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VERDADES DO NATAL

 

“O tempo vai passando sutilmente e de repente é natal.” A característica primordial do natal é a solidariedade. Muitos sem saber ao certo porque existe tal festa se enfeitam, se reúnem em família, se solidarizam em campanhas as mais variadas por todos os cantos do país.

 

Mas como poderíamos nos calar sobre o motivo principal do natal? Daria para falar em solidariedade sem nos referirmos ao Amor Encarnado como sinal vivo, eficaz e eloqüente da SOLIDARIEDADE de Deus para com a sua criatura? Natal é nascimento. Vida nova que brota até dos escombros das mortes. Vida nova que insiste e resiste às suas forças contrárias.

 

Natal é tempo de viver a família. E duro será constatar apenas na hora “agá” que não se tem família para reunir. Não se tem perdão suficiente que cure mágoas e desentendimentos. Trágico será fazer apenas comilança e bebedeiras para que não se sinta por fora dos festejos.

 

Deseducador será dar presentes, especialmente às crianças que na vida delas sejamos presença – de amor, amparo, segurança etc. Há muitas casas belamente enfeitadas. O comércio logo acende seus pisca-piscas. Ah, como atraem! Como enchem os olhos. Tudo tão belo, efêmero... fútil. “Não seja tão duro, senhor padre”, poderiam me dizer. Tudo bem, deixem as luzinhas piscando, deixem papai Noel morrer de calor com essas roupas que servem apenas ao Pólo Norte (ou Sul). Mas não se esqueçam do motivo principal pelo qual a cristandade para, se reúne e celebra.

 

Um filho nos foi doado. O Emanuel (Deus-conosco), o Salvador, o Cristo Senhor. Ele conselheiro admirável, Deus forte, Príncipe da Paz... nascido do ventre virgem e fecundo de Maria, a escolhida por Deus. Aquela que foi cheia de Graça pelo olhar do Pai. A Nova Eva, mãe de toda e da nova humanidade. Ela que com seu sim desatou o nó do pecado original. Ela que por sua disponibilidade se fez serva, servidora, cooperadora da Graça no mundo. Ela que por certo inspirou Santo Agostinho quando disse “o Deus que te criou sem ti, não te salvará sem a tua colaboração”. Deus se dirigiu a uma jovenzinha na pequenina Nazaré. Foi visitar Maria, esposa prometida de José.

 

Fico pensando cá comigo, com meus botões, se Deus (Altíssimo, a quem nada é impossível) foi através do Anjo Gabriel “pedir” a Maria, porque nós não poderíamos também ir a ela e suplicar-lhe por nossas necessidades? Deus teve “necessidade” de uma jovenzinha. Deus teve necessidade de, a exemplo da sedutora serpente do paraíso, seduzir aquela que daria ao mundo o salvador. Bem já disse o profeta Jeremias “seduziste-me e eu me deixei seduzir”. Maria se deixou conduzir pela Graça. O amor é vencedor sempre!

 

Precisamos resgatar essa história. As crianças podem “fantasiar” para desenvolver o raciocínio e outras dimensões, mas será fundamental que as crianças aprendam desde logo a verdade: NATAL é nascimento na história e no tempo daquele que é Deus. Nos dias de natal saibamos contar histórias de verdade para que a verdade reine em todos os corações e famílias.

 

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. da Paróquia São Miguel Arcanjo – Piquerobi

Diretor de Programação da Rádio Onda Viva – AM 1300

Blog do Padre Sandro http://sandrogerio.zip.net

 
 

A PERSEVERANÇA

 

“É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação.” (Lc 21,19)

 

Jesus propõe o estreito caminho do discipulado como condutor à salvação. Conhecedor da intimidade dos corações, o Senhor dá orientações alentadoras e cheias de vida para que os seus seguidores não se percam pelo caminho nem se desviem da meta contemplada e almejada inicialmente.

 

Foi Lucas quem anotou a frase inicial deste post. É na perseverança, na constância e, diria até mesmo na, insistência que se alcança a salvação. Se se está firme no caminho da vida, não há porque pensar que ao final deste caminho haja outra coisa que não a salvação.

 

Perseverar é talvez o grande desafio nos dias apressados que se correm. O que mais se quer é que as coisas aconteçam imediatamente, pode até ter algum sacrifício, mas não muito. Evita-se o sofrimento de todo modo e a cada instante. E por isso há quem bandeia na estrada. As ilusórias propostas de vida exclusivamente prazerosa desvirtuam não poucos caminhantes.

 

Estes, procurando atalhos se perdem. E perdidos vão pela vida até quando algum evento “magnífico” os desperta para a necessária conversão. Na mesma passagem acima referida, Jesus vislumbrando as perseguições que os seus sofreriam, orientou-lhes a não prepararem de antemão nenhuma defesa, visto que o Espírito é quem os defenderá.

 

As tribulações e dificuldades pelas quais se passa deveria gerar o testemunho. Todo servo fiel há que se fazer testemunha da força do alto que o habita. E nada melhor para despertar-nos do sono da omissão e do comodismo que as contrariedades.

 

Não peça cruz nem sofrimento para o seu caminho, pois eles vêm de qualquer forma. Peça (insistentemente) a força do Alto, o Espírito Santo, para que em todo tempo e lugar se faça sua coragem na vivência martirial. A graça não lhe faltará. O amor jamais passará. E a vida para quem vive e crê no Senhor, jamais se encerrará.

 

Entretanto, é na perseverança que alcançareis a vida!

 
 

 

VIDA ESPIRITUAL, UMA ARTE DE CULTIVAR JARDINS

 

Faz alguns dias, voltei a cultivar jardins. Não. Não plantei nenhum pé de flor. Não plantei gramíneas nem outras plantas num local chamado jardim. Voltei a cultivar leituras espirituais que me fizeram tanto bem nalgum tempo e como que de repente me cobraram retomá-las.

 

Óbvio que meu dia a dia é permeado pela Palavra de Deus, pelas coisas da alma humana e pelas dores dos mesmos humanos, meus irmãos. Há, entretanto, um quê de insatisfação no nosso tempo cuja saciedade sempre nos escapa.

 

Guardo com gratidão alguns pensamentos de autores espirituais e pastores da igreja, santos/santas, papas, bispos e padres. Como não agradecer àquele que me lembra que a função do ministro religioso é talvez não permitir às pessoas sofrerem por causas erradas?! Como não regozijar-me quando ouço que o consolo vem de saber que Deus sabe e age através de instrumentos insuficientes?! Por fim, como não exultar de alegria ao saber-me “sarador ferido”. Aquele que tem a tarefa de curar em nome do Senhor também necessita de cura, perdão e salvação.

 

Diante disso tudo, abaixo o texto do filho pródigo, narrado no evangelho de Lucas, capítulo quinze. Ainda, uma citação do profeta Habacuc onde constata que a alegria e a força vem do Senhor, ainda que as dificuldades, tribulações e “otras cositas más” façam-lhe companhia.

 

Finalizando, saboreemos a palavra de São Paulo, que segue: (...) ainda que me quisesse gloriar, não seria insensato, porque diria a verdade. Mas abstenho-me, para que ninguém me tenha em conta de mais do que vê em mim ou ouve dizer de mim.

 

Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim.

 

Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.

 

Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.

 

São Paulo, apóstolo, na segunda carta aos coríntios, capítulo doze, versículos seis ao dez.

 
 

O MENINO E A TRAIÇÃO

 

O religioso gritava na rua: “não somos todos filhos do mesmo Pai Eterno? E se é assim, por que traímos nosso irmão?”. Um garoto que assistia, perguntou ao pai: - “o que é trair?”. - “É enganar o seu companheiro para conseguir determinada vantagem”, explicou o pai. - “E por que traímos nosso companheiro?”. - “Porque, no passado, alguém começou isto. Desde então, ninguém soube como parar a roda: estamos sempre traindo ou sendo traídos”. - “Então não trairei ninguém”, disse o garoto. E assim fez. Cresceu, apanhou muito da vida, mas manteve sua promessa. Seus filhos sofreram menos e apanharam menos. Seus netos nada sofreram.

 

Essa história nos faz pensar tantas coisas! Dela brotam algumas perguntas, como: - quando ousaremos fazer a diferença? - quando baixaremos as nossas armas em vista de favorecer o entendimento? - até quando continuaremos a ser “elo” na cadeia do vício e da maldade? A história também nos reforça uma certeza. A de que o outro não nos pode fazer melhor nem pior se nós mesmos não quisermos. Neste dia, desejemos romper a cadeia do mal. E desejemos que todos façam a mesma coisa.

 

O rompimento com a cadeia do mal é uma eficiente forma de anunciar o tempo da graça. E como o anúncio não é tarefa secundária, mas primordial da nossa condição de batizados, anunciemos com a vida um novo tempo favorável, de salvação, de virtude e prêmio.

 

Que a leitura destas páginas de Anúncio lhe faça muito bem ao informar, formar e ajudar na caminhada de fé na comunidade cristã. É na comunidade reunida em nome de Jesus que Ele se manifesta e está sempre pronto a atender às suas necessidades (cf. Mt 18,19-20). O ano litúrgico se encerra. Novo ano se aproxima. Será sempre preciso “partir de Cristo” para encontrarmo-nos com os irmãos. Que nenhum de nós vá ao encontro de outro sem levar o Cristo que antes foi contemplado na intimidade do coração e experimentado na oração.

 

Que o menino ansiado no advento nos faça entender e viver o que é ser “sinal de contradição”. Fiéis a Deus, não ao mundo. Não vivendo na crista da onda, mas sempre na Onda de Cristo.

 

Pela vida, sempre!

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. Paróquia São Miguel Arcanjo - Piquerobi

Blog http://sandrogerio.zip.net

 

[texto originalmente publicado em 1ª Leitura Jornal Anúncio – Diocese Presidente Prudente, novembro, 2009]

 
 

UMA PALAVRINHA SOBRE MORTE

- “Para os que crêem a vida não é tirada, e sim, transformada”

 

Mais alguns dias e todos seremos “sensibilizados” com a celebração de todos os mortos. Entretanto, todos os dias, a morte de algum modo passa ao largo de nossas casas e deixa marcas em nossa vida. Esse texto que agora você lê é uma republicação. Espero faça algum bem.

 

A morte dos bons e a morte dos jovens (e crianças) são tidas como as piores ou as mais assustadoras.

A morte não tem hora para bater a nossa porta.

Não se morre por ser bom.

Não se morre por ser jovem.

Não se morre por ser velho.

Morre-se porque se está vivo.

Não nascemos com prazo de validade impresso na pele.

Não nascemos para viver enquanto cumprimos determinada missão. Mas enquanto vivemos devemos gastar a vida pelo bem, pelos outros e por si. Criar um ambiente de vida e de alegria ao nosso redor.

Digo isso mais uma vez pelos jovens que morrem.

Alguns sacam ilusórias justificativas para aliviar o coração amedrontado e chocado.

A morte dispensa toda justificativa.

A morte dos outros é sempre convite à reflexão.

Nós que ainda temos tempo, como estamos na vivência do amor, do perdão e na relação com Deus?

Nós que ainda temos tempo como faremos no resto de nossa vida?

Nós que ainda temos tempo, ao sair do choque, voltaremos à mediocridade e aos riscos de antes?

Dor terrível a da mãe que vê o filho criança e ou jovem morrer. Aliás, dizem ser terrível em qualquer época e ocasião. É como se a vida fosse programada para os pais morrerem antes que seus filhos.

Essa minha conversa não serve de consolo, apenas para reflexão.

Você que está vivo e ainda tem tempo, que tal mudar a rota, restabelecer laços e estreitar relacionamentos?

 

Rezo pelos que morreram na certeza de que todos quantos em vida creram no Senhor não morreram para sempre! Ainda mais. Rezo na esperança de que os mortos são acolhidos por Deus, pios só Ele conhece os corações e a fé que habita tais corações. Rezo para que Deus nos faça conhecedores e crentes do seu amor.

 

De novo, você que ainda tem tempo, o que fará com o tempo que tem?

 

Deus te abençoe, te console e te guie!

Pela vida, sempre!

Pax + + +

 
 

O MENINO QUE ROUBOU O CÉU

 

As crianças quando vão a igreja com seus pais ficam desassossegadas grande parte do tempo. Para o universo de sua idade, tudo é tão grande chatice (até para alguns adultos!). entretanto, nalguns momentos elas se revelam atentas, desejosas, protagonistas. Quando em casa são reprimidas ou dispõem de pouco espaço, aproveitam da igreja geralmente ampla para correr, brincar, pular etc. um momento preferencial das crianças é a hora da comunhão. Quando não são de colo, seguem seus pais à frente e ficam com olhar de quem pede e se não receber ficarão doentes. Pouco pode fazer o padre ou o ministro extraordinário da distribuição eucarística. Eu ainda lhes dou alguma atenção e quanto possível indico que logo logo, depois da catequese poderão também receber o corpo de Jesus.

 

Mas dia desses a descuidada jovem (mãe) deixou a hóstia consagrada cair no chão. Tempo suficiente para o seu menino (talvez cinco ou seis anos) pegar e “comungar”. Fiquei com vontade de rir. Pela displicência da mulher, mas mais pela agilidade e esperteza da criança. Naquela hora ele fez a sua primeira eucaristia. Não tinha ainda a catequese. Não tinha uma turma. Não tinha fotógrafos. Não tinha roupa de festa. Apenas a sua vontade de experimentar aquele negocinho branco que o padre dá às pessoas grandes e como que excluí as pessoas pequenas (grande e pequeno aqui não é estatura!).

 

Qual anjo lhe teria inspirado tal ação. O bom ou o mau? Não preciso nem precisa responder. Jesus pediu para que deixassem as crianças irem a ele. A igreja estabelece uma idade e as suas normas devem ser seguidas. Mas não está isento de que os filhos da luz atuem de modo ligeiro mesmo nas coisas de Deus.

 

Não duvido de que a mulher tenha dado uma bronca no menino. Afinal, algumas pessoas viram a cena. Pois ela se curvou para ir ao chão pegar a hostia. Tarde demais. O menino já tinha feito o serviço. Outro possivel motivo de bronca é a vergonha pela qual ela passou. Foi ao encontro de Jesus, e não o levou em seu coração. Imagina se ela tivesse coragem... ou pediria ao padre uma nova hóstia consagrada ou voltaria ao final da fila para “de novo” comungar. Aliás, vou prestar atenção. Será que em nossas igrejas ninguém nunca repetiu no mesmo dia a hóstia consagrada?

 
 

ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS PÚBLICAS

 

O Acordo de Estados entre Brasil e Vaticano tem suscitado acalorados debates, dos quais, pouco baseados na frieza das letras referidas nos 19 artigos que o compõem. As televisões e outras mídias aproveitam-se disso para debater, informar e formar (?).

 

Não sei se a brincadeira de argumentar pode nos fazer avançar no conhecimento mais profundo senão nas discussões menores! Entretanto, como fui provocado a dar determinado parecer, o farei.

 

Seria “justo” (?) um ateu com seus impostos pagar o ensino religioso?

 

Devolvo invertida a questão. Foi dinheiro de gente crente que fez o indivíduo que hoje “professa a fé” na “não-crença” chegar a tal ponto do “ateísmo”. E creio o número dos que acreditam é sobejamente maior que os que não acreditam (em Deus, é bom que se diga!).

 

Acho justo que o Estado forneça ao indivíduo sob sua “tutela” uma formação integral, contemplando as mais variadas vertentes do saber e do agir humanos.

 

A marca cultural da fé no horizonte significativo da existência não pode ser apagada nem sufocada, pois se se paga para ensinar a fé, muito se paga para se provocar o pensamento à semelhança dos “filósofos da suspeita” [Karl Marx, F. Nietzsche e S. Freud] que dizem “Deus morreu”.

 

O crente paga para pensar, ensinar e acreditar que Deus morreu. Daí, o não crente paga para pensar, ensinar e acreditar que Deus, em Jesus morreu e RESSUSCITOU e CONTINUA Vivo e Verdadeiramente presente no meio de nós.

 

O Estado é laico; não professa fé religiosa. A Igreja e o Estado não são “casados”. Entretanto, valeria como arremate deste texto afirmar com dom Odilo P. Scherer que “ter um Estado laico não significa passar por cima da cultura de um povo”. E permitir uma educação contempladora do horizonte transcendental é contribuir para a feitura de um mundo mais justo, solidário e globalizado na esperança e na caridade.

 
 

Jornal Anúncio_Julho/2009

ABERTURA DO JUBILEU DE OURO DIOCESANO

 

Os fiéis que foram ao Santuário Morada de Deus, na manhã do dia 5 de julho, celebraram com dom Benedito e o seu presbitério a missa de abertura oficial, depois de uma noite de vigília, oração e adoração ao Santíssimo Sacramento, da apresentação da Banda Marcial do Colégio Cristo Rei e do Coral Vozes Prudentinas.

 

Por meio da Bula “Cum Venerabilis”, o Papa João XXIII criou a Diocese de Presidente Prudente aos 16 de janeiro do ano 1960, desmembrando-a totalmente da diocese de Assis. Naquele mesmo ano se deu a instalação diocesana aos 2 de julho. Atualmente, Presidente Prudente é uma Igreja Particular marcada pela presença do evangelho na cidade e na roça, no hospital e no presídio, nos centros e nas periferias, nos templos e nos meios de comunicação social (site, jornal, rádio).

 

Durante a missa, transmitida pela Rádio Onda Viva – AM 1300, e com a presença de autoridades locais e regionais, o intenso vento era como que o sopro do Espírito levando para longe as poeiras que com o tempo se apegaram às estruturas; lembrava ainda a força propulsora que nos levará adiante para águas mais profundas da misericórdia divina.

 

Dom Benedito mais uma vez chamou os fiéis para um grande mutirão de evangelização marcado especialmente pela conversão pastoral cuja marca principal é a acolhida. “Que todo o nosso agir pastoral seja para engrandecer o nome divino”, ressaltou.

 

Ao final da celebração a comunidade paroquial Nossa Senhora dos Navegantes, do município de Rosana, recebeu das mãos do bispo diocesano as imagens peregrinas de São Sebastião, padroeiro diocesano e de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil para que visitem todas as comunidades do território diocesano até julho do próximo ano [confira o calendário desta peregrinação nesta edição de ANUNCIO].

 

Vamos celebrar este ano com júbilo e louvores. São cinqüenta anos nos quais a graça divina esteve e continua presente. Ao Senhor suplicamos continue conosco, pois nosso caminho ainda é longo e somente Ele, justo juiz e senhor da história, pode nos preencher de sentido cada dia e cada nova comunidade que se organiza ao redor da palavra e da eucaristia. Como diz o lema do Jubileu, pedimos: “Senhor, conduzi-nos e levai-nos adiante” (cf 2Rs 4,24), pois sem vós não somos nem podemos fazer nada!

 

Serviço: A Diocese de Presidente Prudente é formada por 28 municípios, cerca de 600 mil habitantes, numa área de 15.512,3 km2. As 48 paróquias estão subdivididas em 4 regiões episcopais de pastoral. Eis o território cujo zelo pastoral está sob os cuidados do bispo diocesano e do seu presbitério.

 

 

Padre Sandro Rogério dos Santos

Administrador Paroquial de Piquerobi

Blog do Padre Sandro http://sandrogerio.zip.net

 
 

:)

MINHA VONTADE OU A DE DEUS?

 

Costumamos, os cristãos, professar publicamente a fé através de objetos religiosos ou mesmo pela fala. Há muitas expressões de cunho religioso assimiladas ao nosso vocabulário básico e cotidiano. Até mesmo pessoas migrantes do catolicismo ao protestantismo ainda guardam restos dessa sólida (?) cultura católica e por isso também cristã (por óbvio!).

 

Na oração (ou reza) manifestamos a nossa adesão a palavra de Deus. Colocamo-nos em atitude reverente. A criatura (limitada) diante do Criador (onipotente, onisciente, eterno). Sabedores dos escritos grafados no profeta Isaías nem ousamos pensar diferente. Os pensamentos e os caminhos de Deus são diferentes e muito acima dos nossos.

 

Entretanto, o divino Criador veio ao encontro do ser criado e lhe propôs pacto de amizade. Celebraram uma aliança que, em Jesus, se fez nova e eterna. Aliança salvadora. Da gratuidade divina e da fidelidade e observância humana espera-se correspondência. Nos profetas e outras figuras grandes da história bíblica abundam exemplos. Gostaria ressaltar um: Maria, a mãe do Senhor.

 

A figura da mulher é contemplada. Pois se na gênese tal figura ficou arranhada por ter sido o pólo frágil do pecado, isto é, da quebra da amizade entre Deus (Criador) e o homem (criatura); agora é pela aceitação da mulher (livre e espontaneamente) que Deus irromperá de modo escandalosamente palpável na história.

 

Naquele tempo, Deus enviou um anjo a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré a uma virgem chamada, Maria. Depois da saudação: “Ave Cheia de Graça. O Senhor é contigo!” o anjo lhe disse tin-tin por tin-tin quais os pensamentos de Deus a respeito das suas promessas passadas que agora podiam realizar-se.

 

Num instante, o mundo pára. Os olhares e os sentimentos se voltam aquela cidadela e aquela jovenzinha. Ela decide colocar-se confiadamente nas mãos do criador e Senhor. Eis a escrava do Senhor. Em mim se cumpra a Sua Vontade! Daí por diante, Maria tornou-se Nova Eva. A mulher cuja descendência venceria o dragão. Aquela vestida de sol tendo a lua sob seus pés e uma coroa com doze diademas em sua cabeça.

 

Mulher forte. Mulher singela. Mulher pura. Mulher cheia de Deus. Mulher disposta a colocar-se em todo momento no seu próprio lugar: o coração de Deus. Pois no silêncio do seu coração ela guardava o que contemplava do coração de Deus. Ela tinha canal direto, pois alimentou em seu corpo o corpo frágil do menino Deus. O sangue de suas veias alimentou o corpo em desenvolvimento do menino, o Emanuel que nos foi dado!

 

Desta digressão, gostaria ressaltar o papel da Vontade de Deus. Conhecer e trilhar os caminhos do Senhor é sempre desafiante para qualquer mortal. Mas no seguimento, colocar a própria vontade à frente da vontade do Mestre é determinar a falência da missão. Por mais que doa. Por mais que não haja compreensão lógica. Coloquemo-nos com confiança nas mãos do Senhor. Que a sua vontade seja feita em nós e por meio de nós alcance toda a face da terra.

 

Mais que fidelidade aos esquemas por nós criados, precisamos urgentemente recuperar a fidelidade à vontade de Deus. Que nada faz de inconveniente, que não nos lançaria à cova dos leões nem das serpentes, pois no Filho desceu aos infernos para da morte tirar todos quantos nela jazem.

Eu creio. Nele espero. Faça em mim, Senhor, a sua vontade – ainda que doa, mesmo que eu tergiverse. Eis-me aqui para fazer a sua vontade Senhor!

 

Amém.

 
 

Jornal Anúncio

A centralidade da Eucaristia na vida da Igreja


[texto publicado na edição de Junho do Jornal Anúncio, da Diocese de Presidente Prudente, no editorial "1ª Leitura!] 

 

 

 

Na festa de Corpus Christi O CORPO DE DEUS É LEVADO ÀS RUAS para lembrar a condição peregrina da humanidade chamada a transformar as realidades a partir de Cristo. A Igreja sabe e acredita que a Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa.

Celebrar Corpus Christi é, em primeiro lugar, a reunião das partes. Os cristãos somos membros de um corpo único, a Igreja (cuja cabeça é Cristo Senhor). Toda vez que celebramos, reunimos e comungamos essa vida divina em nós. Em segundo lugar é adorar. Dobrar os joelhos diante do mistério, pois diante da grandeza de Deus, resta-nos reverenciar, contemplar e adorar... Segundo o papa Bento XVI “ajoelhar-se diante da Eucaristia é profissão de liberdade: quem se inclina a Jesus não pode e não deve prostrar-se diante de nenhum poder terreno, por mais forte que seja... Prostramo-nos diante de um Deus que primeiramente se inclinou até o homem, como Bom Samaritano, para socorrê-lo e restituir-lhe a vida, e se ajoelhou diante de nós para lavar nossos pés imundos”, conclui o papa.

Em terceiro lugar, celebrar Corpus Christi é caminhada. “Com o dom de si mesmo na Eucaristia, o Senhor Jesus nos livra de nossas ‘paralisias’, faz-nos levantar e nos faz 'proceder', faz-nos dar um passo adiante, e depois outro passo, e assim nos coloca no caminho, com a força desse Pão da vida”, afirma o pontífice. “A procissão do Corpus Christi nos ensina que a Eucaristia quer nos livrar de todo abatimento e desconforto, quer nos fazer levantar, para que possamos empreender o caminho com a força que Deus nos dá mediante Jesus Cristo”.

Além do sentido tradicional da procissão, ao levar a Eucaristia pelas ruas e praças, queremos também imergir o Pão que desceu dos céus no cotidiano da nossa vida; queremos que Jesus caminhe onde caminhamos nós, viva onde vivemos nós. O nosso mundo e as nossas exigências devem se tornar o seu templo. A comunidade cristã, neste dia de festa, proclama que a Eucaristia é tudo para ela, é a sua própria vida e fonte do amor que vence a morte.

Podia ainda dizer que a eucaristia vai às ruas de nossas cidades para nos lembrar que sem alimento não é possível viver. Cristo nos sacia para a vida eterna e nos educa para partilhar com aqueles que não tem sequer o mínimo para a vida terrena.

Façamos deste dia 11 de junho a grande caminhada em favor da vida, da justiça, da solidariedade, do perdão e da paz. Ele está no meio de nós! O pão vivo descido do céu para saciar a nossa fome de amor, de justiça e de paz. Com Ele caminhemos sem medo no dia a dia. Alimentados por Ele alimentemos os irmãos com boas palavras e gestos que dêem vida às palavras.

Com o Anjo de Portugal, rezemos: Senhor Jesus, eu creio, adoro, amo-vos e espero e peço perdão por aqueles que não crêem, não adoram e não vos amam. Amém!

Pela vida, sempre!

 

 

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. da Paróquia São Miguel Arcanjo – Piquerobi

 

 
 

trocando ideias

A VERDADE VOS LIBERTARÁ

 

Na quarta-feira passada (dia 1º de abril), “celebramos” o “Dia da MENTIRA”. Recordei-me do Evangelho que afirma sem meios termos: “o diabo é o pai da mentira” (Jo 8,44). Ainda, “da verdade não provém mentiras” (cf. 1Jo 2,21).

 

O fato me fez refletir também sobre a vivência da fé dos cristãos ao ponto mais intimo do ser. Os muçulmanos fazem verdadeiros “levantes” quando agridem (ou brincam com) a figura do seu Profeta Maomé. Os cristãos (brasileiros) somos “lights”. Quase “nem aí”. Fazemos piadas com Deus e o diabo “numa boa”. Senão, vejamos.

 

Há entre os DEZ Mandamentos, um que diz “não levantar falso testemunho” que, entre outras coisas, proíbe a mentira. É o oitavo mandamento (cf. Ex 20,16). No entanto, temos um dia para celebrar o pecado e, ainda mais, com gracejo! O DIA DA MENTIRA.

 

Responda rápido: você gosta de ser enganado? Gosta quando mentem para você? E porque então gostamos (?) de enganar os outros, mentindo (ainda que “de brincadeirinha”)?

 

Jesus, nosso Mestre, se definiu com palavras claras: “EU SOU o Caminho, a VERDADE e a Vida” (Jo 6,14). Diga-me se não é “engraçado”. Nós, discípulos da VERDADE, gastamos um dia mentindo (!) “de brincadeirinha”.

 

Será ainda pior se considerarmos o que dizemos no dia das mães, dos pais, das mulheres, dos padres etc. “Dia da melancia não é só hoje. Todo dia é dia da melancia” (apenas exemplo). Nossa! Imagine. Todos os dias como dias da mentira. Caberia outra pergunta. Se nesse dia, mentimos “de brincadeirinha”, todos os outros dias serão para mentiras de verdade? [Quanta contradição!].

 

Vivemos enganando aos outros e a nós mesmos. E já dissemos que não gostamos de ser enganados. Na missa que celebrei naquele dia, me ocorreu essa contradição. Fomos celebrar a Verdade no Dia da Mentira...

 

Mas, existe luz no final do túnel. Se há UM dia da mentira, graças a Deus, todos os outros dias do ano são Dias da VERDADE. E quero crer, isso seja verdade na sua e na minha vida.

 

Pergunta final. Você que passou o 1º de abril contando mentiras “de brincadeirinha”, vai passar os outros 364 dias do ano VERDADEANDO? Não se esqueça das palavras do Senhor Jesus. “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (Jo 8,32). Todo aquele que é da Verdade escuta as Palavras de Deus e as põe em prática.

 

Pela vida, sempre! Jóia

 

Padre Sandro Rogério dos Santos

Administrador Paroquial de Piquerobi

Blog “Tudo tem seu tempo” http://sandrogerio.zip.net

 
 

cf-2009

POR UMA CULTURA DE PAZ

 

A quaresma no Brasil tem contornos de compromisso social. A melhor e mais bem avaliada forma de penitência e busca sincera de conversão é a reflexão sobre as questões sociais que nos afligem com constância, tirando de nós a paz e injetando em seu lugar o medo.

Atenta aos problemas que afligem a sociedade brasileira, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escolheu para tema da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano: “Fraternidade e Segurança Pública”, e o lema: “A Paz é fruto da Justiça” (Is 32, 17). Trata-se de uma temática sobremaneira importante e atual.

Cabe a todos os cidadãos e cidadãs, mas, sobretudo, às diversas lideranças da sociedade civil e religiosa estudar, aprofundar e buscar soluções concretas para problemática tão desafiadora. Não só o Estado tem o dever de garantir a segurança pública. Também cada pessoa é convidada a se envolver e a se empenhar na construção da justiça social e da paz.

Como medida imediata, procuremos conhecer e estudar o Texto-Base da Campanha. Seu “objetivo geral é suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade” (TB, 4).

Costumeiramente ouvimos comentários ácidos contra as guerras esparramadas pelo mundo e patrocinadas por fundamentalismos e bairrismos, sem contar as questões históricas e a “simples” busca do poder (econômico). Faz pouco, o Oriente Médio (Faixa de Gaza) ocupou a maior parte dos noticiários das TVs, Rádios, Jornais e outros meios de comunicação com mais uma fratricida onda de violência.

Combatemos tais atitudes. Repudiamos vivamente a maldade que governa os corações. Mas, gostaria de hoje nos questionar. Será que em nossa casa, família e ambiente de trabalho, também não vivemos uma espécie de “faixa de gaza”? A força destruidora nas guerras é – nas devidas proporções – a mesma força destruidora das famílias, das amizades e que envenena as relações humanas.

A cultura de paz se fundamenta em nosso próprio coração. Pensemos nos lares cujos pais ensinaram seus filhos a serem violentos quando diziam-lhes: “filho, não vai arrumar briga na rua nem na escola... e se arrumar, não vai apanhar heim! Senão vai apanhar lá e aqui em casa também!” Pois é, talvez sem ter consciência os pais estão gestando nos filhos pequenos ‘monstros’ – sujeitos violentos porque violentados.

Sejamos instrumentos de paz. Sejamos justos e misericordiosos. Assim, do coração de Jesus vem a força para vencermos os obstáculos na caminhada quaresmal e de toda a nossa vida. Caminhemos sem medo fazendo penitencia nesta quaresma com vistas ao domingo da páscoa da ressurreição do Senhor. Pois quem nele crê não morre para sempre.

Pela vida, sempre!

 

 

Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm. da Paróquia São Miguel Arcanjo – Piquerobi

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* texto publicado na seção Primeira Leitura, edição Março/2009 do Jornal Anúncio (da Diocese de Presidente Prudente) 

 
 

RÁDIO ONDA VIVA - AM 1300

1º ANIVERSÁRIO DA RÁDIO ONDA VIVA

- AM 1300, “a rádio que toca o seu coração!”

 

Passados dozes meses, vai-se firmando na família católica da Diocese de Presidente Prudente a idéia e a mensagem na nova fase de nossa emissora de rádio. Operando em AM 1300 khz, a “rádio cultura de Santo Anastácio”, hoje, ONDA VIDA, tem moderníssimo estúdio e prédio administrativo instalados junto à Cúria Diocesana (no Jardim Esplanada na cidade de Pres. Prudente).

Como sabemos, a vida não se faz num único dia. A sucessão dos tempos e dos momentos é o que dá valor e mérito a cada novo empreendimento. Assim, seria oportuno outra vez recordar os méritos evangelizadores e comunicacionais do Mons. José Antônio (Cura da Catedral), de dom Agostinho (bispo emérito) e o empenho desta última hora de dom José Maria (também bispo emérito), do padre Silvio Costa (diretor geral) e de dom Benedito, nosso bispo.

A programação está sendo ajustada para que ofereça o melhor produto que pudermos. Pois, a região está sendo alcançada não apenas por mais um som ou uma “onda”, mas pela Boa Nova de Jesus, através da Igreja. Contamos com um veículo difusor de grande porte que ecoa nos rincões do Oeste Paulista essa proposta diferenciada.

O Evangelho continua Palavra Viva do Senhor na vida das pessoas que a Ele se abrem. Por isso, não receio afirmar: a nossa emissora cumpre o seu papel. Quando difunde notícias positivas e propositivas e quando anuncia o evangelho (que é também denúncia dos desmandos e do pecado, seja pessoal, seja social) contribui para a formação de uma sociedade mais humana, mais justa, mais fraterna e querida pelo Senhor.

A nossa rádio está a serviço da vida, da família, da solidariedade e do bem comum. Os desafios dos tempos modernos são sempre convite à criatividade do amor. Através deste somos capazes de estreitar distâncias e sintonizar corações. Ao sintonizar a Onda Viva, você se enche de vida, alegria, esperança e fé.

Você, leitor/a ouvinte, é parte principal desse empreendimento. A Onda Viva é a rádio que toca o seu coração! Ouça, divulgue, colabore. Agora também na internet pelo site www.ondaviva.com.br .

 

A partir desta segunda-feira, desde às 6h uma programação a serviço da sua família! Das 8h às 10h, Ananias Pinheiro apresenta o programa CONEXÃO VIVA. Das 10h às 11h, Padre Reginaldo Manzotti apresenta o programa EXPERIÊNCIA DE DEUS. Das 16h às 18h, Ailton Luis apresenta o programa ONDA SERTANEJA. Logo após, às 18h, dom Benedito reza a Oração do Ângelus e medita a palavra de Deus.

 
 

PREGADOR: PALAVRA, AÇÃO E BUSCA

 

Tenho pensando com muita frequencia naquilo que chamamos "testemunho de vida". Sobretudo, porque minha lida diária se pauta pela pregação e vivências.

Me sinto chamado ao sacerdócio e não me vejo sendo outra coisa senão isso o que sou.

Ser sacerdote é um dom inestimável da Graça para homens tirado do meio dos homens e posto outra vez no meio destes para servi-los na presença do Senhor. Mais ou menos: sinal de Deus para o mundo, sinal do mundo para Deus.

O sacerdote é pontífice, isto é, ponte. Por ele transitam muitas vidas. Almas sedentas pela verdade que ilumina o caminho e sossega a alma.

Não poucas vezes, vejo-me tentado a sufocar a Palavra. Sim, pois pregar sempre implica esforço grande para não vacilar e deixar aos ouvintes também o bom exemplo da ação.

Todos os dias, o exame de consciência me mostra o quanto ainda me falta... Confio à Graça Divina os meus tropeços, dificuldades e medos. Ela me sustenta na fragilidade humana e me faz avançar para águas mais profundas da missão confiada.

Se pudesse, eu gostaria muito de pedir. Caso minhas ações não estejam a altura das palavras ditas por minha boca fique com as palavras (elas são placas com destino certo) e tenha paciência ao me fazer orientar por elas também.

Afinal, a Palavra que o sacerdote (ou outro pregador qualquer) prega não submete apenas os ouvintes, mas também o pregador. Então, ao olhar para mim, veja o quanto mais eu sou do que pareço.

Pensei isso ouvindo um jovem que deseja muito ser melhor, mas já foi fisgado pela necessidade de "pregar" aos seus colegas na comunidade. Ficou tão preso ao que ele tem que ser que não consegue ser nem mesmo aquilo que é.

Por ele, por mim, por você que me lê e por todos, rezemos neste dia. Nosso Senhor nos dê palavras de sabedoria e coração humilde para em todas as circunstâncias cantar e celebrar a vida que Ele nos deu.

 

[tinha sido publicado em 14/01/2009 10:11]

 
 

O NATAL CHEGOU

 

 

Hoje é natal!

"O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz... porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado." (Is 9,1.4) 

 

Obrigado Senhor pelo dom inestimável do nascimento desse Menino, seu Filho e nosso salvador. Sou-lhe grato pela ventura de participar dessa história do resgate da dignidade humana. Peço me dê ainda outra vez a alegria de partilhar do que tenho e sou com quem não tem e talvez nem saiba quem é.

 

Nos caminhos pelos quais encaminho a minha vida há tanta gente desencontrada de si e dispersa entre opções que esvaziam e frustram os sonhos. Não sou vendedor de sonhos, mas me disponho a ser sarador de feridas cujas marcas vão além da pele alcançando a alma.

 

Porque hoje é natal ofereço o meu coração como manjedoura disponível. Nasça em mim para que possuído pela Graça eu continue "tentando" levar a outros Aquele que me conquistou e hoje é o sentido do meu existir.

 

Feliz Natal! O Menino Emanuel nasça no presépio de sua vida, ocupando a manjedoura do seu coração e toda a estrebaria e gruta da sua história.

Minha bênção sacerdotal a você amigo e amiga de todos os dias, de alguns dias ou de quase nenhum dia, mas que agora passa aqui e me lê.

 

"Não deixe Cristo fora do seu Natal!"

Em tempo, não deixem também de fora nem Maria nem José. Naquele tempo eles não foram acolhidos nas instalações hotelares. Por isso, o filho de Deus nasceu em lugar pouco recomendado para se dar à luz. Hoje com Jesus, acolhamos também Maria e José. Afinal, o menino tem pais e estes são os responsáveis pela sua saúde, segurança e desenvolvimento. Obrigado também a vocês, Maria e José. Ajudem-nos a acolher no silêncio do nosso coração os mistérios de Deus. Amém!

 
 

“NÃO DEIXEM CRISTO FORA DO NATAL!”

[* PRIMEIRA LEITURA do Jornal ANÚNCIO (diocese de Pres. Prudente) edição dez/08-jan/2009]

 

No final do ano passado, o papa Bento XVI fez um apelo ao mundo para não esquecer do principal do Natal. "Não deixem Cristo fora do Natal!". Naquela mesma ocasião, ele também pediu para as pessoas lembrarem-se de que muita gente no mundo vai passar a festa "em solidão, doente e em sofrimento". Que o verdadeiro espírito de Natal é o compromisso para "acabar com preconceitos, romper barreiras e eliminar situações que colocam indivíduos e povos uns contra os outros, e construir um mundo de justiça e paz", disse o papa.

Se nos perguntássemos de quem é a culpa por esse espírito de comercialização do natal, nós cristãos deveríamos assumir grande parte dela. Nos deixamos seduzir e levar por outros "amores", ignorando o amor de Deus que nos enviou um Salvador. Não conseguimos atuar em nossos ambientes ao ponto de fazer destes um lugar justo, fraterno e solidário (por exemplo, como são as nossas comunidades? e as nossas famílias?).

Muitos consomem "papai noel" e não adoram o "bendito fruto" do ventre da Virgem Maria. Há muitas lampadazinhas espalhadas pelos quatro cantos do mundo. Tudo bem. Natal é festa de luz. Mas essas luzes que piscam quase sempre nos distraem do essencial. Enchamos as nossas casas com luzes que brilham e piscam, sem contudo, deixarmos de encher o coração e a casa com a Verdadeira Luz do Mundo, o Cristo Jesus, nascido em Belém para nos tirar das trevas.

Vamos celebrar o Natal adornando as nossas casas com símbolos cristãos. É hora de recuperarmos a sadia tradição desta festa. Por vezes, damos presentes, fazemos festas, mas nos esquecemos do motivo principal da data: o nascimento de Jesus (o Emanuel, Deus-Conosco), como recordou o Santo Padre.

Façamos festa. Se possível, um jantar especial. Mas não deixemos de louvar e agradecer a Deus por tão sublime dom, o Seu Filho, Nosso Salvador. Afinal, de que adiantaria a cara e a barriga cheias se permanecermos com o coração e a vida vazios de sentido?

Voltemos a ensinar as crianças que o Natal é presente de Deus para nós. Ele nos deu o seu filho. Deste acontecimento depende a salvação de todos os homens e mulheres. Ele, nascido entre os animais na manjedoura, morreu na cruz, como oferta de amor porque quer o nosso bem... para nos ensinar o verdadeiro caminho da vida.

De fato, "tudo seria bem melhor se o natal não fosse apenas um dia, e se as mães fossem Maria e os pais fossem José e se a gente parecesse com Jesus de Nazaré." Estou pensando em Deus que pensa em mim e que por amor na plenitude dos tempos enviou o seu Filho para nos salvar! Ele veio nascido de mulher e submetido a Lei. Ele hoje bate à nossa porta. Quer morar em nossa humilde habitação. O Natal acontecerá onde houver espaços para o Salvador nascer.

* * *

Pela vida, sempre!

Feliz Natal. No ano 2009, renovem-se os seus sonhos e desejos e o amor encontre sempre abrigo em você.


Padre Sandro Rogério dos Santos

Adm Paroquial de Caiuá e de Piquerobi

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Eis que estou à porta

 

TEMPO DE... ADVENTO

 

Próximo domingo, dia 23 de novembro, a Igreja finalizará o ano litúrgico A, com a apoteótica festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Depois, virá o tempo do advento. O tempo da chegada do Emanuel (Deus-está-sempre-conosco).

 

Faz algumas semanas o comércio, como sói, já inaugurou o seu “advento”. Papai Noel por todos os cantos. Há tantos sinais e estímulos ao consumismo que me sinto fragilizado, verdadeiramente impotente.

 

Devo confessar, eu até tenho condições de comprar algumas coisas (presentes, roupas, brinquedos etc). Exatamente por isso, penso naqueles que não podem. Naqueles que são terrivelmente massacrados por essa sanha consumista.

 

Se há quem acusa os cristãos (especialmente os católicos) de terem transformado uma festa pagã (do “Solis invictus”, aos 25 de dezembro) em festa cristã, quem acusará o nosso tempo de ter transformado a festa cristã do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo em “festa-pagã-comercial”?

 

Naquele tempo José e Maria não encontraram lugar adequado para o nascimento do Menino Deus.

 

Nos tempos de agora, nem o Menino Deus tem encontrado mais espaços. Fazemos festas, trocamos presentes, nos enchemos de comidas e coisas, mas o coração nem sempre escuta aquele que está à porta, batendo. Foi promessa dele: se alguém ouvir a minha voz, abrir a porta... entrarei e juntos cearemos! (cf. Apc 3,20).

 

Vistamo-nos de festa! Revistamos o nosso coração de serena e viva alegria. Acolhamos em nossa casa (a do coração e a da família) aquele que como luz veio iluminar a todos os que jaziam nas trevas. Amém!

 

Feliz Advento!

discipulado

 

VOLTA AO PRIMEIRO AMOR

 

Dias chuvosos são dias de meditação. O clima fica favorecido ao aconchego da casa (ainda que nesta, o lugar preferido não seja a cama, mas o escritório ou a cozinha!).

 

Eu me recordo com profunda alegria e alguma nostalgia as chuvas mansas de janeiro do ano 1995. Naquele janeiro ainda era secretário paroquial em Tarabai (minha terra natal). A secretaria era na casa paroquial cuja porta dava de frente para a praça e uma avenida. A cidade bem arborizada era “lavada” e as plantas “regadas” pelas águas pluviais.

 

Enquanto ouvia a suave sinfonia das águas sobre as plantas, a casa e outros objetos, meu pensamento vagava pelos compridos e frios corredores do seminário. Sim, do seminário diocesano. Nele passei uma semana de “experiência vocacional”. Não via a hora de voltar pra lá. Agora como morador. Mais uma semente na sementeira.

 

Meus melhores dias vocacionais (na lembrança) são os de chuva. Preferencialmente, mansas. Daquelas que molham (regam, lavam) sem destruir. De novo minha alma vagueia e o “primeiro amor” do chamado de Deus para mim, se faz novo, forte, atual...

 

Senhor da Messe e Pastor do Rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos o teu forte e suave convite: “vem e segue-me”. Ainda hoje precisamos de pastores para apascentar o teu rebanho, Senhor.

 

Ainda hoje temos necessidade de gente (como a gente) tirada de nosso meio, preparada e devolvida para o nosso meio. Gente que se faz ponte entre o mundo e o céu. Gente que por singelo e profundo mistério, foi escolhida e constituída para a missão de resgate de muitos. Gente que fala de nós ao Senhor e que fala do Senhor a nós.

 

Dá-nos pastores segundo o teu coração, Senhor. Passa por nossas comunidades e famílias... e chama!!! Chama! Pode chamar. Insista. Persista. Capacita e fortalece os chamados.

 

A tua vinha tem trabalho para todos. Sei que contas com os disponíveis. Por isso, reforço os desejos do teu coração e suplico: envia Senhor operários para a tua vinha, para a tua messe, para a Igreja, para o mundo e para o teu Reino. Amém.

DIFÍCIL É EXPLICAR A POLÍTICA

 

O texto abaixo é a introdução de uma tarefa acadêmica no ano 2001. O momento parece oportuno para lançar tais conteúdos à sua reflexão.

 

                            Difícil é explicar a política. Ela está revestida de significados sempre ambivalentes. Se dissermos que ela é a arte de governar, de gerir o destino da cidade, não podemos nos esquecer de que ela é exercida pelo político, alguém constituído de poder atuando na vida pública. A relação política-poder é marcada por nuances. Podemos entendê-la como uma luta (conquista, manutenção e expansão) pelo poder ou podemos refletir sobre as instituições políticas por meio das quais se exerce o poder; e também indagar sobre a origem, natureza e significação do poder (qual o seu fundamento, qual a sua legitimidade, qual o critério de autoridade?).

                            Discutir política é referir-se ao poder” (Aranha & Martins, p.179). Aqui seguimos a categorização de poder como sendo “a capacidade ou possibilidade de agir, de produzir efeitos desejados sobre indivíduos ou grupos humanos... supõe dois pólos”: o de quem exerce e o de quem sobre o qual é exercido. O certo é que o poder é uma relação ou um conjunto de relações pelas quais os indivíduos ou grupos interferem na atividade de outros indivíduos ou grupos.

                            O exercício do poder se dá pela força[1]. O poder do Estado é legítimo não somente pela força coercitiva – o que o tornaria insustentável – mas ele precisa ser legitimado pelo consentimento daqueles que obedecem, já que é uma relação. Na história vários são os princípios de legitimidade do poder. Da vontade de Deus ao consenso da vontade do povo, passando pela hereditariedade monárquica, muitas vezes adquirida por violência, e outros... Certamente, nenhuma forma de poder encerra em si a ausência da truculência e dos desmandos. Daí a necessidade da vigilância das instituições para impedir a degeneração do poder em arbítrio.

                            Somente na Idade Moderna, com a institucionalização do poder, este se torna de direito e repousa no mandato popular. Ele agora emana do povo e se faz em conformidade com a lei estabelecida anteriormente. Para Claude Lefort, o lugar do poder na democracia é o “lugar vazio”, ou seja, “o poder com o qual ninguém pode se identificar e que será exercido transitoriamente por quem for escolhido para tal” (Aranha & Martins, p.182).

                            Ainda outra palavra sobre a democracia. Para Marilena Chauí, as determinações constitutivas do conceito de democracia são as idéias de conflito, abertura e rotatividade. Para assegurar esse processo, importa a educação ampla, a produção e a difusão cultural vasta e autarquia da política em relação à economia.

 



[1] A força, para G. Lebrun, é instrumento para o exercício do poder; a canalização da potência e a sua determinação.

¬

 

ARTE DE VIVER

 

 

Das muitas habilidades que podemos desenvolver, a mais exigente, desafiadora e a mais bela (!) é a arte de viver. O que parece paradoxal, pois todos os viventes estamos atuando na existência. Com acerto ou erro, vivemos.

 

Angustia-nos o fato de saber e crer que a vida seja simples e não a conseguimos viver com tal simplicidade. Isso porque, no fundo, temos o “dom” da complicação. Muitas de nossas ações são marcadas pela complicação! Valeria a lembrança daquele ditado “pra que simplificar se é mais fácil complicar?!”.

 

Teríamos alguém a quem culpar? Somos e estamos complicados por causa de quê ou de quem? Não seria uma pequena incapacidade de aceitar as coisas tais como elas são? Não seria a “arte” de distrair os outros daquilo que é o principal em nós e que não conseguimos enfrentar?

 

Os relacionamentos se complicam quando não conseguimos nos aceitar nem aceitar aos outros como somos. Vivemos à procura de pessoas (e situações) ideais.

 

Jesus instruía os seus discípulos para a arte de viver. “Sejam simples como as pombas” (Mt 10,16). Ser simples. Sem dobras. Sem mais nem menos. Sem curvas desnecessárias. Sem os senões que turvam não apenas a visão do olhar, mas também a do coração.

 

Já os antigos mestres espirituais afirmavam a simplicidade como o primeiro degrau da sabedoria. Vida simples é vida com sabedoria. A arte de viver é então viver com sabedoria e simplicidade.

 

Por isso, “se alguém de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus – que a todos dá liberalmente, com simplicidade e sem recriminação – e ser-lhe-á dada”. (Tg 1,5)

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