na história do mundo: a chegada de Deus à terra.

 

A tarefa de mostrar o significado e o alcance deste acontecimento é confiada pelo evangelista ao canto que os anjos entoam depois de ter dado o anúncio aos pastores: «Glória a Deus no alto do céu e paz na terra aos homens que ama o Senhor». No passado, esta ultima expressão se traduzia de maneira diferente: «Paz na terra aos homens de boa vontade». Com este significado, a expressão entrou no canto do «Glória» e se fez comum na linguagem cristã. Após o Concílio Vaticano II se costuma indicar com ela todos os homens honestos, que buscam a verdade e o bem comum, sejam ou não-crentes.

 

Mas trata-se de uma interpretação inexata e por isso atualmente em desuso. No texto bíblico original, trata-se dos homens aos quais Deus ama, que são objeto da boa vontade divina, não que eles tenham boa vontade. Deste modo, o anúncio é ainda mais consolador. Se a paz se outorgara aos homens por sua boa vontade, então se limitaria a poucos, aos que a merecem; mas como se outorga pela boa vontade de Deus, por graça, oferece-se a todos. O Natal não apela à boa vontade dos homens, mas é anúncio luminoso da boa vontade de Deus para com os homens».

 

A palavra-chave para entender o sentido da proclamação angélica é, portanto, a última, a que fala do «querer», do «amor» de Deus para com os homens, como fonte e origem de tudo o que Deus começou a realizar no Natal. Ele nos predestinou a ser seus filhos adotivos «segundo o beneplácito de sua vontade», escreve o Apóstolo; deu-nos a conhecer o mistério de seu querer, segundo o que havia estabelecido «em sua benevolência» (Ef 1, 5.9). O Natal é a suprema epifania daquele que a Escritura chama de filantropia de Deus, ou seja, seu amor pelos homens: «Manifestou-se a bondade de Deus e seu amor pelos homens» (Tito 3, 4).

 

Só depois de ter contemplado a «boa vontade» de Deus para conosco podemos ocupar-nos também da «boa vontade» dos homens: de nossa resposta ao mistério do Natal. Esta boa vontade deve se expressar mediante a imitação da ação de Deus. Imitar o mistério que celebramos significa abandonar todo pensamento de fazer justiça sozinhos, toda lembrança de ofensas recebidas, suprimir do coração todo ressentimento ainda justo, e isso com respeito a todos. Não admitir voluntariamente nenhum pensamento hostil contra ninguém; nem contra os próximos nem contra os distantes, nem contra os fracos nem contra os fortes, nem contra os pequenos nem contra os grandes da terra, nem contra criatura alguma que existe no mundo. E isso para honrar o Natal do Senhor, porque Deus não guardou rancor, não olhou a ofensa recebida, não esperou a que outro desse o primeiro passo até Ele. Se isso não é possível sempre, durante todo o ano, pelo menos o façamos no tempo do Natal. Assim esta será realmente a festa da bondade.

 

[Pe. Raniero Cantalamessa, ofm]

 

“Não pode haver tristeza quando nasce a vida!”

 

Para que se possa verdadeiramente celebrar o Natal faz-se mister recriar a atmosfera sagrada das suas origens religiosas. Para isso não é suficiente professar a fé ortodoxa: neste Menino está a Pessoa do Filho Eterno do Pai, subsistindo em duas naturezas, uma humana e outra divina, sem confusão, sem mutação, sem divisão, sem separação. Celebrar implica mais do que saber e refletir. Importa abrir o coração e alegrarmo-nos. Podemos pensar diante de uma criança? Podemos fazer doutrinas diante de uma vinda que se abre em flor? “Alegremo-nos: não pode haver tristeza quando nasce a vida!” (S. Leão Magno, 1º Sermão sobre o Natal, 1). Celebremos: não pode reinar indiferença quando a noite, de repente se ilumina!

 

Para celebrar cumpre exorcizar o medo inibidor. Ó criatura humana, porque temes com a vinda do Senhor? Ele não veio para julgar ninguém. Não nasceu para condenar. Por isso ele apareceu como criancinha. O seu chorinho é doce, não afugenta ninguém. A sua mãe enfaixou os seus bracinhos frágeis: porque ainda temes? Ele não veio armado para punir. Ele está ai franzino para ficar junto de nós e nos libertar. Celebra a chegada do maior amigo! Canta aquele que foi sempre, no sono e na vigília, esperado e ansiado. Ele chegou! Enfim!

 

Cabe a cada um criar a festividade da festa, fazer silêncio no seu coração, preparar a alma e reconciliar-se com todas as coisas. Só assim a festa se deixa saborear. A nossa meditação visa aprofundar os motivos da alegria. Não temos a alegria dos bobos-alegres que são alegres sem saber por quê. Temos motivos para o júbilo radiante, para a alegria plena e para a festa solene: Deus fez-se pessoa humana e veio morar na nossa casa. Que significa isto? Celebrar esta alviçareira noticia supõe mostrar os motivos da alegria e dar razões da festa.

 

(BOFF, L. “Natal - a humanidade e a jovialidade do nosso Deus”. 5 ed. Petrópolis: Vozes, 2000. pp. 11-12)

Pela importância do debate e dos bons argumentos apresentados, publico neste blog o que Reinaldo Azevedo o fez em seu blog (link no menu ao lado direito da tela)... Católicos, não tenhamos medo de viver, denunciar e anunciar a nossa identidade cristã e a favor da vida, sempre!!!

Sábado, Dezembro 22, 2007


Honestidade intelectual, sim?

Olhem, é meio chato repetir a essência de certos argumentos, sei disso. Às vezes, noto uma disposição de algumas pessoas de não entender o que lêem: não é incapacidade, mas escolha. Contra isso, não há argumentação convincente. Vira um diálogo de surdos. O sujeito faz uma objeção, você a desmonta, e ele: “Tudo bem, mas...”. O “tudo bem” quer dizer que ele acata a sua contradita, o “mas”, que não acata. Vira esquizofrenia.

Se alguém me disser quer a posição da Igreja Católica em relação à camisinha está na contramão de toda a metafísica influente, concordarei sem objeções. Se alguém afirmar que ela é “reacionária” no sentido em que reage ao discurso moderno, idem. Como negar o que é dado pelos fatos?

Mas atribuir à Igreja Católica a responsabilidade, marginal que fosse, pela expansão da aids, aí é desonestidade intelectual mesmo, da brava. A instituição fala a seus fiéis. Cumprida as suas prescrições, ter-se-ia um poderoso instrumento contra o alastramento da doença. Há, ademais, a questão fundamental: segundo a Igreja, não se deve pecar contra a castidade e a fidelidade no casamento. Isso fecha a equação. Ademais, a orientação aos fiéis no que concerne ao sexo não tem como objetivo principal conter o avanço da aids.

Bem tudo isso é conhecido, sabido e irrespondível. Aí vem o “tudo bem, mas”. E o “mas” aponta uma monstruosa ignorância específica. Repararam? Ninguém e mete no “sexo budista”, no “sexo islâmico”, no "sexo judaico", no “sexo hinduísta”, no “sexo animista”, mas todo mundo quer dar pitaco no “sexo católico”.

A distorção mais freqüente é aquela que garante — e cansei de ouvir esta besteira — que os católicos só liberam as relações sexuais com fins reprodutivos. É uma tolice. O que a Igreja afirma é a unicidade do casal (e, por isso, a união indissolúvel a não ser pela morte), que considera sagrada. O ato sexual, para a Igreja, é parte dessa comunhão. Digam-me onde está escrito ou prescrito que uma mulher que tenha encerrado seu ciclo reprodutivo, por exemplo, está proibida de manter relações sexuais com seu marido. Não está. E, nesse caso, o sexo não traz a possibilidade da procriação. O mesmo vale para um casal estéril — marido, mulher ou ambos. Sara era estéril. E, é fato, só se sabia assim porque, presume-se, havia mantido uma vida sexual ativa com Abraão. Por isso riu, desconfiada e um tanto desdenhosa, quando Deus anunciou que iria engravidar. Já era uma mulher velha.

De novo: pode-se considerar essa visão de mundo antimoderna, conservadora, reacionária, sei lá o quê — ainda que ela seja uma orientação AOS CATÓLICOS (e, é fato, há contido aí um norte ético dirigido a todos os homens). Mas seguir tal padrão é uma escolha, um ato volitivo. “Ah, mas a Igreja faz pressão pública contra o aborto, as políticas contraceptivas etc”. Faz, sim. Menos do que dizem, mas faz. E entendo que o faz dentro do ambiente da liberdade religiosa. Ou vamos amordaçar os católicos?

Encerro este post observando que, para certo pensamento politicamente correto, todo preconceito é detestável (e, neste particular, estou com ele), menos o preconceito anticatólico. Digam-me um só dos males remanescentes no mundo moderno ou típicos dele que tenha sua origem no catolicismo. Aids? Pode-se contraí-la de muitas maneiras. Seguindo a orientação católica é que não.

Detestem à Igreja à vontade. Mas com um mínimo de honestidade intelectual.
Por Reinaldo Azevedo | 17:49

Natal Cristão é...

“o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14).

 

 

Natal cristão é celebrar o aniversário de Jesus com Ele.

É permitir a Maria e José renovarem a experiência de Belém em nossa própria família.

É anunciar e testemunhar a Palavra da Vida, que estava junto do Pai e se tornou visível para nós (cf. 1 Jo 1,1-2).

É redescobrir o amor misericordioso do Pai, revelado no rosto de Jesus.

É descobrir na Palavra feita carne a pedra angular de nossa vida cristã.

É indicar o Cordeiro de Deus aos que querem ver e seguir Jesus Cristo.

É despertar para Deus o mundo anestesiado pelas concupiscências da carne.

É ter a esperança de que o Senhor vem para transformar em jardim florido o deserto de nosso egoísmo.

É encurtar a distância que nos separa dos/as irmãos/ãs mais desprotegidos/as.

É carregar nas crianças abandonadas o Menino de Belém. É defender, proteger e cuidar da vida dos não-nascidos.

É enxugar as lágrimas dos que choram e repartir misericórdia com os mais carentes e pequeninos da sociedade.

É descobrir novas razões para acolher Cristo em nossa vida pessoal e fazer com Ele um encontro vivo.

É continuar no próprio coração a Encarnação do Verbo eterno...

O Natal que desejo ardentemente a cada Comunidade é: fazer de nosso coração um oásis de ternura e amor, especialmente para os prediletos do Pai. No Novo Ano, “Deus-conosco” nos acompanhe em nosso peregrinar na fé e na esperança. Maria, “Estrela e Mãe da esperança”, nos ensine a crer, esperar, amar e a “fazer tudo o que Ele nos disser” (Jo 2, 5).

 

[Dom Nelson Westrupp, scj].

 

IV Domingo do Advento

Leituras: Isaias 7,10-14; Salmo 23; Romanos 1,1-7; Mateus 1,18-24

 

1. Celebramos hoje o quarto domingo do Advento, enquanto se fazem os preparativos para a festa de Natal. A Palavra de Deus, na liturgia, ajuda-nos a concentrar a atenção no significado deste acontecimento salvífico fundamental, que é, ao mesmo tempo, histórico e sobrenatural. «Olhai: a virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel: Deus connosco» (Is 7,14). Esta profecia de Isaías reveste uma importância capital na economia da salvação. Garante que "o próprio Deus" dará um descendente ao rei David como "garantia" da sua fidelidade. Esta promessa realizou-se com o nascimento de Jesus, da Virgem Maria.

 

2. Para atingir o significado e o dom de graça do Natal já eminente, devemos, portanto, pôr-nos na escola de Nossa Senhora e do seu esposo José, que contemplaremos no presépio em adoração extática do Messias recém-nascido. Na página evangélica de hoje, Mateus põe em evidência o papel de José, que define como homem «justo» (Mt 1,19), sublinhando com isto como ele está completamente voltado para a realização da vontade de Deus. Precisamente, pelo motivo desta justiça interior, que em última análise coincide com o amor, José não deseja repudiar Maria, mesmo dando-se conta da sua gravidez incipiente. Pensa «deixá-la secretamente» (Mt 1,19), mas é convidado pelo anjo do Senhor a não temer e a levá-la consigo. Aparece aqui um outro aspecto essencial da personalidade de José: ele é homem aberto à escuta de Deus na oração. Pelo anjo fica a saber que «aquele que ela concebeu é obra do Espírito Santo» (Mt 1,20), conforme a antiga profecia: «Olhai: a virgem conceberá...» e está pronto a acolher os desígnios de Deus, que ultrapassam os limites humanos.

 

3. Em suma, pode definir-se José como um autêntico homem de fé, assim como a sua esposa, Maria. A fé conjuga justiça e oração, e é esta a atitude mais adequada para encontrar o Emanuel, o Deus-connosco. Crer, de facto, significa viver abertos, na história, à iniciativa de Deus, à força criadora da sua Palavra, que em Cristo se fez carne, unindo-se para sempre à nossa humanidade. A Virgem Maria e São José nos ajudem a celebrar assim, de modo frutuoso, o nascimento do Redentor.

 

[João Paulo II, Angelus, 23/12/2001]

 


Domingo sem missa é semana sem Graça, sem alegria nem paz!

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. Paroquial de Caiuá e de Piquerobi

Blog “Tudo tem seu tempo” http://sandrogerio.zip.net

 

Político e Cristão

Já devo ter dito aqui e alhures, sou apaixonado pela vida política (mas não sou “político de profissão”). Acompanho sessões do Congresso Nacional (Câmara e Senado). Leio e reflito diariamente as notícias da política e o modo como são apresentadas. Também gasto tempo nos comentaristas políticos, os blogs hoje são “essenciais”.

Confesso que há dias em que as entranhas se estranham com o mundo real. E de tão real vontade dá de parar e procurar outros assuntos “hobbies”. Consumo meu tempo entre notícias e os temas próprios à minha ocupação (administrador paroquial e conselheiro espiritual dos fiéis). Não sei se consigo alcançar nem a harmonia nem o equilíbrio entre as atividades.

Não quero que você se apresse a me dizer o que já sei. Minha atividade é como de qualquer pessoa, política! Faço política. Estou incluído nesta arte de favorecer a harmonia da convivência e na busca do bem comum.

Todos os dias tenho bons motivos para expressar o que eu penso, mas nem sempre tenho a paciência de organizar as idéias e pô-las no “papel” (hoje, podemos no Word).

Ás vezes, chego à beirada do abismo. Aquela vontade de desesperar das pessoas e de mim. Por exemplo, o “jejum e oração” proposto por dom Cappio (o franciscano bispo da Barra/BA contrário ao atual modelo de transposição das águas do rio São Francisco). Eu não concordo. Entretanto, têm-se dito e escrito tantas coisas de forma grosseira e desprovida de senso de tolerância inacreditáveis.

Faz alguns dias escrevi que mesmo contrário devíamos (e eu o faria) rezar pelo bispo e pelo povo (seja o povo que não quer perder a água do rio, seja o povo que quer ganhar a água do rio).

Agora a pouco, ri bastante com afirmação do presidente Lula que nos anos 1980, na prisão, ficou seis dias em “greve de fome”. Segundo ele apenas “tomava água com sal”. E arremata (com aquilo que achei engraçado). Eu sei como é greve de fome. Dá uma fome.” (hehehe).

Deixando de lado a brincadeira e a graça dessa triste verdade, a Igreja continua sendo atacada despudoradamente por todos os meios. Quase sempre as maiores flechas vêm daqueles que se arvoram “cristãos e católicos”. Somos livres para expressar o que somos e o que pensamos, mas nem sempre somos capazes de acolher o diferente e os meios destes agirem como tais.

Não espero que o “mundo todo” nos compreenda nem nos siga nem nos dê razão. Da mesma forma, não gostaria de ser atacado só por ser diferente ou por defender aquilo que cremos e procuramos (mesmo que timidamente) viver.

Salve, nossa esperança e luz!

 

  A todos feliz Natal. O Papa Bento XVI nos presenteou neste Natal com a bela e profunda carta-encíclica sobre a esperança: ‘‘Spe salvi’’. Na esperança é que fomos salvos. Num mundo de depressão, de derrotismos e de apocalipses, somos chamados a ser pessoas de esperança.

 

  O Menino de Belém é nossa esperança e luz. Sua mãe esperou o nascimento do Menino e agora espera seu crescimento e felicidade. São muitas as esperanças. O guarda espera pela aurora, o agricultor espera pela colheita, a gestante espera o parto, o atleta espera a vitória, o preso espera a liberdade, o doente espera a saúde, a criança espera crescer.

 

  Jesus foi esperado por longos anos, desde os oráculos dos patriarcas, as pregações dos profetas, as promessas do Antigo Testamento. Natal é a realização destas profecias, promessas, é esperança de um mundo novo sob a luz do Evangelho.

 

  Jesus de Nazaré, por sua vez, abriu as portas do futuro e da eternidade. Falou-nos da vida eterna, da casa do Pai, do reino da luz. Todos somos esperados na eternidade para o abraço, a coroação, a glória, a vida plena e sem fim que Jesus nos mereceu. Nossa vida tem futuro, tem rumo, meta, enfim tem um porto aonde chegar. Nossa morte será nosso verdadeiro dia natalício. Nascemos para a outra vida. Tudo vai acabar no ‘‘Natal’’ que esperamos, onde a morte será como que um parto, uma porta, um nascimento para o céu.

 

  O Papa fala de quatro lugares de exercício da esperança: a oração, a ação, o sofrimento, o juízo final. Quem reza, espera em Deus e na solução dos problemas. O orante é um ‘‘ministro da esperança’’. O trabalho, a ação, o agir cotidiano são atos de esperança porque expressam o sentido da vida, a coragem de ser, a expectativa de melhores dias. O sofrimento é escola da esperança. Esperamos a recuperação, a consolação, a melhora. A dor nos amadurece e santifica. O juízo final é a esperança do novo céu e da nova terra, onde todas as criaturas participarão da glória de Deus.

 

  As pessoas de esperança dizem: hoje é melhor do que ontem; saibamos tirar o bem do mal; aprendamos com os erros; sejamos melhores do que somos; façamos dos problemas um desafio e possibilidade de vitória; ocupação sim, preocupação não; transformemos a dor em amor e vigor.

 

  Seja este Natal, uma festa da esperança porque o amor de Deus nos visitou, Jesus nos salvou, o deserto agora é jardim, o Menino é o príncipe da paz, os magos mudaram de convicção, os pastores são anunciadores, os anjos ordenam a todos que não tenham medo, mas que todos estejamos repletos de alegria. Confiantes esperemos sempre no amor de Deus. Não sejamos profetas da desgraça mas ministros da esperança. Senhor, confiamos esperando no vosso amor.

 

[Dom Orlando Brandes] (alterado às 14:27 do dia 23/12)

 

Perene Pentecostes

 

Preparando-me para o dia de retiro mensal com as Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados (Lar São Rafael, Pres. Prudente), fui profundamente tocado pelos textos recolhidos pelo Padre Raniero Cantalamessa na segunda pregação do advento na casa pontifícia (Papa e seus colaboradores). Acredito que esse padre não passa incólume por nenhum de seus ouvintes. Ele é como diz o destaque abaixo cheio de "fogo no coração, palavras nos lábios e profecia no olhar". O que segue são apenas duas breves citações de papas. [oportunamente, resgatarei mais conteúdos dessas pregações].

 

[...] todos estamos chamados a não permanecer fora desta «corrente de graça» que a Igreja do pós-Concílio atravessa.

João XXIII falou, em seu tempo, de um «novo Pentecostes»;

Paulo VI foi além e falou de um «perene Pentecostes», de um Pentecostes contínuo. Vale à pena voltar a ouvir as palavras que ele pronunciou em uma audiência geral:

«Perguntamo-nos mais de uma vez… qual é a necessidade, primeira e última, que advertimos para esta nossa bendita e amada Igreja. Temos de dizer quase tremendo e suplicando, já que, como sabeis, trata-se de seu mistério e de sua vida:

o Espírito, o Espírito Santo, o animador e santificador da Igreja, sua respiração divina, o vento que sopra em suas velas, seu princípio unificador, sua fonte interior de luz e força, seu apoio e seu consolador, sua fonte de carismas e cantos, sua paz e sua alegria, sua prenda e prelúdio de vida bem-aventurada e eterna. A Igreja necessita de seu perene Pentecostes: necessita do fogo no coração, palavra nos lábios, profecia no olhar A Igreja necessita recuperar o ímpeto, a satisfação, a certeza de sua verdade».

 

São José - justo, fiel e obediente

“Quando José acordou,

fez o que o Anjo do Senhor

lhe tinha prescrito”

 

 Ao iniciar a sua peregrinação, a fé de Maria encontra-se com a fé de José. Se Isabel disse da Mãe do Redentor: «Feliz daquela que acreditou», esta bem-aventurança pode, em certo sentido, ser referida também a José, porque, de modo análogo, ele respondeu afirmativamente à Palavra de Deus, quando esta lhe foi transmitida naquele momento decisivo. A bem da verdade, José não respondeu ao «anúncio» do anjo como Maria; mas «fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa». Isto que ele fez é puríssima «obediência da fé» (cf. Rm 1, 5; 16, 26; 2 Cor 10, 5-6).

Pode dizer-se que aquilo que José fez o uniu, de uma maneira absolutamente especial, à fé de Maria: ele aceitou como verdade proveniente de Deus o que ela já tinha aceitado na Anunciação. O Concílio ensina: «A Deus que revela é devida a “obediência da fé” (...); pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus, prestando-lhe “o obséquio pleno da inteligência e da vontade” e dando voluntário assentimento à sua revelação». Esta frase citada, que diz respeito à própria essência da fé, aplica-se perfeitamente a José de Nazaré.

 

Ele tornou-se, portanto, um depositário singular do mistério «escondido desde todos os séculos em Deus» (cf. Ef 3, 9), como se tornara Maria, naquele momento decisivo que é chamado pelo Apóstolo «plenitude dos tempos», quando «Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher... para resgatar os que se encontravam sob o jugo da lei e para que recebêssemos a adoção de filhos» (Gl 4, 4-5).

 

Deste mistério divino, juntamente com Maria, José é o primeiro depositário... Tendo diante dos olhos os textos de ambos os Evangelistas, São Mateus e São Lucas, pode também dizer-se que José foi o primeiro a participar na mesma fé da Mãe de Deus e que, procedendo deste modo, ele dá apoio à sua esposa na fé na Anunciação divina. Ele é quem primeiro foi posto por Deus no caminho da «peregrinação da fé» de Maria... A caminhada própria de José, a sua peregrinação da fé terminaria antes... E, contudo, a caminhada da fé de José seguiu a mesma direção.

 

[João Paulo II – Redemptoris custos, §4]

A Palavra de Deus se fez carne

 

Não posso partilhar todos os meus sentimentos. Afinal, recuso lançar as minhas “pérolas” em vão. Nem todos seriam capazes ou sinceros no dever de cuidá-las com esmero.

Também sei que os sentimentos muitas vezes são confusos. Oscilam. Não vão ao ritmo do amor, mas no do humor.

Algumas chateações ficam reservadas a mim e a Deus! Ele me conhecendo e me concedendo a graça de relevar todos os vãos momentos de ofensa, seja pela palavra, seja pelo gesto. Eu acolhendo aquilo que Ele me dispõe.

 

As pessoas têm dons. Alguns são senões, passíveis de revisão. Nas conversas muito se diz. Nas pausas, muito se semeia [a pausa é como o tempo de repouso da massa do pão caseiro que cresce; é ainda como a espera paciente do agricultor que, tendo lançado semente a terra, espera que esta logo germine, se faça árvore e dê frutos].

 

Entre a palavra e o silêncio. O segundo será sempre mais interessante que o primeiro quando este não for melhor que o outro. Simplificando. Quando a palavra a ser dita não é melhor que o silêncio, mantenha-se calado. O mundo agradece aos falantes silenciados na hora adequada. Garanto, são muitos os exemplos para a tese acima apresentada.

 

Mas na vida espiritual me parece o desafio maior ainda é distinguir uma coisa de outra. O discernimento não é dom comum a todos. Há pessoas que falam quando seria melhor se calar. Outras que se calam, quando melhor seria falar. Saber a hora certa de usar a palavra certa pra pessoa certa continua exercício requerido, necessário e desafiador a todos!

 

No silêncio, contemplo o Verbo de Deus feito carne (cf. Jo 1,14). Vejo quantas palavras gastamos pra dizer o que o silêncio seria suficiente pra acolher e fazer germinar em cada uma e em todas as pessoas. Nossas almas necessitam mais contemplação. Estamos saturados de palavras, de imagens. Há cansaço na busca quando nos perdemos em meio às muitas coisas que se nos apresentam e não sabemos ao certo o que buscamos. Estamos gastando muito “latim” sem saber do que se trata. Repitamos como Maria “faça-se segundo a sua vontade [Senhor]” e como ela também, silenciemos, guardando tudo no coração.

 

Santo Agostinho (de Hipona) confessava-se ao Senhor: “quanto tempo te busquei por ai [nas criaturas e no mundo], enquanto estavas o tempo todo aqui, em mim. No mais íntimo [em meu coração]”. O vazio nos faz desejar a superfície. A sede de Deus nos lança para águas mais profundas e às fontes que surgem no deserto, como cumprimento fiel das promessas do Senhor.

 

Que a Santa Palavra de Deus tome conta de mim e de você leitor/a e dela nos faça discípulos. Seja não só o silêncio de Maria, mas também o de São José – homem justo (cf. Mt 1,19). Aquele que foi fecundado na entrega obediente ao projeto salvífico de Deus.

 

Especialmente nesta semana proponho-me ficar à escuta daquilo que o Senhor me diz. “Fala-me Senhor, teu servo escuta!”. Concede-me também o dom do discernimento! Sabendo distinguir uma coisa de outra, eu saiba compreender antes de julgar e amar antes de condenar e odiar. Amém!

Viva o Menino Jesus

 

* Neste 3º Domingo do Advento (Domingo da Alegria) no Vaticano, o Santo Padre, o papa, abençoa as imagens do Menino Jesus que serão levadas pelos fiéis para armar o presépio em suas casas. Eis a ocasião propícia para perguntar a você, leitor/a se em sua casa há o boneco do papai Noel. Se você armou o presépio. Se você instrui seus/as filhos/as sobre o sentido original do Natal, que é o Nascimento do Menino Jesus.

 

* Faz alguns dias um amigo me perguntou por que sou tão contrário ao “Papai Noel”. Meu pai (falecido) chama-se Noel. Ele nunca me repreendeu [acredito que por não merecer], menos ainda com violência. Foi bom pai! Entretanto, voltemos ao “bom velhinho”. Não sou “tão contrário ao Papai Noel”. Apenas lamento que por causa dele as crianças não sejam instruídas na singeleza da festa natalina. Por causa dele e do apelo consumista que tem, não se permita às pessoas acolher o presente de Deus [“um menino nos foi dado”] e as faça esperar por “presentinhos” (seja dos shoppings, seja do Paraguai, seja da “25 de março” (calçadão ou camelódromo)).

 

* Até mesmo nas casas cristãs, têm-se a figura do tal “bom velhinho”, mas falta espaço para o Menino de Nazaré. Aquele que nascido de Maria, nos salva! O Emanuel (Deus-conosco). De fato, quando não temos Deus como causa da felicidade e do amor, fazemos do “amor” e da “felicidade” deuses.

 

* Com minha campanha contrária a ele, desejo tão somente retornar ao essencial do Natal: O Nascimento de Jesus (O Verbo se fez carne!!!). Faça festa. Enfeite-se de Papai Noel, mas, não deixe de abrir as portas do seu coração, da sua família e da sua casa ao Deus que deixou o céu e se fez um de nós. Abra suas portas ao Salvador.

 

* Neste natal, Abaixo o Papai Noel. Viva o Menino Jesus!

O menino Jesus e o Papai Noel

 

Papai Noel,

nossas crianças precisam de símbolos, de histórias, do ‘‘faz-de-conta’’, além de contos de fada, etc.

 

Você, Papai Noel,

veio do norte europeu, tinha o nome de São Nicolau, andava distribuindo presentes. Todavia, você sabe que as coisas mudaram, na verdade, no passado você representou o Pai que nos deu seu Filho. Precisamos da paternidade.

 

Hoje, Papai Noel,

você não representa mais nada disso. Sei que esta conversa não vai lhe agradar e, por isso, peço desculpas já antecipadamente. Sim, no Natal, o centro é uma criança pobre, humilde, sem-teto, desalojada, na periferia, cheirando esterco. ‘‘Um Menino nos foi dado’’ (Is 9,5). O aniversariante, o dono da festa é Jesus nascido em Belém, cidade do pão, ou seja, da partilha, da solidariedade.

 

Você, Papai Noel,

veio do comércio, do mercado, é um marqueteiro do consumismo, um sedutor de crianças, porta-voz das vitrines e compras.

Ninguém, Papai Noel, é contra a festa, os presentes, a alegria. Mas, nossas crianças acabam esquecendo o Menino que colocou a criança no centro de seu reino. Elas, hoje, são fascinadas pelo consumismo e com voracidade viverão seu futuro como escravas da moda, das compras e do desperdício. Jesus foi desalojado e as lojas endeusadas. Desde aquele tempo até hoje, Deus foi despejado, excluído, abandonado: ‘‘Não havia lugar para eles.’’ (Lc 2,7).

 

Que pena! Muita gente não acredita mais em nada, nem no Menino e muito menos em você, Papai Noel. Nosso Natal cristão virou feriadão. Apagam-se as luzes da fé e acendem-se as do comércio. O Velho matou o Menino. É verdade que temos gestos lindos de solidariedade, encontros familiares, celebrações litúrgicas. Eis o Natal com Jesus, com o aniversariante, com Maria, José, os anjos, os pastores, os magos. Estes últimos abandonaram suas riquezas, horóscopos e adoraram Jesus. Encontraram o verdadeiro caminho: o Menino e sua Mãe.

 

Papai Noel,

você não precisa desaparecer. Mas precisa mudar. Reconhecemos que você faz gestos humanitários nos hospitais, nas fábricas, etc. Faça como o velho Simeão no templo e ajude-nos a dar o Menino Jesus para as crianças. Que o Menino seja conhecido, amado e seguido. Natal é a história de uma gravidez não abortada, é uma festa de fé, esperança e amor que todos os domingos é celebrada na liturgia. Demos um lindo presente ao Menino: os nossos pecados e um grupo de reflexão.

 

Natal é festa da encarnação, da salvação, da partilha, da solidariedade. Nasceu o Príncipe da Paz. Seu trono é fundado na Justiça e no Direito. O Menino de Belém, com Maria e José, abençoem e nos confirmem no verdadeiro espírito de Natal. Com hinos de glória a Deus nas alturas e com gestos de paz, nos tornaremos mais humanos, alegres, verdadeiros, sensíveis, solícitos e bons. Depois que Jesus veio não podemos viver num mundo sem Jesus e numa sociedade pós-humana. Vamos renascer neste Natal, recuperar o que foi perdido e reencantar-nos pelo Menino.

 

[Dom Orlando Brandes é Arcebispo de Londrina]

Advento

 

Advento significa preparação para a vinda do Messias na carne quente e humana de Jesus Cristo na festa do Natal. Advento simboliza ainda a preparação da humanidade para a chegada do Salvador do mundo. E Ele já veio. Por isso não deveria em si haver mais o tempo do advento. O tempo da espera e das trevas já passou e andamos à luz do Esperado que já irrompeu. Por que então festejamos ainda o advento? Não é só rito litúrgico e um tempo que prepara o Natal? Não.

 

O advento é também o nosso tempo, depois da encarnação de Deus. É verdade que Deus veio de forma definitiva para dentro de nossa pequenez, mas, apesar disso, Ele é sempre aquele que ainda deve vir e continua chegando para cada um e para todo o mundo. Cada um vive no Antigo Testamento de si mesmo porque vive na imperfeição e no pecado, no desejo da redenção e na ânsia do Libertador.

 

Os tempos messiânicos foram inaugurados com o Messias Jesus, mas não se completaram ainda. Não é ainda verdade aquilo que Isaías sonhou para os tempos ridentes do Messias: o lobo ainda não é hóspede do cordeiro, a pantera não se deita ao pé do cabrito, nem o touro e o leão comem juntos; não é verdade ainda que a vaca e o urso se confraternizam e o leão come palha com o boi; não é ainda verdade que a criança de peito brinca à toca da serpente e o menino crescidinho mete a mão no buraco do escorpião (Is 11,6-8).

 

Numa palavra: a reconciliação do homem com o outro homem e com a natureza é ainda um suspiro dolorido. Cremos que fomos libertados por Jesus Cristo, entretanto, nos sentimos tão pecadores como o homem pré-cristão. Não se realizou a profecia de Jeremias para o nosso tempo, de que Deus colocaria no nosso interior a sua lei santa e Ele mesmo a escreveria em nossos corações (Jr 31,33).

 

Toda esta situação nos convence: hoje é ainda advento. Temos que esperar a vinda de Deus que modificará o estado calamitoso deste mundo realizando os sonhos dos antigos profetas e as nossas próprias esperanças. Cada ser humano carrega dentro de si uma riqueza que não alcança ser mostrada durante nosso percurso terrestre. Não nos realizamos totalmente, por mais que nos esforcemos. Estamos sempre no advento de nós próprios.

 

Mas um dia, tudo florescerá em nós quando Deus mesmo se revelar a nós próprios; então não haverá mais advento; será Natal eterno; Deus terá nascido e se revelado definitivamente dentro de nosso coração. O advento cristão professa: em alguém, em Jesus, Deus se manifestou totalmente. Nele a espera expirou.

 

Para nós, advento significa então: esperar e preparar-se para que aquilo que se revelou em Cristo se revele também em nós. Enquanto isso não acontecer, suplicamos como os primeiros cristãos: Vem, Senhor Jesus! Vem! É o nosso advento cristão.

 

Leonardo Boff

Oração diante do presépio



Menino das palhas, Menino Jesus,
Menino de Maria, aqui estou diante de ti.
Tu vieste de mansinho, na calada da noite,
no silêncio das coisas que não fazem ruído.
Tu é o Menino amável e santíssimo,
deitado nas palhas porque não havia lugar
para ti nas casas dos homens
tão ocupados e tão cheios de si.

Dá a meus lábios a doçura do mel
e à minha voz o brilho do cantar da cotovia,
para dizer que vieste encher de sentido
os dias de minha vida.

Não estou mais só: tu és o nosso companheiro
de minha vida. Tu choras as minhas lágrimas
e tu te alegras com minhas alegrias
porque tu és meu irmão.

Tu vieste te instalar feito um posseiro
dentro de mim e não quero que teu lugar
seja ocupado pelo egoísmo que me mata
e me aniquila, pelo orgulho que sobe à cabeça,
pelo desespero.

Sei, Menino de Maria, que a partir de agora,
não há mais razão para desesperar
porque Deus grande, belo,
Deus magnífico e altíssimo
se tornou meu irmão.

Santa Maria, Mãe do Senhor e Palácio de Deus,
tu estás perto do Menino que envolves
em paninhos quentes.

José, bom José, carpinteiro de mãos duras,
e guarda de meu Menino das Palhas,
protege esse Deus que se tornou
mendigo de nosso amor.

Menino Jesus,
Hoje é festa de claridade e dia de luz.
Tu nasceste para os homens na terra de Belém.

...

Santa Luzia

 

- Comemorada em 13/12 -


séc. III e IV - mártir - "Luzia" vem de "Lúcia" e quer dizer "aquela que é luzente como a aurora, iluminada" - É invocada contra a cegueira do corpo e da alma.  

Ó Virgem admirável, cheia de firmeza e de constância, que nem as pompas humanas puderam seduzir, nem as promessas, nem as ameaças, nem a força bruta puderam abalar, porque soubeste ser o templo vivo do Divino Espírito Santo. O mundo cristão vos proclamou advogada da luz dos nossos olhos, defendei-nos, pois de toda moléstia que possa prejudicar a nossa vista. Lançai-nos a luz sobrenatural da fé, esperança e caridade para que nos desapeguemos das coisas materiais e terrestres e tenhamos a força para vencer o inimigo e assim possamos contemplar-vos na glória celeste. Amém.

 

 

Oração da cura de nossas cegueiras

 

Deus, nosso Pai, quisestes que S. Luzia fosse a protetora de todos os que sofrem de algum problema de visão. A seu exemplo, tornai-nos luminosos pela fé, e resplandecentes pela esperança. Libertai nossos corações da tristeza, da angústia ou qualquer aflição que possam obscurecer nossa vida, fazendo-nos tropeçar a cada passo, longe de vós. Luz de toda luz, Sol eterno, Guia certo de nossos destinos incertos...Curai também, senhor, a nossa cegueira quando não quisermos ver as injustiças e reconhcer os erros que praticamos. Curai-nos, pois, embora tendo vista, tantas vezes não enxergamos o bem do próximo, o bem de todos, mas apenas nossos interesses, as vantagens próprias, nosso bem menor.

:-)

Natal sem Jesus é festa roubada!!!

Abaixo o papai Noel. Viva o menino Jesus!

 

 

[capa do jornal diocesano, Anúncio, dez/2007]

 

Eis o natal!

Há tempos o espírito consumista tem insistido na data. Pena seja para fazer-nos esvaziados de sentido e de vida. Para ofertar-nos “papai Noel” e seu saco de futilidades “promocionais”. Nesses dias, muitos se fartarão de alimentos e se saciarão de bebidas sem se dar conta de permitir ao Menino-Deus um lugarzinho na “sua” festa feita em nome dele.

“Naqueles tempos”, José e Maria procuravam um lugar para o Filho do Altíssimo nascer, mas em Belém só encontravam “portas fechadas”. Daí foram a um lugar “portas abertas”. Um lugar, digamos, pouco digno para tão alta personalidade nascer. Ahhh! Ele não queria ostentação. O seu “reino não é deste mundo”. O mistério do seu nascimento ganhou contornos novos. Especialmente, traduziu peremptoriamente que Deus se faz próximo dos pobres, dos humildes... dos que estão “portas abertas”.

Tendo nascido na gruta de Belém, o Emanuel (Deus-conosco) trouxe a esperança aos corações dos humanos que não lhe puderam nem quiseram abrir as suas portas. Hora passada, os anjos prorrompem em louvores ao altíssimo por tão alta graça: ter-se esvaziado de si e nos preenchido de um dom inigualável. Ele veio ser um de nós. Assumir nosso rosto. Pisar nosso chão. Ter os contornos de nossa humanidade. Exceto a igualdade no pecar. Entretanto, se fez “maldito” por nós. Carregou sobre si nossas transgressões.

Elevemos a Deus um hino de louvor e gratidão, pois sua bondade é sem fim e sua misericórdia de geração em geração chega a todos os que o temem.

Como estão as suas portas: abertas ou fechadas? Jesus nascerá onde houver “portas abertas”. Que tal abrir suas portas?!

 

Pela vida, sempre!

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. Paroquial de Caiuá e de Piquerobi

Blog “Tudo tem seu tempo” http://sandrogerio.zip.net

* O mundo vive um déficit de esperança! Só Deus pode salvar o homem e dar sentido e certeza à sua existência.

 

Leia a nova encíclica do Papa Bento XVI "Spe salvi"

 

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html

Sobre a conversão

 

Para criar comunhão entre as pessoas é necessária a conversão. João Batista clama por ela: “convertei-vos, porque o Reino de Deus está próximo… Praticai ações que se conformem ao arrependimento que manifestais... toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo!

 

Conversão (metanóia) é mudar o modo de pensar e de atuar para que nossos pensamentos e nossas obras pareçam cada dia mais às de Jesus.

 

Um exemplo sobre a conversão é o que segue.

Imaginemos uma família em viagem de Presidente Prudente/SP a Curitiba/PR. Ao parar num posto de combustíveis o frentista pergunta: “para onde vocês estão indo?”. O motorista responde: “A Curitiba/PR”. Surpreso o frentista diz: “vocês estão na direção totalmente contrária. Por aqui vão chegar a Campo Grande/MS”. O motorista, confiante, lhe diz: “não se preocupe, comungamos antes de sair de Pres. Prudente, fizemos uma promessa e estamos todos rezando o terço aqui no carro” [lembre-se de que isso é apenas um exemplo imaginário!].

 

Conclusão: se não muda a direção, se não se converte, essas práticas não servirão para nada.

 

Características da CONVERSÃO

 

A seguir, quatro características do processo de conversão. Espero seja útil pra você tanto quanto para mim. Repito e insisto, o tempo do advento é propício para a revisão da qualidade de nossa fé. A conversão deve ser:

 

I- Profunda:

A conversão deve alcançar as raízes do nosso interior e mudar o modo como decidimos as ações. Todos nós temos uma escala de valores que se reflete nas atitudes e nos atos diários. Encontrando uma motivação genuinamente cristã podemos e devemos destruir as “outras motivações” que nos levam a agir equivocadamente.

 

II- Permanente:

A conversão deve ser processo de toda a vida, pois ninguém está “já” suficientemente convertido. Sempre há setores da personalidade que não foram atingidos pela conversão. Ninguém é bom (nem mau) para sempre. Há lugares de nossa personalidade sempre carentes de conversão. Busquemos em nós quais sejam eles. [Não posso dizer tudo].

 

III- Difícil:

A conversão é difícil porque o pecado cega a consciência e não se percebe com clareza o erro no qual se está submerso. Costumamos nos justificar dizendo “eu sou assim” (e não vou mudar pra agradar ninguém). A “cegueira espiritual” consiste precisamente nessa incapacidade de perceber a própria situação deletéria e pecaminosa. Se a percebe, você já terá andado um bom caminho. Se não a descobriu, precisará que o ajudem a vê-lo (com carinho e dor). A outra justificativa é que depois de se descobrir assim, você queira permanecer nelas. Afinal, depois de anos, aprendeu a querer ser e a amar-se assim. É como se tivesse feito um pacto consigo mesmo. Um pacto que impede o crescimento humano-afetivo-espiritual. De fato, você é assim, mas é chamado a ser e a viver plenamente como Filho de Deus.

 

IV- Possível:

A conversão é possível porque ninguém está condenado a cristalizar-se rigidamente em nenhuma atitude (seja boa, seja má). (As pessoas não são do “jeito da madeira” ou mais popular ainda, não são “pau que nasce torto” e por isso “morre torto”). Diferente do cristal que, quando trabalhado, é bastante difícil mudar de forma, o ser humano é “argila” nas mãos de Deus. Não se rompe, porque não foi feito acabado uma vez por todas. É possível mudar. É possível converter-se. É possível arrepender-se do mal praticado. É humanamente possível porque a misericórdia de Deus facilita nossa aproximação a Ele mais do que o que nos distância a consciência do pecado.

Frutos de conversão

Apresentados num dos livros de Cáritas, eis alguns “frutos” que visam transformar as nossas boas intenções em conversão sincera.

 

1. Caridade – amor sem limites

2. Alegria – que nasce no interior, inesgotável

3. Paciência – filha da esperança, torna tudo possível

4. Afabilidade – que é respeito, sorriso, ternura e acolhida

5. Bondade – que é compreensão, generosidade, serviço à imagem de Deus

6. Fidelidade – firmeza nas opções e atitudes, uma confiança sempre renovada

7. Mansidão – não violência e firmeza, capacidade de perdoar

8. Domínio de si – liberdade interior, superação das paixões, equilíbrio e moderação.

 

Na “Imitação de Cristo” (Tomás de Kempis) há um pensamento mais ou menos assim: “não tenhamos que fazer a triste constatação de dizer que éramos melhores antes da conversão que depois de anos de prática religiosa”, afinal estar na igreja não nos garante ser melhores. A diferença está na pratica da caridade e na produção de frutos próprios às árvores boas que ousamos acreditar que somos.

 

Deus nos ajuda. Ele nos fortalece. Queiramos ser melhores. Desejemos a conversão. Ele completará em nós a boa obra começada no batismo!

Pensar, livre pensar

Não se faz democracia com greve de fome

Emociona o sacrifício e a autoflagelação do bispo Luiz Flávio Cappio, de Barra, Bahia, que voltou a fazer greve de fome contra  a transposição do Rio São Francisco. O seu sacrifício merece o respeito de todos.

Mas o projeto é polêmico. Só que, assim como há gente honrada como o bispo contra, há também gente de bem a favor. Como lembrou o arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Aldo Pagotto, os bispos e o povo da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará - os estados mais beneficiados com a obra - apóiam o projeto.

A meu veu, o gesto político de Dom Cappio é equivocado, além de dividir o povo de Deus. Aliás,   Deus não deu ao bispo o direito de impor sua posição sobre o projeto de transposição. Não é democrático.  [fonte: Anselmo Góis]

Aplaudo a dedicação do bispo à causa e ao povo. Não aplaudo a sua estratégia para dirimir o projeto do governo. Até mesmo a CNBB se manifestou contrária ao meio utilizado por dom Cappio visto que o projeto é polêmico. Oremos ao Senhor pela vida do povo e pela vida do bispo, bem como pelo entendimento. O "principe da paz, conselheiro admirável" a renascer no natal encontre portas abertas nos corações dos vários lados dessa questão. Amém!

Jesus nos ensinou, no Pai-Nosso, a rezar "seja feita a vossa vontade"; e também nos ensinou (pelas várias passagens de curas e de perdão) que quando precisamos de Deus, deve acontecer em nossa vida "conforme a nossa fé".

 

Dizemos a Deus: seja feita a vossa vontade.

Deus nos diz: seja feito segundo a vossa fé.

 

Os discípulos de Jesus não devem continuar cegos nem surdos nem mudos nem paralíticos... pois a todo aquele que procede retamente, será dada a alegria de ver a salvação que vem de Deus!

 

Neste tempo de advento (tempo de esperança) é oportuno revisar a qualidade de nossa fé!

 

“Deus nos espera em Belém”. Rumemos para lá. Ele “sabe da fome que temos”. Alimenta-nos com o Corpo e o Sangue do Filho. “Vamos à casa do pão”. Belém é casa do pão. É lugar de comunhão, de celebração. “Lá nosso irmão nós veremos!”.

II Domingo do Advento [A]

Leituras: Isaías 11, 1-10; Romanos 15, 4-9; Mateus 3, 1-12

 

Uma voz no deserto

 

O Evangelho do II domingo de Advento, não é Jesus que nos fala diretamente, mas seu precursor, João Batista. O coração da pregação do Batista está contido nessa frase de Isaías, que repete a seus contemporâneos com grande força: «Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!». Isaías, para dizer a verdade, expressava: «Uma voz clama: no deserto, abri caminho ao Senhor» (Is 40, 3). Não é, portanto, uma voz no deserto, mas um caminho no deserto. Os evangelistas, aplicando o texto ao Batista que pregava no deserto da Judéia, modificaram a pontuação, mas sem mudar o sentido da mensagem.

 

Jerusalém era uma cidade rodeada pelo deserto: ao Oriente, os caminhos de acesso, enquanto se traçavam, facilmente desapareciam pela areia que o vento move, enquanto ao Ocidente se perdiam entre as asperezas do terreno para o mar. Quando uma comitiva ou um personagem importante devia chegar à cidade, era necessário sair e caminhar pelo deserto para abrir uma via menos provisória; cortavam as sarças, aplainavam os obstáculos, reparavam a ponte ou uma passagem. Assim se fazia, por exemplo, por ocasião da Páscoa, para acolher os peregrinos que chegavam da Diáspora. Neste dado, de fato, inspira-se João Batista. Está a ponto de chegar, clama, aquele que está acima de todos, «aquele que deve vir», o esperado dos povos: é necessário traçar um caminho no deserto para que possa chegar.

 

Mas eis aqui o salto da metáfora à realidade: este caminho não se traça no terreno, mas no coração de cada homem: não se traça no deserto, mas na própria vida. Para fazê-lo, não é necessário pôr-se materialmente ao trabalho, mas converter-se: «Endireitai os caminhos do Senhor»: este mandato pressupõe uma amarga realidade: o homem é como uma cidade invadida pelo deserto; está fechado em si mesmo, em seu egoísmo; é como um castelo com um fosso ao redor e as pontes levantadas. Pior: o homem complicou seus caminhos com o pecado e aí permaneceu, seduzido, como em um labirinto. Isaías e João Batista falam metaforicamente de precipícios, de montes, de passagens tortuosas, de lugares impraticáveis. Basta chamar estas coisas por seus verdadeiros nomes, que são orgulho, humilhações, violências, cobiças, mentiras, hipocrisia, imundices, superficialidades, embriaguez de todo tipo (pode-se estar ébrio não só de vinho ou de drogas, mas também da própria beleza, da própria inteligência, de si mesmo, que é a pior embriaguez!). Então se percebe imediatamente que o discurso também é para nós, é para cada homem que nesta situação deseja e espera a salvação de Deus.

 

Endireitar um caminho para o Senhor, portanto, tem um significado concretíssimo: significa empreender a reforma da nossa vida, converter-se. Em sentido moral, o que se deve aplanar e os obstáculos que se deve retirar são o orgulho – que leva a ser impiedoso, sem amor para com os demais –, a injustiça – que engana o próximo, talvez abduzindo pretextos de compensação para calar a consciência –, por não falar de rancores, vinganças, traições no amor. São vales cheios de preguiça, incapacidade de impor-se um mínimo de esforço, todo pecado de omissão.

 

A palavra de Deus jamais nos esmaga sob um monte de deveres sem dar-nos ao mesmo tempo a segurança de que Ele nos dá o que nos manda fazer. Deus, diz [o profeta] Baruc, «dispôs que sejam abaixados os montes e as colinas, e enchidos os vales para que se uma o solo, para que Israel caminhe com segurança sob a glória divina» [Br 5, 7, N. da R.] Deus abaixa, Deus enche, Deus traça o caminho; é tarefa nossa corresponder à sua ação, recordando que «quem nos criou sem nós, não nos salva sem nos».

 

Solenidade da Imaculada Conceição - 8/12

Leituras: Gênesis 3, 9-15.20; Efésios 1, 3-6.11-12; Lucas 1, 26-38

 

Sem pecado

 

Com o dogma da Imaculada Conceição, a Igreja Católica afirma que Maria, por singular privilégio de Deus e em vista dos méritos da morte de Cristo, foi preservada de contrair a mancha do pecado original e veio à existência já totalmente santa. Quatro anos depois da definição do dogma pelo Papa Pio IX, esta verdade foi confirmada pela própria Virgem em Lourdes, em uma das aparições a Bernadete, com as palavras: «Eu sou a Imaculada Conceição».

 

A festa da Imaculada recorda à humanidade que existe uma só coisa que contamina verdadeiramente o homem, e é o pecado. Uma mensagem urgente para ser proposta. O mundo perdeu o sentido do pecado. Brinca-se como se fosse o mais inocente do mundo. Alinha com a idéia de pecado seus produtos e seus espetáculos para torná-los mais atrativos. Refere-se ao pecado, inclusive aos mais graves, com diminutivos: pecadinho, viciozinho. A expressão «pecado original» se utiliza na linguagem publicitária para indicar algo bem diferente da Bíblia: um pecado que dá um toque de originalidade a quem o comete!

 

O mundo tem medo de tudo, menos do pecado. Teme a contaminação atmosférica, as penosas doenças do corpo, a guerra atômica, atualmente o terrorismo, mas não lhe dá medo a guerra a Deus, que é o Eterno, o Onipotente, o Amor, enquanto Jesus diz que não se tema aos que matam o corpo, mas só a quem, depois de ter matado, tem o poder de lançar à geena (cf. Lc 12, 4-5).

 

Esta situação «ambiental» exerce uma tremenda influência até nos crentes que, contudo, querem viver segundo o Evangelho. Produz neles um adormecimento da consciência, uma espécie de anestesia espiritual. Existe uma narcose por pecado [diminuição das funções fisiológicas]. O povo cristão já não reconhece seu verdadeiro inimigo, o senhor que o mantém escravizado, só porque se trata de uma escravidão dourada. Muitos que falam de pecado têm dele uma idéia completamente inadequada. O pecado se despersonaliza e se projeta unicamente sobre as estruturas; acaba-se por identificar o pecado com a postura dos próprios adversários políticos ou ideológicos. Uma pesquisa sobre o que as pessoas pensam que é o pecado daria resultados que provavelmente nos aterrorizariam.

 

Ao invés de livrar-se do pecado, todo o empenho se concentra hoje em livrar-se do peso de consciência relativo ao pecado; em vez de lutar contra o pecado, luta-se contra a idéia do pecado, substituindo-a por aquela – bastante diferente – do «sentimento de culpa». Faz-se o que em qualquer outro campo se considera o pior de tudo, ou seja, negar o problema ao invés de resolvê-lo, voltar a jogar e sepultar o mal no inconsciente em vez de extrai-lo. Como quem crê que elimina a morte suprimindo o pensamento sobre a morte, ou como quem se preocupa por baixar a febre sem curar a doença, da qual aquela é só um providencial sintoma. São João dizia que se afirmamos estar sem pecado, enganamos a nós mesmos e fazemos de Deus um mentiroso (cf. 1 João 1, 8-10); Deus, de fato, diz o contrário: que pecamos. A Escritura diz que Cristo «morreu por nossos pecados» (1 Cor 15, 3). Suprima o pecado e você torna vã a própria redenção de Cristo, destrói o significado de sua morte. Cristo teria lutado contra simples moinhos de ventos, teria derramado seu sangue por nada.

 

Mas o dogma da Imaculada nos diz também algo sumamente positivo: que Deus é mais forte que o pecado e que onde abunda o pecado superabunda a graça (cf. Rom 5, 20). Maria é o sinal e a garantia disso. A Igreja inteira, detrás d’Ela, está chamada a ser «resplandecente, sem que tenha mancha, nem rugas nem coisa parecida, mas que seja santa e imaculada» (Ef 5, 27). Um texto do Concílio Vaticano II diz: «Enquanto a Igreja na Santíssima Virgem já chegou à perfeição, pela qual se apresenta sem mancha nem ruga, os fiéis, no entanto, ainda que se esforçam por crescer na santidade, vencendo o pecado; e por isso dirigem seu olhar a Maria, que brilha ante toda a comunidade dos eleitos, como modelo de virtudes» (Lumen gentium, n. 65].

 

Justificando...

Amigo e amiga deste Blog, agradeço a gentileza da visita. Temos uma média de 65 visitas por dia. Sei que conquistei alguns, mas não tenho correspondido (à gentileza do acesso) atualizando-o mais freqüentemente. Esses dias finais do ano são cheios de atividades “extras”. Em breve, voltarei a postar novidades, textos espirituais e outras mensagens que favoreçam a nossa amizade virtual bem como a sua vida. Sugiro a você pesquisar nas mensagens anteriores (no menu ao lado >>>); há coisas interessantes que podem lhe ajudar também. Até a próxima atualização. Ahhh, lamento pelo Corinthians (embora eu seja Santista!!!). Lamento pela absolvição do Renan Calheiros (embora eu seja favorável ao governo Lula!!!). Lamento pela verdade das prisões que têm mostrado a cara nos noticiários (essa realidade eu já tive oportunidade de ver in locu); pena muitos de nós não sejamos sensíveis às vidas dessas pessoas (aliás, alguns nem os vêem como pessoas!!!). Tenho outros lamentos... mas lamento a falta de tempo para expressá-los agora. Fique bem! Pela vida, sempre!

“Que língua, a nossa! A palavra oxítona é proparoxítona”

(Millôr Fernandes, sempre ótimo! aliás, excelente!)

O menino e a traição

O religioso gritava na rua: “não somos todos filhos do mesmo Pai Eterno? E se é assim, por que traímos nosso irmão?”.

Um garoto que assistia, perguntou ao pai: “o que é trair?”.

“É enganar o seu companheiro para conseguir determinada vantagem”, explicou o pai.

“E por que traímos nosso companheiro?”.

“Porque, no passado, alguém começou isto. Desde então, ninguém soube como parar a roda: estamos sempre traindo ou sendo traídos”.

“Então não trairei ninguém”, disse o garoto.

E assim fez. Cresceu, apanhou muito da vida, mas manteve sua promessa. Seus filhos sofreram menos e apanharam menos. Seus netos nada sofreram.

 

– Essa história me fez pensar tantas coisas! Dela brotaram algumas perguntas, como: quando ousaremos fazer a diferença? quando baixaremos as nossas armas em vista de favorecer ao entendimento? até quando continuaremos a ser “elo” na cadeia do vício e da maldade? Também reforçou-me uma certeza. O outro não pode lhe fazer melhor nem pior se você mesmo não quiser. Neste dia, desejo romper a cadeia do mal. E desejo que você também faça a mesma coisa.

 

Pela vida, sempre!

Tempo verbal: Presente da Salvação!

 

“No princípio era o Verbo. O Verbo estava em Deus. O Verbo era Deus. O Verbo se fez carne e habitou entre nós!” (Jo 1, 1.14).

Estamos no “tempo verbal” do advento/natal. Espera. Nascimento. Vida nova. Tempo da vida e da alegria. Deus vem ao nosso encontro.

Ele não nos espera bater à sua porta. Ele dá o passo em nossa direção. Vem ao nosso encontro. “Eis que estou à porta e bato. Se alguém escutar a minha voz e abrir a porta, entrarei e juntos cearemos” (Ap 3,19).

Ele nos favorece com a sua admirável condescendência. Sua misericórdia transbordou o céu. Ela nos alcança.

Para que esse tempo produza em nós frutos de sincera conversão estejamos acordados, vigilantes, esperando preparados o Senhor chegar!!!!

Acordar! Vigiar! Esperar! Preparar! Chegar! São os verbos que formam o "tempo verbal: presente da salvação". Saibamos praticá-los em nossa vivência cristã. A eles será acrescido naturalmente o “alegrar-se” (cf. Lc 2, 10-11), pois um menino nos foi doado como o salvador prometido.

 

Reflexão em torno da Aids

 

 

 

  Hoje, 1º de dezembro, é o ‘‘Dia de combate à Aids’’ e à discriminação das pessoas soropositivas. Vamos refletir sobre este delicado assunto.

 

  1. O sexo seguro, socialmente falando, e em função da saúde pública, requer o uso de preservativo. Mas no sentido ético, sexo seguro é fidelidade conjugal, humanização da sexualidade, autocontrole e ordenação das paixões desordenadas, como também renúncia, continência, castidade. A conversão da vida para Deus tem ajudado a viver o sexo seguro.

 

  2. Uma pessoa portadora do vírus HIV nunca deve ser diminuída, excluída, discriminada. Ela não perde sua dignidade humana, nem a filiação divina. Por outro lado, quem sabe que é portador do vírus HIV nunca deve transmiti-lo a outra pessoa. É assustador o aumento de pessoas portadores do vírus HIV. Não basta só o sexo seguro, é preciso falar de sexo ético.

 

  3. Sexo seguro é também procurar a cura das feridas, carências e decepções na área da sexualidade e afetividade. O ato carnal por si só não pode saciar nossa fome de amor e de transcendência, fome de Deus. Amar é mais do que fazer amor. A castidade é a organização dos afetos, pulsões e desejos. Paixão e amor são coisas bem distintas.

 

  4. Liberdade não é permissividade, nem o ‘‘vale tudo’’. Hoje o princípio do prazer tornou-se obrigatório. O prazer egoísta é desumano. O sexo psicológico é tão ou mais importante que o sexo fisiológico. O erotismo é egocêntrico, vingativo, sedutor e ilusório. A revolução sexual não tornou a humanidade mais feliz. Não morremos por falta de sexo, mas por falta de afeto.

 

  5. Não basta distribuir preservativos como se a energia sexual não precisasse de limites, de valores, de ética. Nossa cultura está erotizada demais. Uma das causas da queda das civilizações é a decadência da moral sexual. Temos hoje um novo tabu: a orgasmomania e orgasmolatria.

 

  6. A Aids é uma pandemia que atinge crianças, adolescentes, namorados, idosos, mulheres casadas, mulheres marginalizadas, além das pessoas homossexuais. Pessoas homossexuais não podem ser excluídas, nem rejeitadas. Pelo contrário, devem ser acolhidas com respeito, compaixão e compreensão. Nossas comunidades organizaram a pastoral dos portadores do HIV e começa a pastoral de pessoas homossexuais.

 

  7. Em nome da saúde pública, há orientações e restrições dos poderes constituídos a respeito do álcool, cigarro, drogas e doenças. Em nome da saúde pública, não basta o uso dos preservativos, mas os cidadãos têm direito à educação para o amor, para os valores, para os limites em matéria de sexualidade, sempre sendo preservada a área da intimidade das pessoas.

 

  8. Uma vida em comunhão com Deus, como também a vivência dos mandamentos, a espiritualidade, a oração, o diálogo com peritos, os ideais, as esperanças da vida, as famílias bem constituídas, muito ajudam na solução para problemas da sexualidade e da Aids.

 

[DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina]

I Domingo do Advento [A]

Leituras: Isaías 2, 1-5; Romanos 13, 11-14; Mateus 24, 37-44

 

Velai!

 

Começa [no domingo] o primeiro ano do ciclo litúrgico trienal, chamado ano A. Nele nos acompanha o Evangelho de Mateus. Algumas características deste Evangelho são: a amplitude com a qual se referem aos ensinamentos de Jesus (os famosos sermões, como o da montanha), a atenção à relação Lei-Evangelho (o Evangelho é a «nova Lei»). Ele é considerado como o Evangelho mais «eclesiástico» pelo relato do primado de Pedro e pelo uso do termo «Ecclesia», Igreja, que não se encontra nos outros três Evangelhos.

 

A palavra que destaca sobre todas, no Evangelho deste primeiro domingo do Advento, é: «Velai, pois, porque não sabeis que dia virá o vosso Senhor... Estai preparados, porque no momento que não penseis, virá o Filho do homem». Pergunta-se às vezes por que Deus nos esconde algo tão importante como a hora de sua vinda, que para cada um de nós, considerado singularmente, coincide com a hora da morte. A resposta tradicional é: «Para que estivéssemos alerta, sabendo cada um que isso pode acontecer em seus dias» (Santo Efrém o Sírio).

 

Mas o principal motivo é que Deus nos conhece; sabe que terrível angústia teria sido para nós conhecer com antecipação a hora exata e assistir à sua lenta e inexorável aproximação. Isso é o que mais atemoriza em certas doenças. São mais numerosos hoje os que morrem de afecções imprevistas de coração do que os que morrem de «penosas doenças». No entanto, dão mais medo estas últimas, porque nos parece que privam dessa incerteza que nos permite esperar.

 

A incerteza da hora não deve levar-nos a viver despreocupados, mas como pessoas vigilantes. O ano litúrgico está em seu início, enquanto o ano civil chega a seu fim. Uma ocasião ótima para fazer espaço para uma reflexão sábia sobre o sentido de nossa existência. A própria natureza no outono nos convida a refletir sobre o tempo que passa. O que o poeta Giuseppe Ungaretti dizia dos soldados na trincheira do Carso, durante a primeira guerra mundial, vale para todos os homens: «Estão / como no outono / nas árvores / nas folhas». Isto é, a ponto de cair, de um momento a outro. «O tempo passa e o homem não percebe isso», dizia Dante.

 

Um antigo filósofo expressou esta experiência fundamental com uma frase que se tornou célebre: «panta rei», ou seja, tudo passa. Ocorre na vida como na televisão: os programas se sucedem rapidamente e cada um anula o precedente. A tela continua sendo a mesma, mas as imagens mudam. É igual conosco: o mundo permanece, mas nós passamos, um após o outro. De todos os nomes, os rostos, as notícias que enchem os jornais e os noticiários do dia – de mim, de você, de todos nós – o que permanecerá daqui a um ano ou década? Nada de nada. O homem não é mais que «um traço criado pela onda na areia do mar e que a onda seguinte apaga».

 

Vejamos o que a fé tem a dizer-nos a propósito deste fato de que tudo passa. «O mundo passa, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece para sempre» (1 Jo 2, 17). Assim, existe alguém que não passa, Deus, e existe uma forma de que nós não passemos totalmente: fazer a vontade de Deus, ou seja, crer, aderir a Deus.

 

Nesta vida somos como pessoas em uma balsa que um rio leva ao mar aberto, sem retorno. Em certo momento, a balsa passa perto da margem. O náufrago diz: «Agora ou nunca!», e salta até a terra firme. Que suspiro de alívio quando sente a rocha sob seus pés! É a sensação experimentada freqüentemente por quem chega à fé.

 

Poderíamos recordar, como conclusão desta reflexão, as palavras que Santa Teresa de Ávila deixou como uma espécie de testamento espiritual: «Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa, só Deus basta». [Pe. Raniero Cantalamessa, ofm]

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