oração

 

QUEREMOS UMA CASA FORTE, SENHOR

Sem a goteira do egoísmo

Sem o frio da incredulidade

Sem a tormenta da inveja

 

QUEREMOS UMA CASA FORTE, SENHOR

Com o calor de Tua Palavra

Com a luz de Tua Verdade

Com a alegria de Tua Presença

 

QUEREMOS UMA CASA FORTE, SENHOR

Com o pão da Eucaristia

Com o silêncio da oração

Com o oxigênio do Espírito Santo

 

QUEREMOS UMA CASA FORTE, SENHOR

Sem a poeira do rancor

Sem as escadarias das divisões

Sem as portas da recusa

 

QUEREMOS UMA CASA FORTE, SENHOR

Com a força da fé

Com o fogo de Deus

Com o chão do amor ao próximo

 

QUEREMOS UMA CASA FORTE, SENHOR

30 de maio

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS * Mt 11,25-30

O coração de Jesus é um coração cheio de um amor ao mesmo tempo humano e divino. Enquanto homem, Jesus também encarnou a nossa necessidade profunda de amar e de nos sentirmos amados. Enquanto Deus, demonstrou um amor universal e infinito, que ultrapassa todo entendimento. Na pessoa de Jesus temos então a solução para o drama humano: somente nele encontramos a fonte daquele amor capaz de saciar a nossa sede. Esse amor, Jesus o transmite para nós por meio dos sacramentos, simbolizados no sangue e na água que jorraram do seu lado. Pelo seu sangue derramado em sacrifício recebemos a água benfazeja do Espírito Santo, que é o próprio amor de Deus. Possamos, por meio dos sacramentos, adquirir um coração semelhante ao de Jesus. [Pe. D. Justino Silva de Souza, OSB]

Todas as Nossas Senhoras são a Mesma Mãe de Deus!!!

Posto uma música do Roberto Carlos para ajudar-nos no correto modo de entender a devocação a Maria, Mãe de Deus e nossa mãe também!

"Todas as Nossas Senhoras são a mesma mãe de Deus!!!"

Ó Cristo, hoje Tu me chamas!
Nas portas que abres e que fechas,
nas surpresas que nem sempre entendo,
és Tu que me maravilhas no desejo permanente de me fazer feliz.
Mesmo sem me perguntar se posso,
mesmo sem saber se me apetece,
sem me perguntar se quero,
quero o que Tu queres,
agora e sempre,
Amem.


[do blog Seguir Jesus... link no meu ao lado]

DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELA SANTIFICAÇÃO DOS SACERDOTES

 

Carta a Congregação para o Clero

 

Reverendos e queridos irmãos no sacerdócio

 

Na Festa do Santíssimo Coração de Jesus, fixamos, com incessante ternura, o olhar da nossa mente e do nosso coração em Cristo, único Salvador das nossas existências e do Mundo. Pôr-se em relação com Cristo significa pôr-se em relação com aquele Rosto que cada homem, conscientemente ou não, procura como única resposta adequada à própria insuprimível sede de felicidade.

 

Este Rosto, nós o encontramos e, naquele dia, naquele momento, o Seu Amor feriu de tal modo o nosso coração, que não pudemos deixar de pedir incessantemente para estar na Sua Presença.(...)

 

Gostaria, por ocasião do habitual Dia de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, que se celebra na Festa do Santíssimo Coração de Jesus, recordar a prioridade da oração em relação à ação, porque dela depende a incisividade da ação. Da relação pessoal de cada um com o Senhor Jesus depende em grande medida a missão da Igreja. Portanto, a missão deve ser alimentada pela oração: “Chegou o momento de reafirmar a importância da oração perante o ativismo e a secularização dominante” (Bento XVI, Deus caritas est, 37). Não nos cansemos de haurir da Sua Misericórdia, de deixá-lo ver e curar as nossas chagas dolorosas do nosso pecado para ficarmos estupefatos diante do milagre, sempre novo, da nossa humanidade redimida.

 

Caríssimos irmãos, sejamos peritos da Misericórdia de Deus em nós e, só assim, seus instrumentos ao abraçar, de modo sempre novo, a humanidade ferida. “Cristo não nos salva da nossa humanidade, mas através dela; não nos salva do mundo mas veio ao mundo para que o mundo seja salvo por Ele (cf. Jo 3, 17)” (Bento XVI, Mensagem Urbi et Orbi, 25 de Dezembro de 2006). Por fim, somos presbíteros pelo Ato mais nobre da Misericórdia de Deus e ao mesmo tempo da Sua predileção, o Sacramento da Ordem.

 

Em segundo lugar, na insuprimível e ardente sede d'Ele, a dimensão mais autêntica do nosso Sacerdócio é a súplica, a oração simples e contínua, que se aprende na oração silenciosa; ela caracterizou sempre a vida dos Santos e deve ser pedida incessantemente. Esta consciência da relação com Ele é quotidianamente submetida à purificação da prova. Todos os dias, de novo, nos apercebemos que este drama não é poupado nem sequer a nós, Ministros que agem in Persona Christi Capitis: não podemos viver um só momento na Sua presença, sem o doce anseio por reconhecê-lo, conhecê-lo e aderir de novo a Ele. Não cedamos à tentação de olhar para o nosso ser Sacerdotes como para um inevitável e indelegável peso, já assumido, o qual se pode cumprir "mecanicamente", até com um programa pastoral organizado e coerente. O Sacerdócio é a vocação, o caminho, o modo através do qual Cristo nos salva, com o qual nos chamou, e nos chama agora, a viver com Ele.

 

A única medida adequada, face à nossa Santa Vocação, é a radicalidade. Esta total dedicação, na consciência da nossa infidelidade, só pode realizar-se como uma renovada e orante decisão que, depois, Cristo realiza dia após dia. O próprio dom do celibato sacerdotal deve ser acolhido e vivido nesta dimensão de radicalidade e de total configuração com Cristo. Qualquer outra posição em relação à realidade da relação com Ele corre o perigo de se tornar ideológica.

 

Também a quantidade, por vezes extraordinariamente grande, de trabalho que as condições contemporâneas de ministério exigem que enfrentemos, longe de nos desencorajar, deve estimular-nos a cuidar, com atenção ainda maior, a nossa identidade sacerdotal, a qual tem uma raiz irredutivelmente divina. Neste sentido, numa lógica oposta à do mundo, precisamente as particulares condições do ministério, devem estimular-nos a "elevar a qualidade" da nossa vida espiritual, testemunhando com mais convicção e eficácia, a nossa pertença exclusiva ao Senhor.

 

Para a total dedicação somos educados por Quem nos amou primeiro. "Fiz-me encontrar por quem não Me procurava. Disse: "Eis-me" a quem não pronunciava o Meu Nome". O lugar da totalidade por excelência é a Eucaristia, porque: "na Eucaristia Jesus não "dá algo" mas dá-se a Si mesmo; Ele oferece o Seu Corpo e derrama o Seu Sangue. Desta forma doa a totalidade da Própria existência, revelando a fonte originária deste amor" (Sacramentum caritatis, 7).

 

Sejamos fiéis, irmãos caríssimos, à Celebração quotidiana da Santíssima Eucaristia, não só para cumprir uma tarefa pastoral ou uma exigência da comunidade que nos está confiada, mas pela necessidade pessoal absoluta que dela sentimos, como de respirar, como da luz para a nossa vida, como a única razão adequada para uma existência presbiteral completa.

 

O Santo Padre, na exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis, repropõe-nos com vigor a afirmação de Santo Agostinho: "Ninguém come desta Carne sem primeiro adorá-la; pecaríamos se não a adorássemos" (Santo Agostinho, Enarrationes in Psalmos 98, 9). Não podemos viver, não podemos olhar para a verdade de nós próprios, sem deixarmos que Cristo olhe para nós e nos gere na Adoração Eucarística quotidiana, e o "Stabat" de Maria, "Mulher Eucarística", sob a Cruz de Seu Filho, é o exemplo mais significativo que nos é dado da contemplação e da adoração do Sacrifício divino.

 

Assim como a missionariedade é intrínseca à própria natureza da Igreja, também a nossa missão é ínsita na identidade sacerdotal, e portanto a urgência missionária é uma questão de consciência de nós próprios. A nossa identidade sacerdotal é edificada e renovada dia após dia no "tempo transcorrido" com nosso Senhor. A relação com Ele, continuamente alimentada na oração perpétua, tem como conseqüência imediata a necessidade de tornar partícipes dela quantos nos circundam. De fato, a santidade que pedimos quotidianamente, não pode ser concebida segundo uma estéril e abstrata acepção individualista, mas é, necessariamente, a santidade de Cristo, a qual é contagiosa para todos: "O estar em comunhão com Jesus Cristo compromete-nos no Seu "ser para todos", faz o nosso modo de ser" (Bento XVI, Spe salvi, 28).

 

Este "ser para todos" de Cristo realiza-se, para nós, nos Tria Munera dos quais somos revestidos pela própria natureza do Sacerdócio. Eles constituem a integridade do nosso Ministério, não são o lugar da alienação ou, pior ainda, de uma mera adaptação funcionalista da nossa pessoa, mas a expressão mais verdadeira do nosso ser de Cristo; são o lugar da relação com Ele. Para que o Povo que nos está confiado seja por nós educado, santificado e governado, não significa uma realidade que nos distrai da "nossa vida" mas é o rosto de Cristo que quotidianamente contemplamos, como para o esposo o rosto da sua amada, como para Cristo a Igreja Sua Esposa. O Povo que nos está confiado é o caminho imprescindível para a nossa santidade, isto é, o caminho no qual Cristo manifesta a Glória do Pai através de nós.

 

Por fim, fundamento imprescindível de toda a vida sacerdotal permanece a Santa Mãe de Deus. A relação com ela não pode limitar-se a uma prática devocional piedosa mas deve ser alimentada pela entrega contínua, nos braços da sempre Virgem, de toda a nossa vida, do nosso ministério na sua totalidade. Maria Santíssima reconduz-nos de novo também a nós, como a João, aos pés da Cruz do Seu Filho e nosso Senhor, para contemplar, com ela, o Amor infinito de Deus: "Veio ao mundo a nossa Vida, a Vida verdadeira; assumiu a nossa morte para vencê-la com a superabundância da Sua Vida" (Santo Agostinho, Confessiones X, 12).

 

Deus Pai escolheu, como condição para a nossa redenção, para o cumprimento da nossa humanidade, para o Acontecimento da Encarnação do Filho, aguardar o "Fiat" de uma Virgem perante o anúncio do anjo. Cristo decidiu confiar, por assim dizer, a própria Vida à liberdade amorosa da Mãe... Confiemos à intercessão da Virgem Santa Rainha dos Apóstolos, Mãe dulcíssima, olhando com Ela para Cristo, na contínua tensão para sermos total, radicalmente Seus; esta é a nossa identidade!

 

Recordemos as palavras do Santo Cura d'Ars, Padroeiro dos Párocos: "Se eu já tivesse um pé no Céu e se me viessem dizer para voltar para a terra para trabalhar pela conversão dos pecadores, voltaria de bom grado. E se para isto fosse necessário permanecer na terra até ao fim do mundo, levantando-me sempre à meia-noite, e sofresse como sofro, estaria disposto a fazê-lo de coração" (Frère Athanase, Procès de l'Ordinaire, p. 993).

 

O Senhor guie e proteja todos e cada um, de modo especial os doentes e os que mais sofrem, na oferenda constante da nossa vida por amor.

 

Card. CLÁUDIO HUMMES, Prefeito da Congregação para o Clero

dom Helder Câmara

ESPECIALIZA-TE

 

Em tentar descobrir

Em toda e qualquer criatura

O lado bom que ela possui

– ninguém é maldade concentrada.

 

Especializa-te

Em tentar descobrir

Em toda e qualquer ideologia

A alma da verdade

Que ela carrega no seio

– a inteligência é incapaz

De aderir ao erro total...

 

Não temas a verdade

 

Por mais dura que te pareça

Por mais que te fira,

É autêntica.

Nasceste para ela.

Se fores a seu encontro,

Se dialogares com ela,

Se a amares,

Ninguém mais amiga

E mais irmã...

 

ATÉ O FIM

 

Não, não pares.

É graça divina

Começar bem.

Graça maior,

Persistir na caminhada certa

Manter o ritmo...

Mas a graça das graças

É não desistir.

Podendo ou não podendo,

Caindo, embora, aos pedaços,

Chegar até o fim...

Nas Encruzilhadas do Amor

Os perdões arrogantes geram revolta; os reticentes esmagam; os sem amor não conseguem libertar nem salvar. Só o verdadeiro perdão, fruto de um amor puríssimo, pode fazer brotar uma nascente de vida no coração do infiel e regenerar quem fracassou no amor fazendo-o renascer para ele.

[Henri Caffarel]

TRÊS TIPOS DE SILÊNCIO

 

- O da indiferença;

- O da censura;

- O da escuta.

 

Só este último gera comunhão e nos crescer, porque é fecundo!

Com barulho, confusão, dispersão, não pode haver escuta nem crescimento pessoal.

Qual destes silêncios você tem praticado?

A espiritualidade do silêncio

UMA HISTÓRIA PARA LER E PENSAR...

 

No alto da torre de uma igreja havia dois sinos. Um estava estalando de novo – os fiéis haviam acabo de fazer uma festa para comprá-lo. O outro era antigo, pesado, com velhas inscrições em latim.

No dia da festa do padroeiro, o padre pediu ao sacristão que repicasse o sino novo o máximo que pudesse, a fim de chamar as pessoas para a procissão.

O sino recém-chegado, todo contente, disparou num toque festivo, como aquela cidade jamais havia ouvido. O som do bronze novo preenchia com brilho todos os recantos do lugar, enchendo o coração das pessoas de júbilo e alegria. Quanto mais batia, mais o sino queria divulgar o seu sagrado som.

Depois de alguns minutos, aquele jovem sino ficou cansado, mas muito satisfeito. No entanto, deu-se conta de que o seu vizinho permanecera o tempo todo no mais completo silêncio. Ficou inconformado: era justo ele fazer o serviço todo sozinho? Resolveu tirar satisfação:

– escute aqui, meu chapa, não vai trabalhar, não? Estou chegando agora, mas não é pra você cruzar os braços...

O velho sino solenemente respondeu:

– seu som era tão belo, que me pus em oração...

O sino mais novo calou-se e pôs-se também a rezar.

 

Partilhando:-

·         Qual dos dois sinos teve a atitude mais correta? Por quê?

·         Relembrem a passagem de Jesus na casa de Marta e Maria (Lc 10,38-42). O que a história tem que ver com esse trecho do evangelho? E com nossa vida?

 

[fonte: ECOANDO, revista de catequese, ano V, numero 21]

ORAÇÃO DA ORAÇÃO

 

Deus, nosso Pai, quando tudo nos vai bem, o vento está a nosso favor e a sorte nos sorri em cada canto; quando já de longe nos acenam as pessoas dizendo-se amigas, nossos sonhos são agradáveis sensações e nosso destino de glória escrito nas estrelas; quando elegemos aqui nossa morada definitiva e vivemos plenamente saciados de corpos, necessitados de nada nem de Deus e de seus apelos sagrados. E um dia – e sempre chega esse dia! – descobrimos nas perdas humanas e materiais que nossa morada é a transitoriedade; nossas vidas águas de um rio que fluem constantemente; e o tempo não passa por nós duas vezes. O que estava sadio fica doente e o que estava doente volta à saúde; o que estava ganho se perde e o perdido é encontrado para de novo se perder. Como borboletas que deixam seus casulos, as pessoas existem hoje e amanhã já não existem; as coisas apodrecem e os chipes se oxidam. As gerações são como searas que amadurecem à espera da ceifa (cf. Ap 14, 14ss). Só vós, ó Senhor, permaneceis sempre, e seu nome é Eu Sou, o Eterno Ser, o Eterno Vivente, em que somos e vivemos e um dia ressuscitaremos (Ex 3, 14-15; Ap 4,2).

 

[fonte: Ave-Maria]

O FENÔMENO DA BRUTALIZAÇÃO DOS CORAÇÕES

Entrevista com Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (Brasil) – Para ele o fenômeno da “brutalização dos corações” que se verifica hoje em dia é conseqüência da perda dos valores transcendentes. - Por Alexandre Ribeiro

 

--Que é a brutalização dos corações?

--Dom Walmor Oliveira de Azevedo: A brutalização dos corações está ocorrendo em razão da falta de investimento profundo no conhecimento e na assimilação dos valores transcendentes. O Santo Padre Bento XVI, dirigindo-se aos bispos na Catedral da Sé, em São Paulo, em maio de 2007, disse que, na missão do bispo, é essencial o investimento pelo anúncio da fé, de modo que as pessoas possam conhecer e assimilar os valores transcendentes. Nós sabemos que a concepção de progresso, inclusive observada e criticada pelo Papa Bento XVI na sua carta encíclica Salvos pela Esperança, é uma concepção de progresso que põe toda força e compreensão naquilo que é material. Portanto, descarta perspectivas transcendentes. Se o progresso é entendido apenas como aquisição material, conquista material, avanço material, os corações não recebem aquilo que é fundamental para que eles sejam humanos e abertos a Deus: valores transcendentes. Penso, então, que a brutalização dos corações deve-se a uma falta de investimento no conhecimento e assimilação dos valores transcendentes. Exemplifico: as pessoas, portanto, compreendendo que o bem, a felicidade estão no possuir, deixando de lado o sentido da partilha, perdem o sentido profundo da solidariedade. Nasce aí uma brutalização, por exemplo, quando as pessoas, diante do sofrimento dos pobres, são indiferentes. Para elas, o sofrimento dos pobres que morrem de fome, os que vivem em situações de risco, não importa. Há uma brutalização que leva estas mesmas pessoas ao desperdício, por exemplo, ao reter para si de forma egoísta. Poderíamos dar uma série de exemplos de brutalizações em função de uma marginalização daquilo que é valor transcendente.

--Isso gera também um obscurecimento da consciência?

--Dom Walmor Oliveira de Azevedo: O obscurecimento da consciência se dá porque não se acende a luz dos valores transcendentes. Os valores transcendentes são justamente esta luz que ilumina a consciência. Porque os valores transcendentes são princípios. Cada um de nós pode muito bem, olhando para si, para aquilo que é básico na sua própria história, avaliar por que nós crescemos amando nosso pai, nossa mãe, nossos irmãos, nossos amigos. Os valores importantes, do querer bem, da importância do outro, da presença do outro, são valores transcendentes iluminando a consciência, ajudando-a a assimilar a plena compreensão de que vale a pena amar, que o outro tem importância, que o outro tem um significado não por aquilo que ele produz, ou por aquilo que ele dá, mas simplesmente por aquilo que ele significa. Imaginemos se nós tivéssemos crescido sem a força dessas referências fundamentais. Seríamos incapazes de amar os outros, de perdoar, querer bem, de nos encantar com as coisas que os outros fazem. Portanto o obscurecimento é fruto do alijamento dos valores transcendentes.

--Como entra nesse âmbito a missão da Igreja?

--Dom Walmor Oliveira de Azevedo: A Igreja tem aí uma missão importante. Uma missão que ela tem de exercer corajosamente. Isso porque há uma avalanche de oposição aos valores transcendentes, que para nós são os valores do Evangelho. Nós temos de entrar mostrando a beleza dos valores do Evangelho e precisamos formar de tal maneira que as pessoas possam viver a sedução do seguimento e da vivência à luz dos valores do Evangelho, que são esses valores transcendentes. Por isso o Santo Padre também na Catedral da Sé, em São Paulo, disse que a missão do bispo, como mestre da fé, prioritariamente é abrir o mundo ao Reino de Deus. Isso significa a Igreja entender sua missão, propondo um horizonte que motiva as pessoas a viverem pela bondade, pela justiça. Como eu gosto sempre de dizer: é bom ser bom. Muitas pessoas são más, perversas, porque não se deixam seduzir

--Jesus Cristo, como amigo, exige a não brutalização e o não obscurecimento da consciência, não?

--Dom Walmor Oliveira de Azevedo: Nós temos insistido quando falamos de discipulado, e é também uma insistência do Santo Padre, que é muito importante compreender que a fé em Cristo é a experiência de um encontro com uma Pessoa. O que significa intimidade, ser amigo, próximo. Portanto, como temos o exemplo na vida do apóstolo Paulo, é daí que vem a novidade, a força, a coragem, a alegria, a missionariedade, o incansável que nós constatamos na vida de Paulo. A amizade com Cristo é a configuração da dinâmica de vida do discípulo. À medida que o discípulo se torna amigo íntimo de Cristo, sua vida se torna aquilo que Paulo diz: não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim; sou o que sou pela graça de Deus.

 

[fonte: Zenit.org 12 de maio de 2008]

PERDOAR É MUITO AMAR

 

Perdão é um ato de amor, de generosidade... de humanidade.

Só quem se reconhece humano, falível, consegue compreender a naturalidade do perdão.

Do alto de nosso orgulho, achamos que é insensato conceder o perdão a alguém.

“Não fui eu que errei”.

Não vemos com naturalidade os acertos nem os erros.

... JULGAMOS!

Supervalorizamos os nossos parâmetros e mágoas e nos fechamos neles.

Sem perdoar, paralisamos a vida.

Não perdoamos a nós nem a ninguém! 

Empacamos. Adoecemos. 

Como é possível viver bem sem perdoar?

Como é possível viver sem perdoar-se?

Todos precisamos perdoar e ser perdoados... não somos perfeitos.

Temos que aprender a seguir em frente, a conviver. 

Não banalizar o erro, mas sair do pedestal, da redoma protetora e aprender a cada momento o que só vivendo o conseguiremos: amar e desenvolver atitudes mais solidárias, mansas.

Não somos nada, mas não lembramos disso. Iludimo-nos com os valores transitórios da vida.

Perdemos a simplicidade e só pensamos em reivindicar direitos.

Amar a quem se tem apreço é fácil.

E amar o inimigo, o chato, aquele que criticamos?

Se não o conseguirmos, eles se tornarão os nossos grilhões.

Por que não refletir sobre a sugestão contida na Oração de São Francisco?

“Senhor, fazei que eu procure mais:

Consolar que ser consolado,

Compreender que ser compreendido,

Amar que ser amado,

Pois é dando que se recebe,

É perdoando que se é perdoado.

E é morrendo que se vive para a vida eterna”.

“Perdoar é muito amar”.

O perdão é mais importante do que a razão.

O perdão é amor.

A regra às vezes só serve para fundamentar e suprir a nossa vontade.

Distanciamo-nos uns dos outros, divididos em certos e errados, enquanto o principal objetivo deveria ser a paz e a união.

... “Perdoar é muito amar”.

 

[redescobri esse texto datado do ano 2002; não tenho o nome do autor]

quotidiano

TENHO UM CANTO E CANTO

 

“As flores dos arranjos logo murcharão, mas o importante é que elas desabrochem na hora efêmera da festa, mostrando o esplendor de cada flor e a harmonia do arranjo. Como um arranjo, uma vida não se justifica por sua duração, nem pela lembrança, nem pelo aplauso dos outros, ela se justifica por sua harmonia intrínseca.” (Contardo Calligaris, Folha de SP, 23/8/2007)

 

“Uma vida se justifica como um arranjo de flores, não pela duração, mas pela harmonia”. Lembrei-me espontaneamente do dito popular onde o autor que tanto aprecio se pergunta: “por que os pássaros cantam?” e singelamente responde. “Os pássaros cantam porque eles têm uma música”. Não estão tensos à espera de aplausos nem da aceitação e ou da recusa alheias. Apenas expressam o que têm. Vivem!

 

Há uma espécie de dor quando alguns de nós, “pássaros com música para cantar”, nos calamos por causa dos outros. Não agimos como somos. Não vibramos nossa verdadeira vida. Não entoamos a nossa singela, porém, verdadeira música. Não nos atrevemos a ser só e tão somente o que somos e apresentar o que temos.

 

Mesmo que pouco, o nosso tudo e o nosso todo precisam aparecer.  Verdade à mostra, ainda que tardia. Os outros nos conhecerão pelo real e não pelo que gostariam que fôssemos. Todos os dias tenho tantas melodias a aprender... Confesso. Algumas não me agradam. São cantos para me encantar, mas não são reais e, por isso, me desencantam. Todos os dias ouvimos cantares e conseguimos como em mistério distinguir cantos de quem os têm e cantos de quem canta por aplausos e por platéia (bajuladores que nunca se dão conta de que é preciso ser verdadeiro!).

 

Eu preparo uma canção... Enquanto não fica pronta, canto o que sou. Ofereço o que tenho. E se lhe for pouco, continue buscando. Encontrará em outras plagas cantos condizentes com a sua busca. Preciso parar. Preciso sair... um canto me chama a ir lá fora, “ir à floresta sugar a essência da vida”.

 

Cante o seu canto. Encante com a sua verdade todos quantos lhe circundam. Viver ultrapassa todo entendimento. A fé é luz que dá segurança ao caminhar. Todos quantos lhe rodeiam precisam ouvir o seu canto. Não tenha medo de cantá-lo! Pela vida, sempre!

EUCARISTIA: REVOLUÇÃO MAIS PROFUNDA DA HISTÓRIA HUMANA

 

Todos vós sois um! (Gl 3,28) Nestas palavras se sente a verdade e a força da revolução cristã, a revolução mais profunda da história humana, que se experimenta justamente em torno da Eucaristia: aqui se reúnem na presença do Senhor pessoas de diversas idades, sexos, condição social, idéias políticas. A Eucaristia não pode mais ser um fato privado, reservado a pessoas que se escolhem por afinidade ou amizade. A Eucaristia é um culto público, que não tem nada de esotérico, de exclusivo. Também aqui, nesta tarde, não escolhemos nós com que nos encontrarmos; viemos e nos encontramos um ao lado do outro, em comunidade de fé e chamados a nos tornarmos um único corpo, compartilhando o único Pão que é Cristo. Estamos unidos além de nossas diferenças de nacionalidade, de profissão, de classe social, de idéias políticas: abramo-nos uns aos outros para nos tornarmos uma só coisa a partir d’Ele.

 

[Bento XVI, ontem, em Roma]

Pensando bem

 

“Diante do colar belo como um sonho admirei, sobretudo, o fio que unia as pedras e se imolava anônimo para que todos fossem um.”

(Dom Helder Câmara)

quotidiano

NAS ESQUINAS DA VIDA!

 

Ontem, pelas ruas de Presidente Prudente, prestei atenção às esquinas e praças, aos becos e viadutos. Coube às esquinas me darem algumas inspirações textuais.

 

Numa das esquinas vi um “gato preto” morto. Foi atropelado.  Dizem que dá azar cruzar com gato preto na esquina. Mas naquela esquina específica o azar foi todinho do gato. Perdeu a vida quando involuntariamente representava azar para quem por ali passava. Pior. Dizem que gatos têm sete vidas. Onde teria perdido as outras seis vidas aquele que agora estava à espera de urubus ou margaridas da Prudenco?

 

Noutra esquina, exerci delicada gentileza com a pedestre que ameaçava atravessar a rua, mas não tinha coragem suficiente para pôr o pé na rua e enfrentar o tráfego que, diga-se, anda absurdamente mal ordenado! Quando lhe dei passagem, seu gesto foi de brutal estranheza. Tanto que, por um instante, pensei se ao invés de dar-lhe passagem eu não lhe tinha dado um “pito”. Será, afinal, que ser gentil está tão fora de moda? Será que respeitar o outro é assim algo sobrenatural?

 

Ainda, outra esquina. Um fajuto malabarista cujo show talvez valha mais pela cara enfeitada do que pelo rodeio das bolinhas ou do fogo cuspido de sua boca (de dragão). Há placas em vários cruzamentos pedindo aos senhores e às senhoras ilustríssimos condutores de automóveis que se abstenham da “caridade” às crianças. Entretanto, já está na hora de acrescentar novas placas. Não dêem esmola aos malabaristas nem aos idosos. Sim! São estes os atuais ocupantes dos espaços “negados” às crianças.

 

Vi, ainda, nas esquinas, adolescentes em frívolos beijos; jovenzinhos viajando num pequeno baseado; homens e mulheres cheios de sacolas e apressados de um lado para o outro; vi lojas com seguranças e suas vitrines elegantes... é como se naquela padaria o doce que se vê não é para a boca de qualquer um.

 

Olha! Nas esquinas de Pres. Prudente senti o que em muitas esquinas do país e do mundo pode-se sentir. Tudo isso foi durante o dia. Talvez no futuro eu tenha oportunidade e ou coragem para verificar as esquinas à noite. De noite, bom,,, deixa pra depois!

 

Fique bem

Pela vida, sempre!

Padre Sandro Rogério dos Santos

Corpus Christi

PIQUEROBI ESPERA 10 MIL PESSOAS AMANHÃ

 

 

A cidade de Piquerobi está mobilizada para a tradicional festa a ser realizada amanhã, no dia de Corpus Christi (este ano, a 22 de maio). Integrando o calendário turístico estadual, há 40 anos a comunidade católica unida aos outros segmentos da sociedade local, entre eles, a prefeitura, organiza uma festa que enche de alegria os olhos e o coração dos visitantes.

 

A expectativa, segundo o administrador da Paróquia São Miguel Arcanjo, padre Sandro Rogério dos Santos, é que pelo menos 10 mil pessoas passem pelo local, durante o dia, sendo que a maior concentração de fiéis acontece no período da tarde, com a programação religiosa (missas, procissão, benção e queima de fogos).

 

Com o tema “Fazei isso em minha memória” (Lc 22,19), nos desenhos que compõem o tapete será abordada além da Eucaristia e de São Miguel Arcanjo (padroeiro da cidade), a Campanha da Fraternidade 2008, cujo tema é “A Fraternidade e a Defesa da Vida” e o lema “Escolhe Pois a Vida”. “Nesse contexto, serão destacadas as situações sociais, como a violência, que desafiam a criatividade do amor, seja na família, seja na igreja, seja na comunidade”, afirma Santos.

 

Para este ano, conforme adianta, foram adotadas algumas medidas inovadoras. Visando preservar a dimensão religiosa do evento dos desvios que outras atividades do dia (como a praça de artesanato e a de alimentação) podem provocar, a Comissão Organizadora da festa concordou em mudar o trajeto dos enfeites (tapete). Presidida por Cláudio Raysaro em conjunto com o padre Sandro, a comissão conta com as atuantes colaboradoras Ângela Soares, Camila Giacomelli e Tata Biffe.

 

“Decidimos fazer o tapete em volta da Praça da Igreja Matriz, mais um trecho da Rua Dr. Pedro de Toledo. A praça de alimentação será montada na Rua José Bonifácio ao lado das pracinhas onde a noite será realizado um show musical. Será uma mudança visando concentrar as atividades religiosas em volta da igreja, o que vai manter o respeito necessário para a missa e a procissão”, destaca Raysaro.

 

Além de admirar o tapete confeccionado pela comunidade, os fiéis poderão participar da Hora Santa da Igreja Matriz, às 15h; da missa, procissão e bênção do Santíssimo Sacramento, às 15h; além de assistir aos shows pirotécnico e do Grupo Zíngaro, às 22h.

 

TAPETE
A confecção dos tapetes tem início às 6h. A base material é de granilha (pequenas pedras), vindas do Estado do Paraná, além de inovadores recursos visuais que certamente surpreenderão os visitantes.

 

Os 24 mil quilos de granilha são coloridos artesanalmente pela equipe de funcionários da prefeitura e pelo, hoje voluntário, Baianinho (que até o ano passado era funcionário e agora já aposentado continua no oficio de “tingidor das granilhas”). Outra parte de materiais usados para o dia é de ferro, que forma as bases dos desenhos. Essas formas são confeccionadas pelo serralheiro Nelson Moura. No total, o tapete tem cerca de 550 metros.

 

Lembrando que a festa é motivada pela fé na eucaristia (presença real de Jesus na hóstia consagrada), o padre Sandro Rogério dos Santos e o prefeito, José Adivaldo Giacomelli, manifestaram os seus sentimentos para o dia: “A nossa comunidade piquerobiense espera por você e pela sua família de braços abertos e com o desejo de oferecer a melhor acolhida e o sentimento de piedade e fé viva e sólida na eucaristia”.

(Com Assessoria de Imprensa – fonte Jonal O Imparcial, 21/5/2008)

 

 

veja reportagem da TV Fronteira no link abaixo

http://www.ifronteira.com/media_center/index.php?id=9351

“Eu sou o pão da vida!” (Jo 6,48)

 

Às vésperas de Corpus Christi, a grande festa da eucaristia, reproduzo uma página da Bíblia que dá motivações suficientes para a nossa fé na presença real de Jesus neste sacramento salutar. Está no evangelho de São João, capítulo seis. Veja o diálogo de Jesus com os seus discípulos às margens do Mar de Tiberíades (Sinagoga de Cafarnaum):

 

 “Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu; porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe: Senhor, dá-nos sempre deste pão! Jesus replicou: Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede.” (Cf. Jo 6,32-35).

 

 “Eu sou o pão da vida”. (Jo 6,48)

 

 “Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer”. (Jo 6,50)

 

 “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo”. (Jo 6,51)

 

 “Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. (Jo 6,53-56)

 

 “Disse Jesus: há alguns entre vós que não crêem...” (Jo 6, 64)

 

Com Pedro professamos: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!” (Jo 6, 68-69).

 

Queridos/as amigos/as do blog, espero em Deus que o seu dia seja de paz e de profunda alegria.

 

Eu gosto muito (dentre outras) de duas palavras de Deus: “tudo tem seu tempo” (Ecl 3,1) e “estarei com você todos os dias até o fim” (Mt 28,20).

 

Elas me fazem pensar cada dia como um novo dia. Único dia, o dia da graça, o dia favorável... O dia de cantar as misericórdias do Senhor e celebrar sem medo a nossa própria vida.

 

Exercite neste dia a confiança em si e em Deus. Trabalhe como se tudo dependesse de você e, confie como se tudo dependesse de Deus.

 

Fique bem. Bênçãos e paz!

Pensando bem

 

O Papa Bento XVI foi Savona (Itália). Na missa da Santíssima Trindade, centrou a homilia na “Misericórdia, que é sinônimo de amor, de graça. Nisso consiste toda a essência do cristianismo, pois é a essência do próprio Deus. Deus é Uno, pois é todo e só Amor, mas precisamente porque é Amor, é abertura, acolhida, diálogo; e em sua relação conosco, homens pecadores, é misericórdia, compaixão, graça, perdão”.

Pensando bem

A solidão é um problema?

Há pessoas para quem ela é a solução, a única. Para a maioria, o que funciona melhor, pelo que vejo, é um equilíbrio: vida sem nenhuma solidão é difícil, como se a gente perdesse a relação consigo mesmo.

A internet atrapalha as relações humanas?

Na verdade acho que não. As relações são sempre atrapalhadas. A net permite encontros que, no passado, nunca teriam sido possíveis.

 

(Contardo Calligaris, bate-papo UOL, 19/5)

NÃO ESQUEÇA O MELHOR

 

Costumo receber muitos e-mails. Cada qual contém mensagens das mais variadas. Há partilhas, poemas, cobranças, propagandas, histórias, mensagens, músicas... Você, leitor/a, do blog sabe que publico algumas. Outras, não faço pelo simples fato de não pedir autorização. A Jandira (de BH/MG) sempre envia textos comentados do Anselm Grun – autor que aprecio bastante e sempre indico para quem quer ler bons conteúdos espirituais. Vou publicar mais uma dessas mensagens. Oportuna, como sempre.

 

A vida sempre nos decepciona. Ficamos desiludidos conosco, com nossos fracassos, com nossas sombras, com nosso parceiro, com nossa família, com a vida religiosa, com a paróquia. Algumas pessoas reagem à decepção com resignação e aceitam a vida como ela é, deixando as coisas acontecerem. Em seu coração, morre toda vivacidade, toda esperança. Com isso, enterram seus sonhos. No entanto, a decepção pode nos levar até o tesouro e nos libertar das ilusões a respeito de nosso futuro. Talvez tenhamos observado tudo através de óculos cor-de-rosa, mas, agora, a decepção nos tira esses óculos e nos mostra a verdade da vida.

 

A decepção desmascara e desfaz o engano do qual fomos vítima até agora. Mostra-nos que nossa auto-imagem não era correta, que erramos na auto-avaliação. Desse modo, a decepção é uma chance para descobrir meu verdadeiro eu, a imagem que Deus fez de cada um. Claro, no primeiro momento, a decepção machuca. Mas, ao passar pela dor, aprendemos a nos reconciliar com a realidade e, assim, viver de modo realista e adequado. [Anselm Grun, “Não esqueça o melhor”, ed. Paulinas]

 

*****

Li em outro livro há algum tempo atrás que em geral construímos ou vivemos em dois níveis: o real e o ideal. Penso que nos decepcionamos muito quando idealizamos coisas a nosso respeito e a respeito dos outros, da vida etc. E quando damos de cara com a realidade, nua e crua, nos decepcionamos, nos frustramos. O bom será quando aprendermos a lidar com essas duas realidades. Tenho tentado ficar mais consciente disso e quando me decepciono, sempre constato que me decepcionei porque fantasiei, idealizei.

 

Saber que quanto mais nos despojarmos das idealizações e encararmos a verdade, mais teremos condições de sermos pessoas inteiras. Que sabem lidar com as contradições da vida. [Jandira (oração centrante / belo horizonte)]

“Nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários!”

(Santa Paulina / * hoje, 19 de maio, faz seis anos de sua canonização em Roma pelo Papa João Paulo II)

A IGREJA PROIBE A CREMAÇÃO?

A Igreja NÃO proíbe a cremação. Veja o que diz o Catecismo:

 

Cremação do corpo

2301 – A autópsia de cadáveres pode ser moralmente admitida por motivos de investigação legal ou de pesquisa científica. A doação gratuidade órgãos após a morte é legítima e pode ser meritória. A Igreja permite a incineração se esta não manifestar uma posição contrária à fé na ressurreição dos corpos (CDC, cân. 1176,3).

JOÃO, CAPÍTULO 3

 

16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.

 

17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.

 

18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

Domingo da Trindade

QUEM É O DEUS EM QUEM ACREDITO?

É o Deus uno, que é Deus trino. Pai e Criador, manifestou-Se a nós, como Amor, no Filho, Jesus Cristo. O Senhor Jesus veio a nós, e atua em nós, pelo Espírito Santo, que nos congrega na unidade com as três pessoas divinas.

Este nosso Deus “clemente e compassivo, cheio de misericórdia e fidelidade” (1ª leitura), “Deus do amor e da paz” (2ª leitura), “amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito… para que o mundo seja salvo por Ele” (Evangelho).

Deus ama o mundo. Apesar de haver catástrofes, sofrimento de inocentes, mortes prematuras. O amor de Deus pelos homens não faz com que seja abolida a dor, no mundo. Em que consiste, então, o seu amor? Em dar-nos o seu Filho. Somos convidados a “acreditar” n’Ele, para não perecermos, para termos a vida eterna. O amor de Deus é que faz com que seja possível a nossa fé. E a fé é que dá sentido à minha vida, neste mundo e para lá da morte. Não se trata de viver sem dor. Trata-se, sim, de viver com sentido.

 

O SENTIDO DA VIDA

Para que (para quem?) é que eu vivo? A fé faz-me saber que sou aceite e amado por Deus. Ele conhece-me pelo nome, como sou. Com as minhas qualidades e defeitos, com os claros-escuros da história da minha vida. Acreditar, dá-me confiança, dá sentido ao meu viver.

A fé faz-me refletir e conduz-me à convicção de que Deus tem planos de salvação a meu respeito, quando permite que eu sofra e passe por tribulações. A noite da dor tem que ter sentido!

A fé impele-me a reconhecer e a pôr a render os meus talentos, d’Ele recebidos, em benefício dos outros, dando sentido ao meu agir.

A fé ajuda-me a compreender os outros, a perdoar, a prestar auxílio, dando também sentido à vida deles.

A fé faz mesmo com que eu seja capaz de superar o medo da própria morte, porque Deus não deixará que eu venha a cair no nada. Morrer será um ser recebido nos seus braços.

A fé é a grande dádiva do Amor de Deus. Acreditar que Deus ama o mundo a ponto de entregar o Filho para salvar os homens, dá sentido à minha vida. Mas, claro está: a fé só realiza esta “salvação”, se traduzida em prática quotidiana. Jesus falou-nos do Amor do Pai. Encarnou em Si esse amor. Esse amor dá sentido à existência. O Espírito Santo – Deus em nós – acende no nosso íntimo o fogo do amor-resposta que, testemunhado no serviço concreto aos irmãos, dá sentido ao nosso dia-a-dia na terra.

 

[mensageiro do coração de Jesus]

Domingo da Trindade

Leituras: Ex 34, 4b-6.8-9; 2 Cor 13, 11-13; Jo 3, 16-18

 

TRINDADE, ESCOLA DE RELAÇÃO

 

 

Por que os cristãos acreditam na Trindade? Não é já bastante difícil crer que existe Deus como para acrescentarmos o enigma de que é «uno e trino»? Freqüentemente aparecem aqueles que deixariam de lado a Trindade, também para poder assim dialogar melhor com judeus e muçulmanos, que professam a fé em um Deus rigidamente único.

 

A resposta é que os cristãos acreditam que Deus é trino porque crêem que Deus é amor! Se Deus é amor, deve amar alguém. Não existe um amor vazio, sem ser dirigido a ninguém. Interrogamos-nos: a quem ama Deus para ser definido amor? Uma primeira resposta poderia ser: ama os homens! Mas os homens existem há alguns milhões de anos, não mais. Então, antes, a quem amava Deus? Não pode ter começado a ser amor desde certo momento, porque Deus não pode mudar. Segunda resposta: antes de então amava o cosmos, o universo. Mas o universo existe há alguns milhões de anos. Antes de então, a quem amava Deus para poder ser definido como amor? Não podemos dizer: amava a si mesmo, porque amar a si mesmo não é amor, mas egoísmo, ou, como dizem os psicólogos, narcisismo. 

 

Está aqui a resposta da revelação cristã. Deus é amor em si mesmo, antes do tempo, porque desde sempre tem em si mesmo um Filho, o Verbo, a quem ama com amor infinito, que é o Espírito Santo. Em todo amor há sempre três realidades ou sujeitos: um que ama, um que é amado e o amor que os une. Ali onde Deus é concebido como poder absoluto, não existe necessidade de mais pessoas, porque o poder pode ser exercido por um só; mas não é assim se Deus é concebido como amor absoluto.

 

A teologia tem-se servido do termo natureza, ou substância, para indicar em Deus a unidade, e o termo pessoa para indicar a distinção. Por isso, dizemos que nosso Deus é um Deus único em três pessoas. A doutrina cristã da Trindade não é um retrocesso, um pacto entre monoteísmo e politeísmo. Ao contrário: é um passo adiante que só o próprio Deus poderia fazer que a mente humana desse.

 

A contemplação da Trindade pode ter um precioso impacto em nossa vida humana. É um mistério de relação. As pessoas divinas são definidas pela teologia como «relações subsistentes». Significa que as pessoas divinas não têm relações, mas que são relações. Os seres humanos têm relações – entre pai e filho, marido e mulher... –, mas não nos esgotamos nestas relações; existimos também fora e sem elas. Não é assim com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

 

A felicidade e a infelicidade na terra dependem em grande medida, sabemos, da qualidade de nossas relações. A Trindade nos revela o segredo para ter relações belas. O que faz bela, livre e gratificante uma relação é o amor em suas diferentes expressões. Aqui se vê quão importante é contemplar a Deus antes de tudo como amor, não como poder: o amor doa, o poder domina. O que envenena uma relação é querer dominar o outro, possuí-lo, instrumentalizá-lo, em vez de acolhê-lo e entregar-se. Devo acrescentar uma observação importante. O Deus cristão é uno e trino! Esta é, portanto, desta forma, a solenidade da unidade de Deus, não só de sua trindade. Nós, cristãos, também cremos «em um só Deus», só que a unidade na qual cremos não é uma unidade de número, mas de natureza. Parece mais a unidade da família que a do indivíduo, mais a unidade da célula que a do átomo.

 

A primeira leitura da Solenidade nos apresenta o Deus bíblico como «misericordioso e clemente, lento para a cólera e rico no amor e na fidelidade». Este é o traço que mais reúne o Deus da Bíblia, o Deus do Islã e o Deus (melhor dito, a religião) budista, e que se presta mais, por isso, a um diálogo e a uma colaboração entre as grandes religiões. Cada sura do Alcorão começa com a invocação: «Em nome de Deus, o Misericordioso, o Compassivo». No budismo, que desconhece a idéia de um Deus pessoal e criador, o fundamento é antropológico e cósmico: o homem deve ser misericordioso pela solidariedade e a responsabilidade que o liga a todos os viventes. As guerras santas do passado e o terrorismo religioso do presente são uma traição, não uma apologia, da própria fé. Como se pode matar no nome de um Deus ao qual se continua proclamando «o Misericordioso e o Compassivo»? É a tarefa mais urgente do diálogo inter-religioso que juntos, os fiéis de todas as religiões, devem buscar a paz e o bem da humanidade.

 

[padre Raniero Cantalamessa, OFM-Cap.]

DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA

[pela ONU, 15 de maio]

 

Hoje o mundo lembra que a família existe, é e continua sendo o tesouro mais importante de todos os povos e nações. Como não defender e promover a família com tantas situações adversas ameaçando! O Documento de Aparecida afirma: “Em nossos países, parte importante da população está afetada por difíceis condições de vida que ameaçam diretamente a instituição familiar. Em nossa condição de discípulos e missionários de Jesus Cristo, somos chamados a trabalhar para que tal situação seja transformada e a família assuma seu ser e sua missão no âmbito da sociedade e da Igreja”.

A responsabilidade é de todos. “A sociedade não é mais do que o desenvolvimento da família: se o homem sai corrupto, da família, corrupto estará na sociedade” (Lacordaire). Defender a família é defender segundo os planos de Deus. “A família cristã está fundada no sacramento do matrimônio entre um homem e uma mulher, sinal do amor de Deus pela humanidade e da entrega de Cristo por sua esposa que é a Igreja. A partir dessa aliança se manifestam a paternidade e a maternidade, a filiação e a fraternidade, e o compromisso dos dois por uma sociedade melhor” (DA, 433). Não pode existir outro modelo de família a não ser aquela querida por Deus. Teremos um mundo melhor quando nossas famílias forem melhores.

No dia 07 deste mês, a família ganhou, o Brasil ganhou, a vida ganhou, quando votada a proposta de lei do aborto; a vitória foi de 33x0. A vida venceu a morte! Que pena não ter tido a cobertura dos meios de comunicação sobre essa vitória que alegrou o coração de milhares e milhões de crianças no ventre materno. Que pena não ter visto estampado nas primeiras páginas dos jornais e revistas, a vitória da vida. Que pena ver sempre as manchetes anunciando violência, ódio, para vender e ganhar em cima da desgraça alheia. Que pena não ter visto ao vivo essa vitória, como os meios fizeram e continuam fazendo com o caso Isabela. Porque a morte de Isabela chocou tanto os meios de comunicação e não chocam os milhares de abortos silenciosos de inocentes? Inocentes são tirados do útero materno e jogados nas lixeiras!  Sem dúvida, tanto Isabela como os milhares de inocentes anônimos clamam e gritam pela vida.

Defender a família é defender a vida desde o ventre materno até a morte natural. Essa responsabilidade pesa sobre todos nós, principalmente sobre os “legisladores, governantes e profissionais da saúde, conscientes da dignidade da vida humana e do fundamento da família em nossos povos, a defendam e protejam dos crimes abomináveis do aborto e da eutanásia” (DA, 436). Tudo o que pode fazer pela vida é sempre pouco diante da importância e significação para a sociedade e para o mundo.

“No seio de uma família, a pessoa descobre os motivos e o caminho para pertencer à família de Deus. Dela recebemos a vida que é a primeira experiência do amor e da fé” (DA, 118).

“Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões. A presença invocada de Cristo, através da oração em família, nos ajuda a superar os problemas, a curar as feridas e abre caminhos de esperança” (DA, 119). Trazemos um tesouro em vaso de barro, expressão do Apóstolo Paulo, que nos faz cuidar e defender a todo custo esse tesouro, a Família, a minha família, a família de todos e cada um de nós. Nem Deus resiste a um homem ou uma mulher ajoelhado, orando, principalmente quando orar pela família.

[Dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá]

UM NOVO DIA EM SUA VIDA!

 

Havia algum tempo que não “brincava” no rádio. Graças a Deus, apareceu-me novamente a oportunidade e vou fazer desta ocasião de levar a quem se dispuser a sintonizar a rádio e me escutar as coisas que “povoam” meu coração. Aquilo que acredito, as coisas que busco e aquelas que já encontrei. Hoje de manhã (7h) iniciei pela RÁDIO ONDA VIDA – AM 1300 o programa “Um novo dia em sua vida”. Vai ao ar sempre ao sábado das 7h às 8h.

 

Basicamente, o programa será de:

- Músicas religiosas,

- pensamentos e músicas do padre Zezinho (espécie de “rei Roberto Carlos” católico),

- comentário sobre notícias que ocupam a mídia durante a semana,

- “razões da esperança”, uma quadro para esclarecer sobre dúvidas que as pessoas tenham da própria fé,

- “parábolas da vida”, uma história (real ou fictícia) que ajude-nos a pensar, refletir e rezar a vida.

- orientações espirituais; entre outras coisas que espero com o transcurso do tempo, assimilar e aproveitar.

 

Por ora, está restrito à nossa região de Presidente Prudente, que é o alcance do sinal da emissora. Alguns lugares do norte do Paraná e do Sul do Mato Grosso do Sul também podem sintonizá-la. Em breve, o padre Silvio (diretor da emissora) e sua equipe disponibilizarão toda a programação pela internet também.

 

Sintonize a rádio que vai mais longe pra ficar mais perto de você!

 

ps – hora dessas eu explico o nome do programa. Pela vida, sempre!

santíssima trindade

FAZ-ME COMPREENDER, Ó DEUS

 

 

 

Que há coisas que nunca entenderei e que nas que conheço, Tu sempre estarás comigo.

Que o amor, puro e radical como o Teu, é a fonte da união.

Que o amor, simples e egoísta do ser humano, é muitas vezes, princípio de muitos sofrimentos.

 

FAZ-ME ENTENDER, Ó DEUS

Que no aparente inexistente para meus olhos residem muitas verdades de Teu amor e de Teu poder.

Que no amor, gratuito e que por três canais me dás, posso Te amar como Pai, Filho e Espírito.

Que no segredo desta aliança trinitária posso beber a água da comunhão que se respira e se vive no céu.

 

FAZ-ME ENTENDER E COMPREENDER, SENHOR

Que sendo invisível como és Te fizeste como um de nós em Belém desejando poder tocar-nos, sem outro desejo que o de amar-nos mais e melhor, sem outras intenções senão a de compartilhar nossa existência, sem mais direito do que integrar-te em nosso meio.

 

FAZ-ME ENTENDER E COMPREENDER, MEU DEUS

Que sem ser demasiado consciente, eu também sou imagem de Teu amor trinitário

Que em minha mão está o amar ou o odiar

Que em meu coração está a força para a comunhão ou a inclinação para a divisão

Que meus pés podem caminhar ao bem comum ou ao próprio egoísmo.

 

GRAÇAS, SENHOR!

Porque ao ser tão grande, e já que há certos mistérios que não entendo nem compreendo, dobro meus joelhos e te digo: TE AMO e TE QUERO! Amém!

 

[tradução livre do original espanhol]

santíssima trindade

TU, DEUS, ÉS AMOR

 

Amor que se fez homem em Belém

Amor que se fez Palavra desde antigamente

Amor que compartilhou nossa vida

Tu, Deus, és amor

 

Amor que subiu à cruz

Amor que jorrou na cruz

Amor que fez tudo para salvar-nos

Tu, Deus, és amor

 

Amor que é uma família de três

Amor que é Pai

Amor que é Filho

Amor que é Espírito

Tu, Deus, és amor

 

Amor que nunca engana

Amor que sempre une

Amor que sai e encontra

Tu, Deus, és amor

 

Amor de três pessoas distintas

Amor de três pessoas que se amam

Amor de três pessoas que nos amam

Amor de três pessoas que vivem para que vivamos

Tu, Deus, és amor.

 

[tradução livre do orginal espanhol]

pensando bem

Não se penetra no coração de Deus com racionalizações, mas com a experiência do amor”, afirmou (ontem) o Papa Bento XVI.

 

Para o Pseudo-Dionísio, «toda a criação fala de Deus e é um elogio de Deus». Por este motivo, «Deus é encontrado sobretudo quando é louvado, não apenas no exercício da reflexão; e a liturgia não é algo construído por nós, algo inventado para fazer uma experiência religiosa durante um certo período de tempo; consiste em cantar com o coro das criaturas e em entrar na mesma realidade cósmica».

 

O teólogo do século VI nos ensina que «os conceitos mais elevados sobre Deus não chegam nunca até sua autêntica grandeza; são sempre impróprios», pois «Deus está acima de todos os conceitos». «Na simplicidade das imagens, encontramos mais verdade que nos grandes conceitos --seguiu dizendo. O rosto de Deus é nossa incapacidade para expressar realmente o que é».

 

Deste modo, fala de uma «teologia negativa»: «é mais fácil dizer o que não é Deus que expressar o que realmente é». «Apenas através destas imagens, podemos adivinhar seu verdadeiro rosto e, por outro lado, este rosto de Deus é muito concreto: é Jesus Cristo», de fato, «o caminho para Deus é Deus mesmo, o qual se faz próximo de nós em Jesus Cristo».

 

«No final, o amor vê mais que a razão. Onde está a luz do amor, as trevas da razão se desvanecem; o amor vê, o amor é um olho e a experiência nos dá muito mais que a reflexão. Boaventura viu em São Francisco o que significa esta experiência: é a experiência de um caminho muito humilde, muito realista, dia após dia, é caminhar com Cristo, aceitando sua cruz.»

sobre a divina eucaristia

“Na eucaristia Jesus não ‘dá algo’ mas dá-se a Si mesmo;

Ele oferece o Seu Corpo e derrama o Seu Sangue.

Desta forma doa a totalidade da Própria existência,

revelando a fonte originária deste amor”

 

(Sacramentum Caritatis, 7)

oremos

“Ouço no meu coração:

‘busquem meu rosto!’

– é teu rosto que eu procuro, Javé!”

 

(Sl 27,8)

“ARTE DE SER FELIZ”

Por Lídia González e Teresa de Diego

MADRI, segunda-feira, 12 de maio de 2008 (ZENIT.org).

 

O Pe. Ignácio Larrañaga, sacerdote franciscano, capuchinho, fundador das Oficinas da Oração, que beneficiaram mais de dez milhões de pessoas, é um dos mestres do espírito deste começo de milênio. Autor de mais de 12 livros que foram traduzidos a mais de dez idiomas, ele teve uma enorme influência com sua pedagogia, que vincula a oração com a vida concreta, especialmente com a vida conjugal. É autor de um dos livros de espiritualidade de mais êxito neste momento, “A arte de ser feliz”, que já chegou à sua 7ª edição, com o qual pretende ajudar o homem moderno a sair de sua angústia e encontrar a felicidade. Assim explica este missionário nesta entrevista, cuja obra, com reconhecimento pontifício, estendeu-se por todos os continentes.

 

-É possível que o homem seja realmente feliz?

-Pe. Larrañaga: Ainda que mágica, a palavra felicidade não deixa de ser uma palavra errada. Na realidade, ninguém é feliz, completamente feliz. Pode ter momentos de êxtase ou exaltação e nesses momentos parece que se chegou à plenitude da felicidade; mas, vã ilusão! São momentos efêmeros, fugazes. Pode haver faíscas de felicidade, de alegria, mas a felicidade em si? Não. O que aborta a felicidade é o sofrimento, e aqui podemos estabelecer uma lei de proporcionalidade: quanto mais sofrimento, menos felicidade; quanto menos sofrimento, mais felicidade. «A arte de ser feliz» ensina a eliminar ou diminuir qualquer sofrimento e, por este caminho, ensina não a ser feliz, mas sim a ser mais feliz. Eis aí a arte.

 

-Um homem que sofre doença ou dor física pode ser feliz?

-Pe. Larrañaga: Pode-se dizer que qualquer dor corporal já foi eliminada com os remédios modernos. Mas... e a doença? O problema da doença não é a perturbação biológica, mas a resistência mental que a angústia tem. A angústia é o pior espinho da doença. Um enfermo inundado de uma grande paz é um enfermo feliz. Este livro ensina precisamente isso: arrancar da doença seu pior espinho, que é a angústia. Transformar a doença na «irmã doença» e fazer do enfermo um «enfermo feliz». Eis aí a arte.

 

-Hoje em dia vivemos pensando em ter êxito. Como preparar-nos para aceitar o fracasso?

-Pe. Larrañaga: É verdade. Estamos imersos em uma sociedade excessivamente competitiva na qual o mais forte, o mais audaz, o mais criativo vence na luta sem trégua. Por todas as partes se ouve o grito romano «ai dos vencidos», ou seja, «ai dos fracassados». Nesta sociedade não há lugar para os fracassados; eles são eliminados com crueldade e sem compaixão. Você me pergunta: como aceitar o fracasso sem cair? Francamente, não sei; ou melhor, acho impossível. Talvez só o espírito de fé e abandono em Deus poderia suavizar o sofrimento e ajudar a pessoa a manter-se de pé. Sem fé é inevitável cair de costas, feito pedaços.

 

-Há pessoas que acreditam que o homem se tortura com angústias e obsessões porque pensa demais.

-Pe. Larrañaga: Não porque pensa demais, mas porque dá voltas em sua mente, inutilmente, a fatos consumados e episódios tristes. E de tanto dar voltas em sua cabeça a acontecimentos tristes da vida, as pessoas se tornam temperamentalmente tristes. Os fatos que não têm solução ou cuja solução não está em nossas mãos, para que dar voltas na mente? Deve-se deixá-los nas mãos de Deus.

 

-Por que acredita que temos tanto medo de que os anos passem e a morte nos surpreenda sem ter vivido? Qual é sua resposta aos que temem a morte?

-Pe. Larrañaga: É um sentimento profundo, quase sempre inconsciente, mas real: os anos vão se passando e as pessoas estão se aproximando do ocaso da vida. Não lhes falta nada. Por ter tudo, até têm saúde física e mental, mas estão dominadas pela sensação de que lhes falta tudo. Se lhes perguntamos pela razão de seu viver, responderão que não a têm. É o vazio, a escura sensação de que a vida se vai sem que a tenham vivido. Sua existência não foi gratificante. Resposta aos que temem a morte? Não é fácil responder. É um fenômeno de grande complexidade. Esse temor, para os que não têm fé, participa do «horror vacui», horror ao vazio. Certamente é um temor irracional: deveriam pensar mil vezes na lei universal de que o que começa, acaba, lei respeitada por todos os seres da criação, exceto pelo homem.

 

-Da mesma forma que aprendemos a ler, escrever... temos de aprender a ser felizes? Depende de nós ou das circunstâncias que nos corresponde viver?

-Pe. Larrañaga: Na época pré-humana, os animais não tinham problemas para viver. Todos os seus problemas tinham soluções mediante mecanismos instintivos com os que resolviam, quase mecanicamente, suas necessidades elementares. Os animais não podem ser mais felizes do que são. Não têm problemas. O homem, ao contrário, desde que sai à luz, só encontra problemas: tem de começar a respirar, alimentar-se, a andar, a falar... e assim, ao longo dos anos, e até a morte , sua existência é um eterno aprender a viver e ser feliz. É verdade que há personalidades geneticamente inclinadas à tristeza, outras à alegria. Também é verdade que certas circunstâncias da vida podem favorecer ou colocar obstáculo ao viver. Mas é o próprio leitor quem tem de pôr em prática os meios de autoliberação que o livro entregará em um processo de progressiva superação do sofrimento humano, avançar paulatinamente rumo à tranqüilidade da mente, a serenidade dos nervos e a paz da alma.

 

-Atualmente dispomos de muitos meios materiais, avanços tecnológicos... mas as pessoas parecem mais individualistas, nervosas, distraídas, ou seja, menos felizes. Teremos de fugir para uma ilha deserta para ser felizes?

-Pe. Larrañaga: Efetivamente, a sociedade moderna é assassina, digamos assim, porque acaba por desintegrar o mais sagrado do homem, que é a unidade interior e a estabilidade emocional. E por aí sobrevém a dispersão, o estresse, e podemos aproximar-nos perigosamente da depressão, e tudo isso em meio à sensação generalizada de desassossego. Para salvar-nos de uma sociedade tão desestabilizadora, não precisamos retirar-nos a uma ilha solitária. Mas tampouco cabe a possibilidade de viver um presente de natal. O leitor terá de submeter-se a um processo de autoliberação seguindo as pautas do livro.

 

-Você dá muita importância à oração; precisa dela para viver com alegria?

-Pe. Larrañaga: Penso absolutamente que o trato de amizade e a relação pessoal com Deus favorecem enormemente, quase decididamente, a liberdade interior, a ausência do medo e da alegria de viver. Também suspeito que a oração e a atitude de abandono são o único caminho da paz profunda. De qualquer forma, penso que os golpes rudes da vida nos despedaçarão inevitavelmente se Deus estiver totalmente ausente do coração.

 

-E se a pessoa não tem fé, pode ser igualmente feliz?

-Pe. Larrañaga: Compreendo que pode haver homens e mulheres completamente agnósticos e igualmente felizes. Mas isso por exceção. O homem, sem fé, tem de sentir um grande vazio, na última solidão do ser, naquele poço infinito que só um infinito pode preencher. Em todo caso, todas as reflexões e orientações que «A arte de ser feliz» oferece vão dirigidas aos que não têm fé ou cuja fé é frágil.

sobre a divina eucaristia

A IGREJA VIVE DA EUCARISTIA

 

Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20); mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par.

 

Desde o Pentecostes, quando a Igreja, povo da nova aliança, iniciou a sua peregrinação para a pátria celeste, este sacramento divino foi ritmando os seus dias, enchendo-os de consoladora esperança. O Concílio Vaticano II justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é «fonte e centro de toda a vida cristã». (EE, n.1).

 

Com efeito, «na santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo».

 


Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia (EE) do Sumo Pontífice João Paulo II sobre a eucaristia na sua relação com a Igreja.

tempo de partilha

ESCOLA DA VIDA

 

“A vida é uma escola”, diz o dito popular. Mesmo na escola da vida não se aprende sem esforço. É preciso ser bom aluno da vida para nela não reprovar.

 

Ocorreram-me tais pensamentos ao ler que só pode dar lição ao outro aquele que antes a aprendeu. Não seria essa uma límpida constatação da verdade?

 

As lições da escola da vida, infelizmente, não são assimiladas por todos os alunos. A competência naquilo que se faz dependerá nalgum grau da competência com que se aprendeu com outros.

 

Ainda, não seria tolo nem estranho pensar a vida como uma corrida de bastão. Um revezamento quatro por quatro. Sim. Chega determinada hora que mesmo tendo forças e ou condições, é preciso passar o bastão adiante.

 

Aprendemos ensinando. Ensinamos aprendendo.

 

Agradeço a Deus pelos mestres e pelos discípulos que na escola da vida permitiu passarem por meu caminho.

 

Pela vida, sempre!

pensando bem

O CAMINHO DA IGREJA

 

A Igreja não tem poder. Nem tem de viver atrelada ao poder. O poder da Igreja é o amor. É a recusa do poder. É ser fermento. Quanto mais serva, mais mestra será a Igreja. [padre João Antonio]

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

 

Comemorado em 13/5

"Fátima" tem muitos significados, entre os quais "a que deixou de mamar", "a esplêndida", "a fecunda"

 

As aparições de Nossa Senhora, em Fátima, aos três pastorinhos portugueses, Lúcia, 10 anos, Francisco, 9 e Jacinta, 7 anos, iniciaram-se no dia 13 de maio de 1917. A Virgem pediu-lhe que ali viessem por seis meses seguidos no dia 13 à mesma hora. Pediu também que rezassem o terço todos os dias pela paz do mundo e o fim da guerra (I Guerra Mundial). A notícia espalhou-se rapidamente e uma grande multidão acorreu a Fátima e foi testemunha de numerosos prodígios, como o giro do Sol sobre si mesmo. Em 1946, perante uma multidão de 800 mil pessoas, Nossa Senhora foi coroada solenemente em Fátima. No dia 13 de maio de 2000, Jacinta e Francisco foram beatificados por João Paulo II.

 

A Virgem de Fátima é invocada com a seguinte oração:

Santíssima Virgem, nos montes de Fátima vos dignastes revelar a três pastorinhos os tesouros de graças contidos na prática do vosso santo rosário. Incuti profundamente em nós o apreço a essa devoção, a vós tão querida, a fim de que, meditando os mistérios da redenção, nos aproveitemos de seus preciosos frutos e alcancemos a graça... que vos pedimos, se for para melhor colaborarmos com a glória de Deus, que é a vida em abundância do ser humano. Amém.

(Em seguida reza-se o pai-nosso, a ave-maria e o glória).

 

ORAÇÃO DE MARIA, NOSSA MÃE

Maria, nossa Mãe e Senhora da paz, nesse momento concentramos nosso pensamento em vós. Olhai para nosso coração desejoso da paz de espírito e da harmonia que nascem de uma vida generosa e solidária. Dai-nos, por vosso Filho Jesus, a simplicidade e a retidão de pensar e de agir para que se tornem transparentes nossas atitudes e nosso modo de ser. Sois mãe, conheceis o íntimo de cada filho vosso. Conhecei os sonhos que nos alentam, os medos que nos apavoram. Conheceis nossa sombra e nossa luz e o caminho que trilhamos. Sabeis das nossas necessidades todas. Sabei de nossas aflições e dos nossos fracassos. Sabeis o quanto podemos ser enganados, ludibriados, explorados em nossa boa fé. Por isso, ó Mãe, velai por nós agora e sempre. Intercedei a Deus por nós e atendei favoravelmente os nossos pedidos. Com vosso manto maternal, amparai-nos e de todos os perigos defendei-nos.

PIQUEROBI - CORPUS CHRISTI

\o/

CONFIAR NO SENHOR É BOM

 

Uma casa em chamas.

Um garotinho assustado, preso no quarto em chamas, cercado de fumaça, grita por socorro.

O pai que vinha chegando a casa, ouve os gritos do menino e lhe diz: – “Pule, filho, papai esta aqui!”

Mas o menino, assustado com a fumaça que o envolve, diz ao pai: – “Mas eu não estou vendo você!”

– “Pode pular, diz o pai, que eu estou te vendo!”

O menino então, confiando no pai, salta pela janela do quarto e vai cair, são e salvo, nos braços do pai.

Assim é Deus!!!

 

Lembre-se:

Deus te vê. Deus te ama. Confie n’Ele. Busque-O. Se entregue a Ele. Ainda que não o vejamos, Ele está conosco. Renovemos neste dia a nossa confiança no Senhor. Os que nele confiam são como os montes de Sião que não se abalam, mas permanecem para sempre!

ORAÇÃO DO DOM TOTAL DE SI

 

 

Deus, nosso Pai, fazei hoje de nós tudo para todos. Aproveitemos o momento presente para buscar nossa bem-aventurança, nosso eixo, nosso ponto de apoio, nossa razão de ser. Livrai-nos da avareza que a tudo se apega e nada condivide. Dai-nos bom senso, para não sermos enganados pelos vendedores de ilusões e de sonhos fáceis e pelas mentes enganadoras. Dai-nos discernimentos para que não sejamos seduzidos pelas cores e brilhos dos ídolos que nos cegam e roubam de nós a dignidade de pessoas libertas e livres. Fazei-nos tudo para todos. Favorecei-nos com um tempo de paz de solidariedade e de humanos sentimentos. Favorecei-nos com um tempo de desprendimento em que sejam queimadas as palhas de nossas futilidades. Sejamos o trigo que se deixar moer, o pão que se deixa consumir, as sementes que se rasgam para nascer. Sejamos a água que se deixa diminuir e no gesto de tudo doar aconteça o milagre de tudo ganhar.

VIVER SEGUNDO O ESPÍRITO SANTO

 

Viver segundo o Espírito Santo é difícil.

Viver com o Espírito Santo não é tão difícil.

É bom pensar que Ele

Acompanha-nos ainda que não nos demos conta;

Fala-nos ainda que não o escutemos;

Conduz-nos ainda que escolhamos caminhos contrários;

Transforma-nos ainda que pensemos tudo ser obra nossa.

 

VIVER PENTECOSTES

É pedir a Deus que nos ajude a construir a grande família que é a Igreja;

É orar a Deus para tirar de cada um o melhor de nós mesmos;

É ler a Palavra e pensar “isto Jesus diz para mim”;

É comer a Eucaristia e sentir o milagre da presença real de Cristo;

É rezar, e apalpar – com calafrios – o rosto de um Deus que nos ama.

 

PENTECOSTES É O DEUS INVISÍVEL!

O Deus que caminha conosco até o dia que nos chame à sua presença;

O Deus que nos dá novos sonhos e ideais;

O Deus que nos levanta quando caímos;

O Deus que nos une quando estamos dispersos;

O Deus que nos atrai quando d’Ele nos separamos.

 

PENTECOSTES É O DEUS DA BRISA SUAVE!

O Deus que nos cerca com seu silêncio;

O Deus que nos instrui com seu conselho;

O Deus que nos sustenta com sua fortaleza;

O Deus que nos faz grandes com sua sabedoria;

O Deus que nos faz felizes com seu entendimento;

O Deus que nos faz reflexivos com seu santo temor;

O Deus que nos faz comprometidos com o dom da piedade;

O Deus que nos faz expertos através do dom da ciência;

 

Pentecostes, entre outras coisas é valorizar, viver, compreender e estar orgulhosos de tudo o que nos prometeu Jesus de Nazaré. Como? Deixando-nos guiar por seu Espírito.

 

 

[tradução livre do original espanhol de Javier Leoz]

DOMINGO DE PENTECOSTES

Leituras: Atos 2, 1-11; I Coríntios 12, 3b-7. 12-13; João 20, 19-23

 

O PODER DO ALTO

 

 

Todos vimos em alguma ocasião a cena de um carro quebrado: dentro está o motorista e detrás uma ou duas pessoas empurrando o veículo, tentando inutilmente dar-lhe a velocidade necessária para que funcione. Param, secam o suor, voltam a empurrar... E de repente, um ruído, o motor começa a funcionar, o carro avança e os que o empurravam se erguem com um suspiro de alívio. É uma imagem do que ocorre na vida cristã. Caminha-se à base de impulsos, com fadiga, sem grandes progressos. E pensar que temos à disposição um motor potentíssimo («o poder do alto!») que espera só que o façamos funcionar. A festa de Pentecostes deverá ajudar-nos a descobrir este motor e como colocá-lo em movimento.

 

O relato dos Atos dos Apóstolos começa dizendo: «Ao chegar o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos em um mesmo lugar». Destas palavras deduzimos que Pentecostes pré-existia... a Pentecostes. Em outras palavras: havia já uma festa de Pentecostes no judaísmo e foi durante tal festa que o Espírito Santo desceu. Não se entende o Pentecostes cristão sem levar em conta o Pentecostes judaico que o preparou. No Antigo Testamento houve duas interpretações da festa de Pentecostes. No princípio era a festa das sete semanas, a festa da colheita, quando se ofereciam a Deus as primícias do trigo; mas sucessivamente, e certamente em tempos de Jesus, a festa se havia enriquecido de um novo significado: era a festa da entrega da lei no monte Sinai e da aliança.

 

Se o Espírito Santo vem sobre a Igreja precisamente no dia em que em Israel se celebrava a festa da lei e da aliança, é para indicar que o Espírito Santo é a lei nova, a lei espiritual que sela a nova e eterna aliança. Uma lei escrita já não sobre tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, que são os corações dos homens. Estas considerações suscitam de imediato uma interrogação: vivemos sob a antiga lei ou sob a lei nova? Cumprimos nossos deveres religiosos por constrição, por temor e por costume, ou ao contrário por convicção íntima e quase por atração? Sentimos Deus com pai ou como patrão?

 

Concluo com uma história. No princípio do século XX, uma família do sul da Itália emigra aos Estados Unidos. Como carecem de dinheiro suficiente para pagar as refeições no restaurante, levam consigo alimento pela viagem: pão e queijo. Com o passar dos dias e das semanas, o pão se endurece e o queijo mofa; em certo momento, o filho não o agüenta mais e não pára de chorar. Então seus pais tiram os poucos trocados que restam e que dão para desfrutar uma boa refeição no restaurante. O filho vai, come e volta a seus pais banhado em lágrimas. «Como? Gastamos tudo para pagar-lhe um almoço, e você continua chorando?». «Choro porque descobri que uma refeição por dia no restaurante estava incluída no preço, e passamos todo o tempo a pão e queijo!». Muitos cristãos realizam a travessia da vida «a pão e queijo», sem alegria, sem entusiasmo, quando poderiam, espiritualmente falando, desfrutar cada dia de todo «bem de Deus», tudo «incluído no preço» de ser cristãos.

 

O segredo para experimentar aquilo que João XXIII chamava de «um novo Pentecostes» se chama oração. É aí onde se acende a «chama» que liga o motor! Jesus prometeu que o Pai celestial dará o Espírito Santo a quem o pedir (Lc 11, 13). Então, vamos pedir! A liturgia de Pentecostes nos oferece magníficas expressões para fazê-lo: «Vinde, Espírito Santo... Vinde, Pai dos pobres; vinde, doador dos dons; vinde luz dos corações. No esforço, descanso; refúgio nas horas de fogo; consolo no pranto. Vinde, Espírito Santo!».

 

Padre Raniero Cantalamessa, OFMcap

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri]

O ESPÍRITO SANTO E MUNDO

O Espírito abre o coração dos povos ao amor e à verdade

 

Estamos festejando Pentecostes, a vinda e ação do Espírito Santo que ilumina, conduz, transforma, ensina, santifica. Desde o início do mundo, o Espírito Santo agia no caos inicial (Gn 1,2) e o transformou em cosmos, harmonia, terra habitável. O Espírito habita no mundo, conduz a história, inspira soluções, ilumina artistas, motiva criatividades, instaura novidades. O Espírito atua na matéria e na carne humana, transforma o pão no Corpo de Cristo, cura doenças biológicas, corporais, psicológicas. O Espírito espiritualizou o Corpo de Jesus ressuscitado e assim acontecerá com nosso corpo. O Espírito Santo é mundano, age no mundo que é o seu templo. Sim o universo é templo do Espírito. Ele enche o universo e renova a face da terra.

 

O Espírito atuava no mundo antes de Cristo e continua a dirigir o curso dos tempos, pois é o Senhor da história. Move a promoção integral da humanidade, conduz a evolução, penetra as artérias dos acontecimentos, faz expandir as potencialidades humanas, age fora dos limites da Igreja. Convence o mundo do pecado e inspira a verdade e a liberdade. Abre o coração dos povos ao amor e à verdade. É o pentecostes dos pagãos. Venha de onde vier, a verdade vem do Espírito Santo.

 

A luz divina do Espírito está em ação em todos os esforços que tendem para mais humanidade, mais paz e justiça. Ele é o pai dos pobres. Suscita o milagre da libertação, une todas as criaturas. É o Espírito de todas as horas. Sempre é “hora do Espírito”, ou seja, o tempo é “hora do Espírito”. A resistência ao Espírito se concretiza hoje na soberba filosófica, no materialismo, nas ideologias que criam a cultura da morte: terrorismo, fome, aborto, armamentismo. O Espírito renova a face da terra com a consciência ecológica, a solidariedade, a ternura, a elevação dos pobres e da mulher, o profetismo. Ele está nos “sinais dos tempos”.

 

O Espírito é o princípio da unidade e do criador das diferenças, da multiplicidade e diversidade. É o gerador do novo e custódia dos tesouros da tradição. Ele está nos meandros das culturas e religiões que geram vida e dinamismo. O profeta Joel nos faz perceber o Espírito sobre os escravos e escravas, sobre os anciãos, jovens e mulheres, sobre toda a carne. Os mais fracos em Israel são portadores privilegiados do Espírito.

 

No final dos tempos o Espírito diz: “Vem Senhor Jesus. Todas as criaturas transformadas por Ele participarão do novo céu e da nova terra”. A partir do Espírito, é possível o diálogo das culturas, a unidade das religiões, a globalização da solidariedade. O Espírito é vida. É o Consolador. O Advogado. O Médico. Vem Espírito Criador e Fecundidade. Energia vitalizadora. Força vital. Amigo da humanidade. Educador e mestre. “Para onde fugir longe do vosso Espírito?” (Sl 138,7). Ele nos espera em todas as coisas. Todo o povo de Deus é profético, isto é, cheio do Espírito, porque recebeu a unção.

 

Ouvir o Espírito que fala fora da Igreja, que fala nos fracos, nos diferentes, nos acontecimentos e no cosmos, é sabedoria. Ele nos impele a viver a empatia da fraternidade e a simpatia de todas as coisas. Pela força e sabedoria do Espírito podemos esperar um mundo diferente, um mundo melhor. O Espírito Santo é a pessoa divina mais próxima de nós e a mais desconhecida. Ele tudo ilumina, tudo dinamiza, tudo aquece. Sem o Espírito o mundo se autodestruiria, mas no Espírito tudo é recriado, conservado e orientado, para o bem da humanidade inteira.

 

O Espírito Santo conduz a humanidade de hoje para a busca do ecumenismo, do cuidado com a terra, da globalização da solidariedade, do respeito pela criança, da esperança num mundo diferente, da cultura e civilização do amor. O Espírito quer renovar a terra. Não sejamos daqueles que entravam a ação do Espírito. Ele que quer fazer novas todas as coisas. O Espírito e o mundo andam de mãos dadas, há setores, porém que rejeitam a mão amiga e orientadora. Veni Creator Spiritus.

 

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

pentecostes

VEM, ESPÍRITO SANTO!

 

 

Vem, Espírito Santo!

Anima a todos os cristãos a trilharem os caminhos abertos por Cristo

 

Vem, Espírito Santo!

Que nossa alegrai, longe de apagar-se, se acenda outra vez

Com o calor do teu fogo divino

 

Vem, Espírito Santo!

Reúne-nos em um só povo no qual não exista nenhuma divisão

E no qual, com a Palavra de Deus, nos sintamos peregrinos interpelados

E em busca da eternidade.

 

Vem, Espírito Santo!

Que cessem os medos e amorteçam nossos planos

E desapareçam nossos temores

E brilho, de uma vez para sempre, o esplendor da Verdade

 

Vem, Espírito Santo!

Que seja possível o entendimento apesar de nossas discrepâncias

Que seja possível o amor apesar de nossos caprichos e egoísmos

Que seja possível o respeito apesar de nossas idéias e gênios

 

Vem, Espírito Santo!

Que Deus seja bendito e louvado

Que Jesus seja exaltado e amado

Que tua voz seja reconhecida e acolhida

 

Vem, Espírito Santo!

Derrama no cântaro de nossa vida

Teus sete sagrados dons

Para que longe de quebrar-se,

Se fortaleça e continue oferecendo

A todos quantos nos necessitem

 

Vem, Espírito Santo!

Segue edificando, consolidando e purificando a nossa Igreja

Para que hoje e sempre possa ser fogo abrasador num mundo

Frio e desolador

 

Vem, Espírito Santo!

dia das mães

CORAÇÃO DE MÃE

Na estrada, pelo rádio, ouvia a carta de uma “mãe a procura de um filho”. Há 39 anos o filho partiu para Curitiba a procura de trabalho. A única notícia que mandou para a mãe foi na semana após a partida de casa. Na carta, dizia que teria nova procura pela frente. Iria ao Paraguai tentar o que em Curitiba não logrou. Daquela data até hoje nenhuma outra informação sobre o seu paradeiro.

Profundamente tocado me emocionei quando aquela “mãe a procura de um filho” sentenciou: “meu coração ainda não me informou da morte do meu filho”. Que comunhão é essa que habita a alma da mulher-mãe? Que onipotência e onipresença materna é essa? Deus teria colocado no coração da mulher-mãe algo d’Ele que em nós (outros) não colocou?

Noutro forte momento do seu relato, confirmou “todo coração de mãe, de noite, fica inquieto, angustiado... pensando e esperando pelo filho”. Minha lembrança recordou minha avó, minha mãe, outras tantas mães que escuto por ai... bem dizem que mãe é tudo igual, só se muda o endereço.

Recordei-me também da Mãe de Jesus, Maria. Aquela que ofereceu tudo o que era para que Deus nos fizesse capazes da salvação. Ela que no dia da apresentação de Jesus (aos oito dias de sua vida) ao Templo ouviu o profeta Simeão dizer que uma espada de dor transpassaria a sua alma (cf. Lc 2,34-35). Ela que conduziu, embalou, sentiu, ensinou e aprendeu do homem-Deus gerado em seu ventre. Ela que não é deusa estava de pé no Calvário do Filho. Ela não podia tirá-lo da cruz. Podia somente fazer o que sempre fez: amar o seu Filho, até o fim! Estar com Ele. Cumprir a missão de mãe é viver até o fim ao lado daquele que gerou. É comunicar vida no ventre e vida no dia-a-dia. É fazer-se dom para que nada e ninguém desacredite do amor.

Um dia comemorativo para quem é especial todos os dias parece bem pouco. Entretanto, a ocasião é de reverenciar aquela que perdeu noites de sono e muita energia por nós. Ou melhor, aquela que investiu tempo e energia acordada para que também aprendêssemos a ser gente, a trazer os sinais de Deus em nosso interior. Mãe tem dessas coisas. Traz dentro de si uma capacidade “divina” muito grande. E tais sintomas só nos fazem acreditar que Deus embora seja Pai assumiu feições maternas no seu amor misericordioso e gratuito.

Restam-me algumas perguntas. Como será esse ser-mãe? Como viverá em paz esse ser-feito-para-fazer-outros? Para amá-los, protegê-los, querê-los bem? Como será a vida desse ser-feito-doação? Mais dúvidas tenho sobre o ser-mãe renegada pelos filhos, pela história, pela família... Outra ainda, como será esse ser-que-era-pra-ser-mãe, mas abortou renegando assim o dom que Deus lhe concedeu? Esse ser-que-se-faz-mãe sem ainda ter aprendido a ser filha? Menina mulher mãe...

Hoje rezo pela minha, pela sua e por todas as mães que a vida gerou.

Pela vida, sempre!

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. Paroquial de Caiuá e de Piquerobi

Blog “Tudo tem seu tempo” http://sandrogerio.zip.net

Projeto de Lei 1135/91

DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO É REJEITADA

Agência Câmara

 

A Comissão de Seguridade Social e Família rejeitou há pouco, por unanimidade, o Projeto de Lei 1135/91, que descriminaliza o aborto provocado pela própria gestante ou com seu consentimento. Foram 33 votos contrários, que seguiram o parecer do relator, deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP).

O grupo de deputados que defendia a continuidade das discussões e a realização de uma quarta audiência pública sobre a proposta se retirou da reunião depois de serem rejeitados sucessivos requerimentos para adiar a votação. Marcada por manifestações de cidadãos favoráveis e contrários ao projeto, a reunião foi encerrada em seguida.

Os deputados Dr. Talmir (PV/SP – Presidente Prudente) e Miguel Martini (PHS/MG) falaram sobre a vitória histórica desta tarde.  

 

Confira o vídeo:

Vinde, Espírito Santo!

PERENE PENTECOSTES

 

[...] todos estamos chamados a não permanecer fora desta «corrente de graça» que a Igreja do pós-Concílio atravessa.

 

João XXIII falou, em seu tempo, de um «novo Pentecostes»;

 

Paulo VI foi além e falou de um «perene Pentecostes», de um Pentecostes contínuo. Vale à pena voltar a ouvir as palavras que ele pronunciou em uma audiência geral:

 

Perguntamo-nos mais de uma vez… qual é a necessidade, primeira e última, que advertimos para esta nossa bendita e amada Igreja. Temos de dizer quase tremendo e suplicando, já que, como sabeis, trata-se de seu mistério e de sua vida: o Espírito, o Espírito Santo, o animador e santificador da Igreja, sua respiração divina, o vento que sopra em suas velas, seu princípio unificador, sua fonte interior de luz e força, seu apoio e seu consolador, sua fonte de carismas e cantos, sua paz e sua alegria, sua prenda e prelúdio de vida bem-aventurada e eterna.

 

A Igreja necessita de seu perene Pentecostes: necessita do fogo no coração, palavra nos lábios, profecia no olhar

 

A Igreja necessita recuperar o ímpeto, a satisfação, a certeza de sua verdade.

Vinde, Espírito Santo!

PENTECOSTES: NASCIMENTO DA IGREJA!

Podemos notar a importância de Pentecostes nas palavras do Patriarca Atenágoras (1948-1972):

 

“Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o evangelho uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos. Mas no Espírito Santo o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado está presente, o evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se deifica”.

 

O Espírito traz presente o Ressuscitado à sua Igreja e lhe garante a vida e a eficácia da missão.

Pensando bem

 

[às margens do Rio Paraná - assentamento Maturi / Caiuá-SP]

 

“o pôr-do-sol, o homem e o outono têm em comum serem belos e tristes”

(Rubem Alves)

ENFIM, PAZ! ALELUIA!

 

Ontem e hoje são os primeiros dias depois de uma “cinqüentena” de “transtornos” (alguns, bons transtornos, como a semana santa, a viagem à Terra Santa/Itália... outros, maus transtornos, uma série de dias meio entristecidos e a falência múltipla de peças do meu computador (hehehe)). Só agora a agitação tresloucada passou. E, olha, ainda há muito por fazer.

 

A vida acontece e os acontecimentos desta demandam energia, projetos e avaliações. As paróquias que não saíram do rumo parecem aprumar-se mais. Ou elas ou minha visão!

 

Estamos na novena de Pentecostes. Vou re-postar aqui algum texto que usei no blog nos anos anteriores.

 

Ontem e hoje também celebro missas em “honra” a Nossa Senhora de Fátima. Ontem, segunda, em Presidente Prudente; hoje, terça, em Presidente Venceslau. É a famosa Trezena de Nossa Senhora. Verdade seja dita. O nosso povo (com ou sem protestantismo proselitista e anti-católico e anti-mariano) ama a mãe de Jesus.

 

O que seria dos homens sem a figura e a presença feminina em nossas vidas?

 

A casa paroquial esta se ajustando aos poucos. Garanto que a bagunça estava (e ainda está um pouco) grande. Não por falta de “arrumadeira”, mas por minha vocação ao acúmulo de coisas nem sempre úteis. Estou me convencendo e aprendendo a mudar. Hoje vai ter faxina no guarda-roupas. O que não uso vai ser doado pra quem precisa e pode usar.

 

Em breve, nos papéis. Ahhh! Os papéis guardam tanta riqueza, mas fechados e empilhados são como boca muda de gente inteligente. Isto é, não servem pra muita coisa.

 

Por ora, é isso. Se você se deu ao luxo de chegar até este ponto do texto, parabéns. Hehehe

 

Bom dia!

IMAGINE
John Lennon

Imagine there's no heaven,
Imagine que não exista nenhum paraíso,
It's easy if you try,
É fácil se você tentar.
No hell below us,
Nenhum inferno abaixo de nós,
Above us only sky,
Sobre nós apenas o firmamento.
Imagine all the people
Imagine todas as pessoas
living for today...

Vivendo pelo hoje...

 

Imagine there's no countries,
Imagine que não exista nenhum país,
It isn’t hard to do,
Não é difícil de fazer.
Nothing to kill or die for,
Nada porque matar ou porque morrer,
No religion too,
Nenhuma religião também.
Imagine all the people
Imagine todas as pessoas
living life in peace...

Vivendo a vida em paz...

 

Imagine no possessions,
Imagine nenhuma propriedade,
I wonder if you can,
Eu me pergunto se você consegue.
No need for greed or hunger,
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,
A brotherhood of men,
Uma fraternidade de homens.
imagine all the people
Imagine todas as pessoas
Sharing all the world...

Compartilhando o mundo todo.

 

You may say I'm a dreamer,
Você talvez diga que sou um sonhador,
but I’m not the only one,
Mas eu não o único.
I hope some day you'll join us,
Eu espero que algum dia você junte-se a nós,
And the world will live as one

E o mundo viverá como um único.

pensando bem

CERVEJA

A cultura da cerveja se estende por nosso imenso território nacional, virando uma verdadeira religião. Notamos que as propagandas das cervejarias estão cada vez mais agressivas, os donos dessas indústrias realmente são os verdadeiros mandatários do país, percebemos isso quando o governo teve que voltar atrás na medida de proibição de cerveja nas estradas federais.

Até onde temos que sucumbir à ditadura da cerveja, que chega até a discriminar quem não bebe? Os acidentes de trânsito aumentam, a dependência às drogas permissivas também, o orgulho de conseguir "tomar todas" horas a fio está cada vez mais evidente entre os consumidores, é "happy hour", "água-dura", "Zeca Hora", Carnaval, e tudo quanto é mais designativo, para aumentar ainda mais os motivos de consumo.

O vício está aí para acorrentar a humanidade e enfraquecer a alma. Todos os usuários fazem apologia do que ingerem. Além de essa alegria de fim de semana ser artificial, seu organismo sucumbirá diante de tanta “lavagem” e isso os anunciantes nunca mostrarão na televisão.

MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA (Salvador, BA) – folha de São Paulo, 4/5/2008, painel do leitor

ascensão

TENS TANTA PRESSA PARA PARTIR, SENHOR?

 

 

É o teu último mistério, Senhor

depois de ter estado entre nós.

Vimos-te criança e em tua presença nos prostramos.

Vimos-te na forçada fuga para o Egito e comovidos te acompanhamos.

Foste adorado pelos pastores, e entre estes,

deixamos diante de Ti mil e um presentes.

 

E agora? Por que vais, Senhor?

 

Vemos assombrados a profundidade e o crescimento da tua obra divina;

Vimos como tua mão curava a centenas de feridos,

Como ressuscitavas aos jovens,

E como levantastes... até o teu melhor amigo.

Vimos multiplicar os pães e os peixes

e a amigos e inimigos

com tanto alimento fartar-se.

 

E agora? Aonde vais, Senhor?

 

Acolhemos-te criança e como jovem que foste

falaste-nos de altos ideais:

do amor sem fronteiras e gratuito,

da verdade sem “meias tintas”,

do carinho sem farsa nem medidas,

da pobreza como fonte de riqueza;

E da riqueza como forma de pobreza.

 

E agora? Tens tanta necessidade de partir, Senhor?

 

Nossos ouvidos, Jesus,

Continuam escutando o som da tua voz de profeta:

Convertei-vos! Aplainem o caminho! Perdoai-vos!

Os caminhos da Palestina do nosso coração

continuam iluminados por tua Verdade e por tua Graça

Os caminhos da Jerusalém da nossa alma

buscam e reflorescem ao calor da tua Paixão e da tua Morte.

 

E agora? Por que tu vais, Senhor?

 

Deixa-nos, pelo menos, o caminho de tua Ascensão

iluminado pelo resplendor do Espírito

fortalecido, com o auxílio do teu Espírito

assegurado, com a presença do Espírito

indicado, pelo conselho do teu Espírito.

Amém.

devocionário

MAIO É MÊS MARIANO

Não separe o teu carinho a Maria do amor a Jesus Cristo. Não há melhor presente à Virgem Maria que o nosso seguimento e a nossa confiança em Jesus. O encontro com Maria passa necessariamente pelo ser discípulo de Cristo. “Felizes os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática”.

primeiro de maio

SÃO JOSÉ E OS TRABALHADORES

 

Hoje, Dia do Trabalho, celebra-se a festa de São José Operário, instituída por Pio XII, em 1955, para consagrar a Deus a luta e o esforço humano na construção de uma sociedade justa e igualitária.

 

Grande exemplo nos brinda hoje o trabalhador e dono da casa, José, esposo de Maria, escolhido por Deus para pai terreno de seu próprio Filho. Obedecendo ao Senhor viaja de um lado para outro; defende sua família com unhas e dentes; troca de trabalho várias vezes; fiel como ninguém, abnegado, procura meios de subsistência por meio de todos os meios lícitos, no momento mais crucial de sua esposa somente lhe pode oferecer um estábulo como clínica-maternidade. Um trabalhador como os nossos, aos quais a Igreja propõe hoje como modelo. Conforme Mateus (1,19), um “justo” perfeito sinônimo bíblico de “santo”. Embora não tenha sido registrada nem uma palavra dele.

 

Nossa prece pelos que têm trabalho e remuneração injusta. Pelos que não têm trabalho e lutam diariamente pela sobrevivência. Pelos que empregam a fim de que tenham condições para viver na justiça e na busca do bem comum. Pelos homens e mulheres que são dignificados quando podem ganhar a vida com o suor do próprio corpo e usando dos dons que Deus lhes concedeu para trabalhar e gerar mais talentos para o mundo.

 

“Ó São José, patrono da Igreja, que, junto ao Verbo Encarnado, trabalhastes todos os dias para ganhar o pão, de que hauríeis força para subsistir e para vencer o cansaço; vós que experimentastes a ansiedade pelo amanhã, a amargura da pobreza, a situação precária dos trabalhadores; vós que irradiais hoje (...) o exemplo de vossa figura humilde diante dos homens, mas ímpar aos olhos de Deus, olhai para a imensa família que confia em vós. Abençoai a Igreja (...), protegei os trabalhadores na sua árdua labuta cotidiana...” (Paulo VI)

 

São José, operário, rogai por nós!

ainda sobre o PRECONCEITO

eliane cantanhêde

O BERIMBAU DO DOUTOR

 

BRASÍLIA - Mesmo com o "investment grade" do Brasil, o "boom" de ontem das Bolsas e o Dia do Trabalho hoje, não dá para deixar passar em branco a declaração do Dr. Antônio Dantas, coordenador do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia, ontem na Folha, sobre o baixo desempenho da sua instituição no Enade.

"O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais, não conseguiria", disse, atribuindo o vexame ao que seria doença hereditária: o "baixo QI dos baianos".

Não se sabe o que é pior: o MEC ter de punir 17 (17!) cursos de medicina por serem uma porcaria, incluindo aí os de quatro universidades federais, ou ter de agüentar o coordenador do curso de uma delas falando uma barbaridade dessas.

Com um coordenador assim, e com professores desse calibre, o que você poderia esperar dos cursos e dos alunos?! Aliás, pobres alunos! Pior: pobres pacientes!

Já era grave o MEC ter de intervir diretamente para socorrer alunos de pedagogia e direito que ficaram abaixo da crítica pelo país afora. E ficou insuportável saber que na medicina não é muito melhor.

Tudo é uma questão de vida ou morte. Maus advogados podem virar uma praga e pedagogos ignorantes podem ser fatais na vida de seus estudantes, mas um mau médico carrega um risco de morte bem mais iminente. Um diagnóstico errado, uma operação malfeita, um remédio inadequado podem decidir o destino de uma pessoa. E, assim, de famílias inteiras.

Parabéns ao Brasil pelo "investment grade", que vai atrair milhões de dólares produtivos, e parabéns aos trabalhadores pelo seu dia. Meus pêsames às faculdades que convivem com os "doutores dantas", seus preconceitos, sua ignorância, suas brincadeiras absurdas (ou será que não foi brincadeira?).

O problema não é o berimbau dos alunos; é a falta de berimbau de certos professores.

PS - Sim, ele é baiano.

 

[FOLHA DE SÃO PAULO-OPINIÃO – São Paulo, quinta-feira, 01 de maio de 2008]

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